Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

Tucano de alta plumagem consta na delação premiada de Paulo Preto

Temer, ao lado do senador José Serra (PSDB-SP), que ocupa o Ministério das Relações Exteriores: isolados

O empresário Luiz Nascimento, dono da empreiteira Camargo Corrêa, uma das maiores do país, no entanto, já havia citado Paulo Preto. Nascimento falou à Lava Jato e confirmou o pagamento de propinas ao executivo em contratos superfaturados no Rodoanel paulista

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, como o chamam no PSDB, está prestes a iniciar uma delação premiada. Arrecadador de recursos para a campanha do candidato derrotado em 2010, senador José Serra (PSDB-SP), Preto causa insônia no ninho tucano.

Temer, ao lado do senador José Serra (PSDB-SP), que ocupa o Ministério das Relações Exteriores: isolados
Temer, ao lado do senador José Serra (PSDB-SP), que ocupa o Ministério das Relações Exteriores: isolados

Segundo nota da colunista Vera Magalhães, do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, “Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, começou a negociar com o Ministério Público para admitir sua atuação na arrecadação de propinas para o PSDB em obras importantes do governo de São Paulo nos últimos anos. O ex-diretor da Dersa foi tragado pela Lava Jato no recall dos acordos de delação da Camargo Corrêa, depois de ter sido citado por executivos da Odebrecht. O clima no PSDB paulista é de tensão total”.

O empresário Luiz Nascimento, dono da empreiteira Camargo Corrêa, uma das maiores do país, no entanto, já havia citado Paulo Preto. Nascimento falou à Lava Jato e confirmou o pagamento de propinas ao executivo em contratos superfaturados no Rodoanel paulista. A roubalheira ocorreu durante as gestões de José Serra e Geraldo Alckmin. Nascimento voltou a falar temendo que sua delação fosse anulada por omissões anteriores. E voltou a citar Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, tido como um dos principais operadores do PSDB, em São Paulo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, “a Construtora Camargo Corrêa esclarece que as citações publicadas são improcedentes”. Na nota, “reitera que fechou acordo de leniência com a justiça para corrigir irregularidades e aprimorar seus programas de controle interno e compliance“.

Dinheiro sujo

O nome de Paulo Preto está ligado às verbas destinadas às obras do Rodoanel. Ele teria sido direcionado dinheiro sujo para uso na campanha eleitoral de Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. O contrato mencionado foi celebrado entre o Dnit e a Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa), então comandada por Paulo Preto.

Preto falou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os crimes cometidos pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele foi acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários e não entregá-lo para a campanha. Segundo os líderes tucanos José Gregori e Sérgio Freitas, eles eram as únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido. O ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB, confirmou a informação.

– Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras. E que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais – disse a “um ex-secretário do governo paulista”. Segundo a revista, a fonte ocupava cargo estratégico na campanha de José Serra à Presidência”.

‘Ingratidão humana’

Paulo Preto, na CPMI, criticou “a ingratidão humana” e reclamou que foi “demitido após entregar as oito maiores obras deste país”. Falou após o mal estar causado junto à cúpula tucana.

– O (José) Aníbal (ex-líder do PSDB na Câmara) disse q eu fugi… Nunca saí de São Paulo – contrapôs Paulo Preto, antes de seguir para o ataque e acusar a “alta plumagem, que eu sei onde está, mas não aparece aqui. Eu estou aqui…”.

Ele acrescentou que move, hoje, sete processos criminais e nove por danos morais (dos quais já ganhou cinco em segunda instância). Dois deles contra a revista IstoÉ.

– Não tenho medo de absolutamente nada – disse ele. E ressaltou que abriu seu sigilo bancário por iniciativa própria. Afirmou também que as revistas IstoÉ, Época e Carta Capital fizeram matérias mentirosas e estão sendo processadas. Ele também negou denúncia publicada em 2010 pela imprensa de que havia “desaparecido” com R$ 4 milhões destinados à campanha de José Serra. Ele desafiou alguém a comprovar a denúncia e disse que gostaria de saber quem é seu inimigo (que teria inventado essa história).

Malha fina

Depois de Paulo Preto, o segundo a cair na malha fina da Lava Jato foi o senador José Serra. Ocupante do ministério das Relações Exteriores, o senador José Serra já havia deixado pegadas no escândalo conhecido como ‘Privataria Tucana’. Dessa vez, foi apontado como beneficiário do dinheiro ilícito apurado nas obras viárias do Rodoanel, pagas por Marcelo Odebrecht. Em sua defesa, disse apenas que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome, sem admitir, ou negar, os fatos.

Em sua delação premiada, Marcelo Odebrecht detalhou o caminho dos R$ 23 milhões recebidos por Serra durante a campanha presidencial de 2010. Parte dos recursos avaliados, hoje, em R$ 34,5 milhões, decolou de contas no exterior, o que implicaria na cassação do registro do PSDB. Ou pior. Serra poderá ser preso, caso as doações sejam originárias de propina e desvios de recursos públicos da Dersa, a estatal paulista responsável pela construção do Rodoanel, uma vez que a Odebrecht também apontou corrupção na construção do Rodoanel e supostos intermediários de Serra na arrecadação de propinas.

Embora o chanceler negue irregularidades e diga que sua campanha captou apenas recursos legais, o executivo afirma dispor dos recibos de pagamentos feitos no exterior. Nesse caso, caberá ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar Serra e abrir uma nova vaga no ministério de Temer.

Alto risco

Ainda segundo a colunista do Estadão, a prisão preventiva de Eduardo Cunha “é um revés para o governo Michel Temer. Cita o potencial estrago que uma eventual delação do ex-todo poderoso presidente da Câmara pode causar no coração do PMDB”. Ainda segundo a jornalista, Cunha tem o poder de “colocar o governo ainda mais na mira”.

“A queda de Cunha deve acelerar as tratativas pluripartidárias que já estão em curso para tentar conter a Lava Jato”, afirmou. “Como um projeto do senador Romero Jucá que endurece as punições e muda os conceitos de abuso de autoridade”, acrescenta. Jucá também é investigado na Lava Jato e renunciou da equipe de Temer por conta de denúncias contra ele.

Ainda segundo Magalhães, “Cunha foi, por muito tempo, uma espécie de caixa único do PMDB”. Seria responsável por “arrecadar recursos com empresas e repassa-los a candidatos do partido país afora”, escreveu. “Esse ‘serviço’ ajudou a galvanizar sua enorme influência no partido e junto a grupos empresariais poderosos”.

“Preso sem perspectiva de sair, partir para a delação, Cunha pode de fato abalar o novo regime”, prevê.

Matéria atualizada nesta quarta-feira, às 11h08, para acréscimo de informações.

À CPMI, Paulo Preto pergunta por tucanos “de alta plumagem” que o acusaram

Paulo Preto
Paulo Preto foi questionado pelos parlamentares na CPMI do Cachoeira

Ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, falou aos parlamentares na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, nesta quarta-feira. O depoente ficou conhecido nas eleições presidenciais de 2010 com o envolvimento em denúncias de desvio de verbas públicas na direção da empresa pública responsável pela construção de parte do Rodoanel, no Estado de São Paulo, e o sumiço de cerca de R$ 4 milhões da campanha do então candidato à Presidência da República, José Serra.

O nome de Paulo Preto surgiu após declarações de Pagot à revista IstoÉ de que parte das verbas destinadas às obras do Rodoanel teria sido direcionada para uso na campanha eleitoral de Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. O contrato mencionado foi celebrado entre o Dnit e a Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa), então comandada por Paulo Preto. À CPMI, no entanto, Pagot disse ter sido mal interpretado pela revista. Ele sustentou que houve pressão para aprovar mais recursos para obra, mas que não se pode provar que o valor seria usado em campanhas.

Segundo a revista, na sua edição de agosto de 2010, Paulo Preto foi acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha. Segundo os líderes tucanos José Gregori e Sérgio Freitas, em entrevista à publicação semanal, as únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido na arrecadação são o José Gregori e o Sérgio Freitas”, afirma o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB.

– Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais – confirmou à publicação “um ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência”.

Paulo Preto, na CPMI, criticou “a ingratidão humana” e reclamou que foi “demitido após entregar as oito maiores obras deste país”, após o mal estar causado junto à cúpula tucana.

– O (José) Aníbal (ex-líder do PSDB na Câmara) disse q eu fugi… Nunca saí de São Paulo – contrapôs Paulo Preto, antes de seguir para o ataque e acusar a “alta plumagem, que eu sei onde está, mas não aparece aqui. Eu estou aqui…”.

Ele acrescentou que move, hoje, sete processos criminais e nove por danos morais (dos quais já ganhou cinco em segunda instância), dois deles contra a revista IstoÉ.

– Não tenho medo de absolutamente nada – disse ele, ressaltando que abriu seu sigilo bancário por iniciativa própria. Afirmou também que as revistas IstoÉ, Época e Carta Capital fizeram matérias mentirosas e estão sendo processadas. Ele também negou denúncia publicada em 2010 pela imprensa de que havia “desaparecido” com R$ 4 milhões destinados à campanha de José Serra. Ele desafiou alguém a comprovar a denúncia e disse que gostaria de saber quem é seu inimigo (que teria inventado essa história).

“Segundo dois dirigentes do primeiro escalão do partido, o engenheiro arrecadou ‘antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual’. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores. ‘Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas’, afirmou à IstoÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido”, lembrou a revista, ainda em 2010. Na época, Paulo Preto afirmou aos dirigentes tucanos que “não se deixa um líder ferido na estrada. Não cometam esse erro”, e voltou ao assunto.

– O Senado do meu país está dando ao ‘líder ferido’ o direito de comprovar. Não saio desta Casa sem entregar todos os documentos comprobatórios do que eu falar – disse, acrescentando que pediu a Deus para falar na CPMI, para se defender.

Ele disse que foi uma ingratidão ter sido demitido oito dias depois de entregar “as três maiores obras deste País” em 34 meses, em referência ao Rodoanel, à revitalização da Marginal Tietê e de outras rodovias da capital paulista.

– A infraestrutura do governo Serra, no que diz respeito a rodovias, eu era o gestor. Pessoas que nunca me viram, nunca me cumprimentaram, nunca estenderam a mão a mim, colocaram essa matéria na revista IstoÉ – afirmou Paulo Preto, em resposta às dúvidas do relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG)

Segundo a revista IstoÉ, Paulo Preto seria um “falastrão, contava vantagens aos companheiros e nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Prometia mundos e fundos num futuro governo Aloysio. E quando Aloysio deixou a Casa Civil de Serra, muitos passaram a torcer por sua exoneração, o que aconteceu sob a batuta do governador Alberto Goldman”. Aloysio, atualmente, integra uma das facções internas do PSDB que se opôs à candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado nas prévias realizadas pela agremiação partidária.

CPMI do Cachoeira ouve Paulo Preto, Pagot e Cavendish nesta semana

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) deve ouvir mais quatro depoimentos nesta semana, entre eles o do ex-diretor da Dersa, Paulo Veira de Souza, o Paulo Preto, acusado de atuar junto ao DNIT em busca de dinheiros para a campanha do tucano José Serra à Presidência da República em 2010. Na época, o engenheiro foi acusado por outros tucanos de sumir com R$ 4 milhões arrecadados junto a empresários.

Cachoeira
Ex-presidente da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, pediu para não comparecer à CPMI

O depoimento de Paulo Preto está marcado para quarta-feira, assim como o do ex-presidente da empreiteira Delta, Fernando Cavendish. Na terça-feira, serão ouvidos Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do DNIT e o empresário Adir Assad, dono das empresas JSM Terraplenagem e SP Terraplenagem, entre outras, apontadas como ‘laranjas’ do suposto esquema Delta/Cachoeira.

Cavendish impetrou habeas corpus no STF pedindo para não comparecer à comissão. Caso o pedido não seja aceito, ele pede para permanecer em silêncio e não assinar termo de compromisso de dizer a verdade. O mesmo pedido foi feito por Assad.

Já Luiz Antônio Pagot afirmou em outras ocasiões que está disposto a colaborar com a CPMI. Ele deixou o Dnit em 2011, após denúncias de irregularidades, e atribui a pressão pela sua saída ao grupo comandado por Cachoeira, que defendia os interesses da Delta no órgão. Em entrevistas, ele disse que era procurado por partidos para captar doações ilegais de empreiteiras para campanhas políticas.

Da mesma maneira, Paulo Preto deu entrevista na semana passada afirmando que falaria tudo o que sabe aos parlamentares.

As reuniões estão marcadas para as 10h15, na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

Procuradores detalham o esquema criminoso de Cachoeira

Paulo Preto
Paulo Preto dispensa o benefício do silêncio na CPMI do Cachoeira

A rede montada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tem características de organização mafiosa, na avaliação da procuradora Léa Batista de Oliveira. Para ela, o código de silêncio adotado por todos os envolvidos no esquema, seja em depoimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) ou à Justiça Federal, configura atuação característica de máfia.

– O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPMI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas, quando um membro de grupo, com seu silêncio, quer defender o grupo e ser leal ao chefe – frisou.

Léa de Oliveira falou na manhã desta terça-feira à CPMI que investiga as relações de Cachoeira com agentes públicos e privados. De acordo com a procuradora, a Operação Monte Carlo revelou essa organização mafiosa chefiada por ele.

– Uma sociedade bem estruturada, mais lucrativa que uma grande empresa. Foi revelada a existência de uma estrutura central, piramidal e estruturada, que se perpetuou por anos a fio por estar conectada a agentes do Estado, por estar imbricada no aparato estatal.

A procuradora relatou aos senadores as formas de intimidação utilizadas pelo grupo de Cachoeira, como dois e-mails enviados a ela, com ameaças a sua família, ambos identificados com origem em Anápolis (GO), cidade base de Cachoeira. Além de Léa de Oliveira, também falou à CPMI o procurador Daniel Rezende Salgado, ambos atuaram nas operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal.

Estrago à vista

A CPMI do Cachoeira também marcou, para o próximo dia 29, o depoimento do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Ao contrário dos demais envolvidos com o esquema criminoso, Preto afirmou que não pretende usar um possível habeas corpus e que estaria disposto a responder às perguntas dos parlamentares. Paulo Preto deixou a Dersa – estatal paulista, governada pelo PSDB encarregada das rodovias – em abril de 2010.

– Vou falar tudo o que eu desejo falar desde 2010 para cá – afirmou

Diante da possibilidade do envolvimento do candidato tucano à prefeitura paulistana no escândalo de corrupção, a cúpula tucana avalia o prejuízo potencial do depoimento de Paulo Preto. Ele teria dito a interlocutores que o ex-governador José Serra (PSDB-SP) foi sua “bússola” durante a gestão na Dersa. Preto deixou claro que faz questão de falar à CPMI e desautorizou qualquer tentativa de acordo para evitar o seu depoimento.

Paulo Preto teria desviado doações recebidas pelo PSDB para campanha de José Serra quando foi candidato a Presidência. Reportagem publicada na revista semanal de centro IstoÉ, afirma que Paulo preto “fugiu com R$ 4 milhões” que seriam usados na campanha de Serra. Paulo Vieira indicou que ficará na defensiva em relação a acusações feitas pelo ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot. Pagot, por sua vez, afirmou à IstoÉ ter ouvido de um procurador de uma empreiteira que dinheiro de obras do Rodoanel teria sido desviado para uso em campanha eleitoral de José Serra.

– Pelo que conheço da personalidade do Pagot, ele vai falar sobre os esquemas de arrecadação – avaliou Paulo Vieira, que vai à CPMI um dia depois do ex-diretor do Dnit.

Autor de uma das frases mais marcantes da eleição de 2010, Paulo Preto mandou recado para José Serra (PSDB):

– Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada – disse Paulo Preto.

Cerco sobre Serra e Paulo Preto se fecha após doação milionária

Serra
Paulo Preto coordenou as obras do Rodoanel no governo de Serra

O cerco à ligação entre o esquema criminoso do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apoiado por um grupo de empresários de vários Estados brasileiros, começa a se fechar sobre o candidato tucano à administração municipal de São Paulo, José Serra. Ele e assessores próximos têm sido pressionados a explicar a série de ligações com integrantes do grupo acusado de fraude, contravenção e formação de quadrilha, liderado pelo contraventor goiano. Em 2010, durante a campanha derrotada ao Palácio do Planalto, o grupo de Serra recebeu uma doação de R$ 8,2 milhões, feita pela esposa do empreiteiro José Celso Gontijo, Ana Maria Baeta Valadares Gontijo. O valor foi um ponto fora da curva para uma pessoa física, uma vez que a lei eleitoral permite apenas que se doe 10% do valor ganho num determinado ano. A situação se agrava devido ao fato de Gontijo aparecer em um dos vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-secretário do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, no qual ele paga propina para manter seus contratos de tecnologia no Distrito Federal. Arruda e Serra eram da mesma facção dentro do PSDB e foi cogitado para ser companheiro de chapa do tucano na corrida presidencial, descartado após o escândalo.

A doação milionária de Ana Gontijo para a campanha tucana de 2010, como pessoa física, é comparável somente às doações dos grandes bancos e grandes empreiteiras e, naquele ano, bateu todos os recordes. Ana Gontijo precisaria ter ganhado cerca de R$ 7 milhões por mês de salário bruto ou renda ao longo de 2009 (cerca de R$ 82,5 milhões de renda anual). Um processo em curso na Receita Federal verifica a autenticidade da fortuna doada pela Srª Gontijo, cujo marido foi filmado entregando maços de dinheiro para o esquema conhecido como Mensalão do DEM, desvendado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF). No relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o escândalo, produzido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, vale destacar o tópico inteiro dedicado a Celso Gontijo:

“O Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO figura ainda como proprietário da empresa CALL TECNOLOGIA E SERVICOS LTDA, de CNPJ no 05003257/0001-10, empresa citada no Inquérito n° 650/STJ como financiadora do esquema de corrupção, e que possui contratos com a CODEPLAN e o DEFRAN, totalizando repasses no valor de R$ 109.347.709,17 (cento e nove milhões, trezentos e quarenta e sete mil, setecentos e nove reais e dezessete centavos) entre os anos de 2000 a 2010.

“O Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO aparece em gravação feita pelo Sr. DURVAL BARBOSA, entregando-lhe dois pacotes contendo diversas notas de R$ 100,00 (cem reais). Esse vídeo compõe o inquérito nº 650/STJ e foi gravado na gestão do governador José Roberto Arruda, conforme foto do ex-governador disposta na parede oposta da gravação. Segundo o Sr. DURVAL BARBOSA, esse encontro ocorreu no dia 21 de outubro de 2009 na Secretaria de Assuntos Institucionais (v. 4, p. 528). Ainda segundo o declarante esse encontro tinha como objetivo fazer um “acerto” do recurso arrecadado como propina de um contrato com a empresa CALL TECNOLOGIA E SERVICOS LTDA (v. 4, p. 529). A propina era entregue diretamente pelo Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO, por seus funcionários, e em uma ocasião pelo Sr. LUIS PAULO DA COSTA SAMPAIO. Ressalta ainda o delator que essa propina era paga desde o governo passado, equivalendo a um percentual entre 7% (sete por cento) e 8% (oito por cento) do total pago à empresa, já descontado o valor dos impostos. Esse dinheiro era inclusive arrecadado à época da campanha do Sr. JOSÉ ROBERTO ARRUDA ao governo do DF”.

Gontijo e Paulo Preto

A CPMI do Cachoeira visa os depoimentos de José Gontijo e Paulo Vieira de Souza, ou Paulo Preto, como é conhecido o ex-captador de recursos para as campanhas eleitorais de Serra, em São Paulo, agendados para o mês que vem. Coincidência ou não, assim que soube da convocação de Paulo Preto, o senador tucano paulista Aloysio Nunes, responsável pelo caixa de campanha em 2010, pediu para se afastar da Comissão, sendo substituído por Cyro Miranda (PSDB-GO). Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções; e Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) do Ministério dos Transportes; além de Adir Assad, empresário de São Paulo que atua nos segmentos de construção civil e eventos também falarão aos senadores.

Call Center

Ao todo, o Estado de São Paulo fez contratos de quase R$ 1 bilhão com a Delta; R$ 178, 5 milhões, celebrados nas gestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010). Paulo Preto assinou o maior parte deles. A Dersa contratou a Delta, em 2009, para executar a ampliação da marginal do Tietê por R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos). Pela Delta, assinou Heraldo Puccini Neto, que teve a prisão preventiva decretada em abril e continua foragido.

– A CPMI está complementando esse trabalho que, aliás, foi muito bem feito. Está dissecando todo o fluxo de recursos da organização criminosa: quais empresas alimentavam-na e quais ela alimentava. Ou seja, origens, destinos, valores… A CPMI tem agora uma equipe grande de técnicos do Banco Central, Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Senado, que está analisando os dados. São técnicos fazendo uma análise financeiro-contábil da circulação do dinheiro. Nós queremos ter um diagnóstico rápido da organização e provas consistentes para levar a julgamento célere as pessoas envolvidas – disse o vice-presidente da CPMI do Cachoeira, Paulo Teixeira (SP), ao site Viomundo.

A presença de José Celso Gontijo na administração tucana de São Paulo também foi identificada desde 2006, quando a empresa Call Tecnologia, também conhecida como Call Contact Center, passou a administrar as chamadas para os serviços dispostos pela prefeitura de SP, durante a gestão de José Serra. À época, os pagamentos mensais para a empresa chegavam a R$ 1,2 milhão, algo próximo dos R$ 30 milhões por dois anos de serviço. Na atual gestão do prefeito Gilberto Kassab, o contrato foi prorrogado.

Em abril de 2009, a Call Tecnologia fechou outro contrato, desta vez com o governo estadual de São Paulo, com Serra no Palácio dos Bandeirantes, um ano antes dele se candidatar à Presidência da República, pelo partido que recebeu os R$ 8,25 milhões da mulher de Gontijo.

CPMI do Cachoeira apoia depoimento de Pagot e situação de Serra se agrava

Pagot
Pagot teria informações relevantes sobre uma rede de corrupção na campanha de Serra

A anunciada decisão de abrir mais um processo contra as várias acusações de corrupção e enriquecimento ilícito, tráfico de influência e formação de quadrilha que pesam desde o livro A Privataria Tucana contra o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, não reduz o risco dele se explicar junto à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a rede criminosa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Serra, desta vez, promete levar o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot às barras dos tribunais, pela denúncia formulada em entrevista sobre a distribuição de propina para a campanha derrotada do tucano à Presidência da República, em 2010.

Na sessão da CPMI desta terça-feira, no entanto, segundo levantamento realizado pelo Correio do Brasil, a maioria absoluta dos parlamentares é favorável ao depoimento de Pagot. É a oportunidade esperada para o executivo complementar as denúncias de corrupção na campanha tucana, com a participação da empreiteira Delta Construções S/A e de Paulo Vieira de Sousa, vulgo Paulo Preto, homem de confiança de Serra na estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), responsável pela construção do Rodoanel. Pagot foi demitido do cargo há um ano, após matéria publicada na revista semanal de ultradireita Veja, fornecida por agentes do bicheiro Cachoeira, conforme indícios obtidos pela Polícia Federal em escutas telefônicas legais.

A decisão de adiar o depoimento de Pagot apenas oferece mais tempo para, nos bastidores, as forças políticas que integram o Congresso conhecerem melhor o teor dos documentos a que o denunciante teve acesso para afirmar que a divisão da propina gerada nas obras do Rodoanel era distribuída na proporção de “60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”. O vice-presidente da CPMI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), preferiu não votar requerimentos nesta semana, enquanto o titular do cargo, senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB), estiver de licença por problemas cardíacos.

– Não há urgência. Se as pessoas querem falar, elas serão ouvidas, mas decidir na próxima semana não atrapalha nossos trabalhos – disse o parlamentar.

Até lá, com tempo suficiente para esmiuçar as denúncias de Pagot, os integrantes da CPMI avaliarão da necessidade de convidar o candidato Serra para uma possível acareação com o denunciante, possivelmente também na presença do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish.

– Estávamos aqui lidando com tantas pessoas que não querem falar, mas o Pagot quer colaborar e podemos convocá-lo – ressaltou o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Presença garantida

Apesar do adiamento, o senador Pedro Taques (PDT-MT) já garantiu que Pagot faça as suas denúncias de maneira oficial ao protocolar, na noite passada, uma representação na qual pede ao Ministério Público Federal (MPF) que tome o depoimento dele nas próximas horas. Segundo o senador, Pagot possui “informações relevantes” sobre a organização criminosa de Cachoeira e tem todo o interesse em depor à CPMI e às demais autoridades.

– Não é crível ou razoável que um cidadão há mais de um mês venha dizer que possui fatos graves a revelar em favor da nação e ninguém queira ouvir este cidadão. Todos nós estamos desejosos de ouvi-lo – disse Taques na reunião desta terça-feira.

Em sua representação, Taques acrescenta que as investigações realizadas pela Polícia Federal e os trabalhos da CPMI no Congresso revelaram a existência de uma profunda conexão entre as obras tocadas pelo Dnit, a Construtora Delta e o grupo de Carlinhos Cachoeira. Ele pontua que somente no Dnit foram realizados pagamentos da ordem de R$ 2,75 bilhões à Delta entre 2009 e 2011.

Em outra entrevista, Pagot afirmou que Cachoeira atuava associado ao Diretor da Delta – Cláudio Abreu – na prospecção de negócios em todo o território nacional, atuando, inclusive, dentro do Dnit. Ele afirmou, ainda, que algumas de suas exigências desagradaram à Delta, motivo que o levou a ser alvo de uma conspiração de Cachoeira para derrubá-lo do cargo. Na representação, Pedro Taques também citou a entrevista concedida à revista semanal de centro Istoé, na qual Luiz Antônio Pagot denuncia a formação de caixa dois em favor do PSDB.

“Diante do exposto, considerando que os fatos acima narrados caracterizam, em tese, a prática de inúmeros crimes contra o patrimônio público da União, além de outros delitos, requer-se ao Ministério Público Federal no Distrito Federal que sejam tomadas todas as providências cabíveis, de índole investigatória e judicial, no sentido de que todos os envolvidos sejam punidos, na medida da sua culpabilidade, começando pela oitiva do Sr. Luiz Antonio Pagot”, conclui Taques.

Serra, diante das acusações de Pagot, entra na mira da CPMI do Cachoeira

Serra
Paulo Preto volta a assombrar o passado do candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra

Ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o engenheiro Luiz Antonio Pagot comandou a instituição desde 2007, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até 2011, quando foi demitido pela presidenta Dilma Rousseff, após uma série ruidosa de notícias veiculadas na mídia conservadora, capitaneada pela revista semanal de ultradireita Veja, com base em dados produzidos pela quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, segundo provas recolhidas por agentes da Polícia Federal (PF). Pagot conversou longamente com repórteres da revista semanal de centro IstoÉ, que está em bancas, e denunciou a existência de uma rede de corrupção, comandada por integrantes do PSDB, com objetivo de drenar os recursos das obras do Rodoanel, em São Paulo, para a campanha presidencial de José Serra, em 2010.

Nesta manhã, parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira disseram que pretendem convocar Pagot para depor na comissão. Segundo ele, o ex-presidente da estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), Paulo Vieira de Sousa, vulgo Paulo Preto, responsável pelas obras do Rodoanel, pediu-lhe, em 2009, que aprovasse um aditivo de R$ 264 milhões para a obra viária. Pagot teria negado, alegando que o governo federal já havia pago sua parte na obra. Mas em seguida, segundo ele, os tucanos teriam conseguido a aprovação dos recursos sem a necessidade da aprovação do Dnit. Pagot diz que, na ocasião, o procurador de uma empreiteira denunciou o desvio de 8% dos recursos do trecho sul do Rodoanel.

– Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá’. Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin – afirmou.

Em 2010, Preto foi acusado de desviar recursos de um suposto caixa dois dos tucanos. Na época, ele negou as acusações e processou os acusadores. Serra primeiro negou que o conhecesse. Paulo Preto disse então, em tom de ameaça:

– Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro.

Logo em seguida, Serra foi à imprensa para dizer que se confundiu por conta do apelido quando questionado “se conhecia algum ‘Paulo Preto“.

A reportagem da revista apurou que o comitê de Serra recebeu R$ 40 milhões em doações oficiais de empreiteiras que construíram o Rodoanel. Pagot também disse que que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) teria lhe pedido ajuda a pagar as dívidas contraídas por ele com a Delta Engenharia, como se estivesse cobrando a empreiteira. Ele ainda afirmou, categoricamente, que o desvio de verbas da obra para o caixa 2 da campanha de José Serra era amplamente conhecido nos meios empresariais.

– Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra – afirmou Pagot.

Ele, porém, duvida do possível convite para falar ao Congresso, na CPMI do Cachoeira e desdenha de seus participantes:

– Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar – diz ele que, caso reafirme suas denúncias perante os deputados e senadores, poderá provocar a convocação de Serra para depor na CPMI, em plena campanha eleitoral.

Apoio a Dilma

Segundo Pagot. ainda na entrevista, o deputado federal José de Filippe, tesoureiro da campanha presidencial da então candidata Dilma, em 2010, também lhe pediu para arrecadar recursos junto a entidades do setor da construção civil e forneceu o número de contas bancárias da campanha. Neste caso, os recursos teriam entrado legalmente na campanha petista. O deputado federal do PT paulista, porém, respondeu à entrevista de Pagot dizendo que na campanha ele teria tido apenas um encontro com ex-diretor do Dnit quando este lhe ofereceu três aviões do então governador de Mato Grosso (atualmente senador), Blairo Maggi (PR), seu padrinho político. Mas que isso não se concretizou.

Filippe ainda disse que teve um segundo encontro com Pagot, após as eleições. Segundo ele, ”para buscar recursos para saldar as dívidas da disputa eleitoral”. Na ocasião, a campanha devia cerca de R$ 28 milhões.

Serra nega

Procurados pelo Correio do Brasil, assessores do ex-governador José Serra, hoje pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, afirmaram que tudo não passa “de uma calúnia pré-eleitoral aloprada”. “A acusação é inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero”, disse o comitê de Serra, em nota distribuída à imprensa, neste sábado, na qual afirmam que o candidato tomará as “medidas judiciais” cabíveis.

Ainda na nota, o PSDB afirma que “a matéria é caluniosa. As campanhas do governador Geraldo Alckmin e de José Serra sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral”.

Em outra nota, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que a acusação é “improcedente e mentirosa” e que também acionará a Justiça. José Luiz de Oliveira Lima, advogado de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, foi pelo mesmo caminho e diz que também irá processar Pagot por “calúnia e difamação”.

Paulo Preto, homem-bomba tucano, presta depoimento sobre desvio de R$ 4 mi do PSDB

Preto
Paulo Preto chegou a ser chamado de 'factóide' pelo candidato tucano José Serra, derrotado nas últimas eleições

O engenheiro e ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, voltou a negar que tenha sumido com R$ 4 milhões destinados ao financiamento da campanha eleitoral do PSDB em 2010. Na véspera, ele prestou depoimento de duas horas e meia ao Ministério Público Estadual.

Paulo Preto assinou um termo de compromisso por meio do qual abre mão espontaneamente de seu sigilo bancário e fiscal. A quebra do sigilo, porém, será restrita ao período que interessar à investigação.

Classificado na campanha eleitoral de 2010 como “o homem-bomba” do PSDB, Paulo Preto é alvo da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social. O inquérito apura denúncias de tráfico de influência, improbidade, enriquecimento ilícito e desvio de recursos públicos.

O procedimento, aberto por requisição da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, corre sob segredo. O ex-diretor da Dersa informou que está processando por crime contra a honra todos os que lhe atribuíram o desvio de R$ 4 milhões

Na véspera, Paulo Preto foi à audiência acompanhado de seu advogado, José Luís Oliveira Lima, e respondeu a todas as perguntas da promotoria.

– Tendo em vista que o procedimento é sigiloso não posso me manifestar – afirmou o advogado.

Serra foge de explicações sobre autorização de Paulo Preto a empreiteiras do Rodoanel

A deputada Andreia Zito contratou 400 cabos eleitorais da Baixada Fluminense
A deputada Andreia Zito contratou 400 cabos eleitorais da Baixada Fluminense

Em sua caminhada pela orla da Zona Sul do Rio, neste domingo, o presidenciável José Serra preferiu não comentar o que pensa sobre o fato de seu ex-assessor Paulo vieira de Souza, o Paulo Preto, permitir que empreiteiras na obra que serviu de cartão-postal da campanha tucana, o Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, realizassem alterações no projeto. O objetivo das alterações era, “na prática, até usarem materiais mais baratos”, segundo matéria publicada na edição deste domingo do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo.

A matéria também afirma que “a medida, em acordo da estatal com as construtoras, foi definida em 2007 em troca da garantia de ‘acelerar’ a construção do trecho sul para entregá-lo até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) saiu do governo para se candidatar à Presidência”. Neste trecho, exatamente, um incidente de graves proporções gerou a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.

Segundo apurado, “a negociação com as empreiteiras – exigindo que elas não atrasassem a vitrine política de Serra – foi a principal tarefa de Paulo Preto. Ficou acertado que, em vez de receberem conforme quantidade e tipo de cada serviço ou material usado na obra, as empreiteiras receberiam um ‘preço fechado’ – no valor de R$ 2,5 bilhões. Com isso, poderiam fazer alterações no projeto original, permitindo que economizassem”.

A Dersa responde que, apesar do material utilizado ser de uma qualidade inferior “havia a condição de manter a qualidade final”, mas a Operação Castelo de Areia ainda investiga o trânsito de propina pela construção do Rodoanel e a queda de uma pilastra em 13 de novembro do ano passado. Uma carreta e dois carros foram atingidos por três vigas que desabaram no trecho sul da autopista, por volta das 21h. A estrutura de concreto caiu em cima da pista da Rodovia Régis Bittencourt, sentido Capital. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, duas pessoas ficaram feridas, uma em estado grave. A rodovia ficou totalmente interditada na altura do quilômetro 277, em Embu.

A Dersa, responsável pela trecho, não soube informar sobre o acidente e, quase um ano depois, ainda não liberou o laudo definitivo, para o devido processo legal. Na época, porém, o atual governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), ainda na Vice-governadoria, enviou mensagens a Serra, por e-mail, nas quais o alertava para o comportamento “incontrolável, vaidoso e arrogante” do engenheiro. Preto é acusado, ainda, de “desaparecer” com cerca de R$ 4 milhões da campanha de Serra, fato até agora sem explicação por parte do comitê tucano de campanha.