Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

Pesquisa mostra que ampla maioria de brasileiros rejeita governo Temer

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta

“Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção”, afirma pesquisador

 

Por Redação – de São Paulo

 

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira aponta que, para 84% dos brasileiros, o governo do presidente de facto, Michel Temer, segue ladeira abaixo. Não se trata de um estudo realizado por alguma instituição ligada à esquerda. A pesquisa “O Brasileiro e a Política” foi realizada pelo Instituto Locomotiva.

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta
O ‘Fora Temer!’ foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta. Muito menos na pesquisa de opinião

Trata-se de uma instituição com o neoliberalismo em seus alicerces, sob a direção do economista Renato Meirelles e o apoio da Ford Foundation, entre outros patrocinadores ligados às mesmas forças da direita que derrubaram o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Régua de qualidade

A aferição junto à opinião pública mostra, ainda, que 96% dos eleitores descobriram, enfim, que o país vive uma crise. Destes, 75% a consideram gravíssima. O resultado também aponta para o distanciamento entre os cidadãos e a classe política. O fenômeno ocorre há mais de uma década mas, diz o Locomotiva, volta agora à toda velocidade.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande. o que temos hoje, no país, é um caminho sem volta. Somente se resolverá quando se repactuar um novo modelo para gerir a sociedade — afirma Meirelles à jornalista Sonia Racy, colunista de um dos diários conservadores paulistanos.

Verdades absolutas

Desde 2014, lembra Meirelles, um terço do eleitorado brasileiro votou em Dilma. Um terço em Aécio. E um terço não votou, como demonstra a soma dos votos nulos, brancos e as abstenções.

— Assim, qualquer que fosse o vencedor teria contra si dois terços do Brasil. Foi principalmente a partir de 2013, quando a cidadania mudou sua régua de qualidade, tornando-se mais exigente com as autoridades. O que impressiona é como a classe política desprezou a importância disso. Até hoje ela não enxerga direito a situação — acrescentou.

Segundo o Instituto, “em um mundo que se transforma cada vez mais rápido, verdades absolutas são a todo momento destruídas, e apenas uma certeza parece segura: novas mudanças virão. Mudam as tecnologias, mudam as relações humanas, mudam os clientes, novos negócios surgem e outros tornam-se obsoletos”.

Fora Temer

“No Brasil não é diferente. Mudamos muito na última década e vamos continuar mudando. O consumidor amadureceu, o cidadão ficou mais exigente e já temos uma geração inteira que nasceu conectada. Nos últimos 10 anos, mais de 10 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho. (Neste período), 53 milhões de pessoas passaram a ter acesso à Internet, 50 milhões de contas bancárias foram abertas e o país ganhou 10 milhões de universitários”.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande — acrescenta Meirelles.

Para o economista, o povo que foi à rua “já sabia o que não queria, foi marcar presença a respeito”.

— Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção. Aí você pergunta: o que eles querem? Eles não sabem. Querem é algo diferente — disse.

Classe dirigente

Em outro ponto, o efeito da mensagem religiosa passada aos brasileiros mostra a sua face.

— O estudo mostra que 64% acreditam que para melhorar dependem mesmo é de si próprios, ou de seu esforço. E 45% (as respostas são múltiplas) confiam “na fé e em Deus”. Ou seja, não esperam nada de um governo — pontua.

Uma alta parcela dos entrevistados “não acredita em governo para melhorar de vida”, constata.

— A classe dirigente fica discutindo entre Estado grande e Estado pequeno. Isso pouco importa para o cidadão. Ele quer um Estado eficiente. Que faça valer seus direitos, dê igualdade de oportunidades — acredita.

Segundo o dirigente empresarial, a descrença leva ao descolamento dos eleitores do quadro político atual.

— Aquela “família margarina” tradicional, reunida no café da manhã, constitui hoje apenas um terço do total das famílias brasileiras. Temos no país 10 milhões de pessoas que vivem sozinhas – um mercado específico, de comportamentos e expectativas pouco avaliadas. A comunicação não é mais só TV-rádio-jornal, as redes sociais se expandiram. A nova comunicação não se resume a passar mensagem e pronto, é de trocas dinâmicas — repara.

Time de futebol

Meirelles observa que, o Brasil ganhou 54 milhões de novos internautas na última década.

— É gente que vê, ouve, escreve, responde, aprova, discorda, espalha. E é um fenômeno global. Fazer análise correta do presente e previsão do futuro virou uma tarefa mais arriscada. Um exemplo: 43% dos que apoiam partidos de esquerda acreditam em Deus e dizem que isso as torna pessoas melhores. E mais: 47% desse universo dito esquerdista acha que direitos humanos não devem valer para bandidos — impressiona-se.

Na outra ponta, 85% dos que apoiam partidos ditos de direita afirmam que cabe ao governo promover justiça social.

— E 64% acham positivo o governo ter empresas estatais fortes — contabiliza.

O pesquisador acredita que, para se entender de fato, hoje, como as pessoas selecionam os fatores que formam suas avaliações de si e do mundo, é preciso levar em conta que condição financeira não é predominante. E que a posição política está empatada com o time preferido — conclui.

Águas de Março estão aí

Val Carvalho

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o Março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos e a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção

 

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

Val CarvalhoCada dia nos deparamos com um oceano de péssimas notícias para o país e o povo brasileiro. Por isso é bom sabermos que 84% dos brasileiros acham que o país “segue rumo errado”, como apurou recente pesquisa. Claro que nesse universo cabem todas as correntes ideológicas, do PT aos neofascistas de Bolsonaro. Mas importa é que o governo golpista não consegue base social, só mesmo apoio da oligarquia financeira e midiática.

Lula, ao lado das mulheres do MST, faz uma 'selfie' na abertura da manifestação
Lula, maior líder popular do país, tem sido o alvo da ultradireita

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos. E a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção, mas agora do governo Temer. Diante da evidente inviabilidade política de Temer, os protagonistas do golpe já se movimentam para substituí-lo. Por meio de um golpe dentro do golpe.

É o que ocorre com todos os golpes. E o golpe parlamentar-judicial-midiático contra Dilma também se afunda numa maior radicalização, em crescente ilegitimidade e mais violência contra as liberdades democráticas.

Março de luta

Alguns pensam na presidente do Supremo, Carmem Lúcia. Outros, na volta dos militares. Mas todas essas “alternativas” golpistas seriam para manter a mesma orientação ultraliberal, de arrocho dos trabalhadores e de entrega total do país ao capital estrangeiro.

O fato objetivo é que o golpe está se mostrando insustentável e a única saída já aceita até por setores da direita, como a Folha de S.Paulo, é a “volta da política”, o seja, eleições diretas. Mas caberá à força e unidade do movimento democrático e popular garantir que as eleições diretas não tenham veto a Lula, que sejam realmente livres e democráticas, caso contrário o impasse político vai continuar.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.

Lobista revela esquema corrupto nos governos de Serra e Alckmin

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

Paulo Preto, citado por Assad, atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra

 

Por Redação – de Curitiba e São Paulo

 

Acostumado a grandes produções, o empresário Adir Assad, 64, preso em Curitiba há oito meses, está prestes a promover um frenesi maior do que o show da banda inglesa U2, que trouxe ao Brasil em 2011. Atrás das grades desde agosto do ano passado, Assad concordou em falar aos investigadores da Operação Lava Jato, em um acordo de delação premiada.

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin
Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

No pedido feito ao juiz Sergio Moro, coordenador do processo, o promotor de eventos e lobista confesso prometeu detalhes sobre o repasse de cerca de R$ 100 milhões para Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Trata-se do ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), entre 2007 e 2010, época em que o hoje senador José Serra (PSDB-SP) era governador do Estado de São Paulo.

Paulo Preto atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra. Foi citado por empresários, durante as investigações, como coletor de propinas. Segundo Assad, o ex-diretor da Dersa reunia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Contratos fictícios

Assad também é suspeito de fraude milionária, com a emissão de notas frias para lavagem de dinheiro de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. Às autoridades, confessou ter usado empresas de fachada para lavar recursos destinados às obras na região metropolitana de São Paulo. Entre elas, o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo o lobista, nos contratos com Dersa, as empreiteiras subcontratavam suas empresas. O valor das notas frias era transformado em dinheiro vivo. Assim, as companhias podiam indicar quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Além da promessa feita aos investigadores, de revelar detalhes do esquema na Dersa, Assad propôs mapear o funcionamento do sistema financeiro paralelo das empreiteiras responsável por abastecer as contas de suas empresas. Em informações vazadas para a mídia conservadora, ele promete adiantar, em detalhes, como funcionava o esquema. Além de esmiuçar o modus operandi das firmas que movimentaram bilhões de reais em bancos. As operações ocorreram no Brasil e no exterior, sem prestar serviços ou manter funcionários ou sede fixa.

As respostas

Para o advogado criminalista Miguel Pereira Neto, contratado por Adir Assad, “não é de conhecimento da defesa técnica a existência da colaboração premiada”. O defensor negou ter sido firmado algum acordo de delação.

O senador José Serra (PSDB-SP) não quis se pronunciar.

Em nota, a Dersa afirmou que, em todos os empreendimentos mencionados, firmou contratos de obras “apenas com os consórcios executores que venceram as respectivas licitações” e não com as empresas de Assad. De acordo com a estatal, foi criado em 2011 um departamento de Auditoria Interna. Teriam implatado, ainda, um Código de Conduta Ética, “aprimorando a análise e a fiscalização dos contratos dos empreendimentos de modo permanente e organizado”.

“A Companhia não compactua com irregularidades. E se mantém pronta para colaborar com as autoridades no avanço das investigações”, diz a nota.

Por meio de sua assessoria, a Andrade Gutierrez, em nome do consórcio SVM, disse que não iria se manifestar.

Genocídio às nações indígenas

Maria Fernanda Arruda

Avá Uerá Arandú é um dos líderes indígenas do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. Doutorando em Antropologia no Museu Nacional da UFRJ, ele tem a voz que fica muito acima dos grunhidos dos matadores. Pessoas ricas, recrutadas pelas organizações ruralistas e por políticos

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Sob a égide de um governo tíbio, o Congresso Nacional pretende assumir a tarefa de demarcação das terras indígenas, o que em termos práticos significa entrega-las aos ruralistas, todos sabemos. Nos últimos meses, a ação de pistoleiros vai se multiplicando, animada por um Ministério omisso. Os abusos vão tomando todas as formas possíveis. Recentemente, a Agência Nacional de Petróleo lança pré-edital de licitação para exploração de petróleo em sete blocos próximos de 15 terras indígenas, sem qualquer consulta prévia à FUNAI.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Avá Uerá Arandú é um dos líderes do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. Doutorando em Antropologia no Museu Nacional da UFRJ, ele tem a voz que fica muito acima dos grunhidos dos matadores, que não são gente simples e nem mesmo jagunços. São pessoas ricas, recrutadas pelas organizações ruralistas e por políticos.

É o índio antropólogo que nos diz o que é obrigação nossa saber: “Há fontes consistentes e diversos documentos oficiais que comprovam essa história recente de compra e venda das terras indígenas, envolvendo no comércio dessas terras somente para a elite, a classe rica, políticos poderoso e os agentes dos governos. Os povos indígenas foram expulsos e dispersados. O Estado-Nação brasileiro doou e vendeu as terras indígenas: isso é uma imensa dívida histórica  no Mato Grosso do Sul”.

A política de genocídio do índio, praticada pelos bandidos brancos, é uma tradição profundamente arraigada entre nós. Os ruralistas brancos têm poder de dinheiro e político. Comandam a Polícia e a Justiça. Agora, são donos do Ministério da Agricultura e estão próximos de conseguir a “solução final”.

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil

Aécio Neves presta depoimento à PF na condição de suspeito

Aécio

Aécio Neves será ouvido sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas, pela primeira vez na condição de investigado sobre o escândalo de Furnas

 

Por Redação – de Brasília

 

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot pediu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG) seja ouvido, perante um escrivão, na Polícia Federal (PF). Também prestarão depoimento o ex-ministro José Dirceu, o senador cassado e delator Delcídio Amaral (sem partido-MS) e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.

Aécio
Em depoimento, Rocha disse que entregou R$ 300 mil, em 2013, a um diretor da UTC e que o pacote estaria destinado a Aécio Neves

Todos serão ouvidos sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas. Caso Mendes, relator do inquérito no STF, autorize a convocação, será a primeira vez que Aécio prestará depoimento, na condição de investigado, sobre o escândalo da companhia.

“Os elementos informativos já reunidos nos autos apontam para a verossimilhança dos fatos trazidos pelos colaboradores (uma suposta partilha de propina entre políticos) e denotam a necessidade de aprofundamento das investigações, notadamente quanto ao envolvimento de Dimas Fabiano Toledo (ex-diretor de Engenharia da estatal) no evento criminoso e a sua relação com o senador Aécio Neves”, escreveu Janot no pedido protocolado no STF na quinta-feira passada, dia 23.

Propina

Janot, no processo, requereu também a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. A investigação foi instaurada em maio do ano passado e já fora prorrogada por 60 dias em novembro último. As primeiras denúncias sobre corrupção em Furnas surgiram na CPI Mista dos Correios, em 2005, por meio do ex-deputado e delator do Mensalão Roberto Jefferson.

O procurador-geral pretende, ainda, esclarecer a versão apresentada pelo delator e lobista Fernando Horneaux de Moura. Ele disse ter sido informado por Dirceu, em 2003, do pedido de Aécio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que Toledo fosse mantido na diretoria da estatal.

Moura teria participado das discussões com o ex-ministro da Casa Civil e Pereira, ex-secretário-geral do PT, sobre o loteamento de cargos, incluindo as diretorias de estatais, como a Petrobras. Segundo Moura, Toledo foi comunicado da permanência no cargo, em 2003. Toledo então teria definido a partilha da propina: um terço para o PT nacional, um terço para o PT paulista e um terço para Aécio. O ex-diretor e Aécio rechaçam a versão. Em acareação, Moura manteve seu depoimento, e Toledo o acusa de “mentiroso”.

Tucano investigado

Em dezembro passado, o tucano depôs à PF em outro inquérito, no qual é investigado por supostamente atuar para “maquiar” dados da CPI que poderiam implicar tucanos. De todos os envolvidos no episódio, Dirceu, Pereira e Moura já foram denunciados na Lava Jato.

O inquérito contra Aécio foi aberto com base na delação de Delcídio. O senador cassado afirmou que “sem dúvida” o tucano teria recebido propina. O doleiro Alberto Youssef mencionou em sua delação premiada que Aécio dividia a diretoria de Furnas com o PP e teria recebido propina de cerca de R$ 4 milhões. Seu depoimento foi tomado em 2015, mas na época Janot considerou a versão baseada apenas no que ele teria ouvido dizer e arquivou a investigação contra o tucano. Posteriormente, o caso foi reaberto.

Nesse último requerimento, Janot escreveu que o inquérito apura influência do PSDB “na direção da empresa Furnas, juntamente com o Partido Progressista, no âmbito da qual recai a suspeita de pagamento de vantagens indevidas por empresas contratadas, a revelar possível participação de Aécio Neves em esquema de corrupção”.

‘Cair fora’

Moura, que cita Neves, teve seus benefícios cortados após mudar versão sobre sua saída do país, em 2005, auge do mensalão. Na delação, para atenuar sua pena, afirmou em agosto de 2015 que “resolveu se mudar para Paris após receber a ‘dica’ de José Dirceu para ‘cair fora'”.

Em audiência com o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, no processo em que também é réu, ele apresentou uma versão diferente: “Depois que eu assinei que eu fui ler. Eu disse que foi o Zé Dirceu que me orientou a isso. Não foi esse o caso. Eu saí porque saiu uma reportagem minha na Veja, em março de 2005″.

Moura admitiu depois aos procuradores que mentiu na segunda versão e segue colaborando com as investigações. Os outros depoimentos de sua colaboração não tiveram alterações e são usados pelos investigadores.

Polícia Federal

Toledo era funcionário de carreira em Furnas e atuou como diretor de Engenharia entre 1995 e 2005. Ele foi investigado em primeira instância a partir de 2005, quando a Polícia Federal no Rio instaurou um inquérito para apurar as denúncias de caixa 2 feitas por Jefferson.

Já o lobista Nilton Monteiro, um dos acusados de atuar no esquema, chegou apresentar lista com 156 políticos. Mas a PF não constatou, de imediato, sua veracidade.

Em 2012, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio apresentou denúncia contra 11 acusados de corrupção. Todos eles envolvidos em dois contratos de termelétricas – em Campos dos Goytacazes e São Gonçalo -, incluindo Jefferson e Toledo. Em março daquele ano, porém, a Justiça Federal entendeu que o caso deveria ser remetido para a Justiça Estadual. Quatro anos depois, o caso foi arquivado em primeira instância. Mas, em dezembro passado, o Ministério Público Estadual do Rio encaminhou a “lista de Furnas” para Janot.

O documento não é citado no pedido de prorrogação do inquérito contra Aécio, mas o procurador-geral pediu ao STF que sejam juntadas cópias da quebra de sigilo de Toledo, que tramitou em primeira instância na Justiça do Rio, além das investigações que foram realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União sobre Furnas na época.

As respostas

Aécio Neves afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que pedidos de prorrogação de prazo em procedimentos investigatórios são rotina. “A oitiva do senador, como é praxe, está prevista desde o início do procedimento”, diz nota de assessores à imprensa.

A nota acrescenta que as novas diligências não guardam relação com o senador. “Referem-se apenas à solicitação de cópias de documentos da empresa e oitivas de membros do PT”, afirma. Seus assessores dizem, ainda, que o senador “é o maior interessado na realização das investigações”.

“Seu aprofundamento provará a absoluta correção de seus atos”, acrescenta a nota dos assessores.

O advogado de Dimas Fabiano Toledo, Rogério Marcolini, por sua vez, divulgou nota nesta quarta-feira. O ex-diretor de Furnas já foi inquirido pela Polícia Federal “pelo menos meia dezena de vezes”, afirma, em dez anos. E que “sempre foi absolutamente coerente ao narrar os fatos como aconteceram”.

Depoimento

“O senhor Fernando Moura, nas poucas vezes em que foi ouvido, já emendou sua versão diversas vezes. Isso levou o juiz federal condutor da Lava Jato a pôr em dúvida a sinceridade de sua delação”, disse Marcolini. A acareação, de surpresa, foi a oportunidade para Toledo, novamente, reiterar seu testemunho”.

O criminalista Luis Alexandre Rassi, que defende Silvio Pereira, diz que ainda não conversou com seu cliente sobre o caso. Mas afirmou que a defesa vê com ressalva as versões de Moura. Ele cita “impropriedades no depoimento prestado por ele na ação penal em que Silvio responde na Lava Jato“. Os advogados de José Dirceu e Delcídio Amaral não foram localizados por repórteres que os procuravam.

Lula propõe plano econômico de emergência para o Brasil pós-Temer

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia

 

Por Redação – de São Paulo

 

Diante do cenário de terra arrasada na economia brasileira, na crise que se ampliou após a cassação da presidenta Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus principais assessores para dar início a um plano econômico de emergência para 2018. Lula tem chances reais de voltar à Presidência da República, segundo todas as pesquisas de opinião divulgadas no último mês.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de opinião, começa a estruturar um plano emergencial para o país sair da crise

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia. O petista pretende, agora, subir o tom da oposição contra as políticas do presidente de facto, Michel Temer. Em seus planos, está o lançamento do “programa nacional de emergência”, para o país sair da crise.

O ponto central da plataforma para 2018, caso haja eleições e o PT volte ao poder, será redução do desemprego. O Brasil amarga cerca de 13 milhões de desempregados. Segundo Lula, o quadro não será revertido sem crédito para a produção e o aumento no consumo das famílias.

Entre as propostas que Lula defende para debelar a crise está a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego. Pretende, ainda, reajustar em 20% o Bolsa Família e conceder aumento real do salário mínimo. Propõe, ainda, a correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual.

Lula e o PT não defendem mais a volta da presidenta Dilma. Mas a realização de eleições diretas, no prazo constitucional. Entre os colaboradores do plano econômico estão os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento na gestão passada.

Futuro do golpe de Estado repousa na decisão de ministro do Supremo

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

Se Mendes decidir colocar em pauta a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ele será cassado. O ministro Hermann Benjamin, relator do caso, já preparou seu voto

 

Por Redação – de Brasília

 

Dono dos piores índices de popularidade que um político brasileiro possa exibir, o presidente de facto, Michel Temer, está com seu futuro nas mãos da Justiça. Com oito ministros abatidos por escândalos de corrupção, hoje depende exclusivamente do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles
Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

Se Mendes decidir colocar em pauta a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ele será cassado.

O ministro Hermann Benjamin, relator do caso, já preparou seu voto. E “será duríssimo”, segundo informação vazada para a mídia conservadora..

Benjamin considera “um descalabro” a divisão da chapa Dilma-Temer – e lembra que não é essa a jurisprudência da corte.

Durante este carnaval, o grito de “Fora, Temer!” uniu os foliões, ao redor do país. Seja em Salvador, no Rio de Janeiro ou nos blocos de cidades como São Paulo e Belo Horizonte, o que não faltou foram protestos contra Temer.

Depois do Carnaval, Temer se tornará ainda mais frágil com a revelação das delações da Odebrecht.

Na fogueira

Na tentativa de escapar às barras dos tribunais, o presidente de facto acredita que o depoimento concedido, voluntariamente, pelo advogado José Yunes, seu melhor amigo, no âmbito da Operação Lava Jato coloca o chefe afastado da Casa Civil, Eliseu Padilha, na linha de fogo. Esta é a avaliação de quem acompanha o caso, segundo a mídia que apoia o golpe de Estado, em curso no Brasil.

De acordo com os fatos narrados por Yunes, o líder peemedebista teria apenas solicitado à Odebrecht as doações de campanha ao PMDB, em 2014. O que foi negociado depois disso, como a forma de entrega do dinheiro, se por dentro ou por fora, teria ficado sob a responsabilidade de Padilha.

Yunes contou ter recebido em seu escritório em São Paulo, a pedido de Padilha, “documentos” que depois soube ser dinheiro. “Envelopes” levados ao escritório por Lúcio Funaro teriam R$ 4 milhões, parte dos R$ 11 milhões solicitados por Temer. O montante foi depois retirado por um emissário de Padilha, segundo Yunes.

Temer e Maia preparam ‘revogação da Lei Áurea’ após o carnaval

MIchel Temer

Tão logo acabe a folia popular, o projeto de lei que libera a terceirização irrestrita de trabalhadores pelas empresas vai ser levado por Temer e Maia à votação na Câmara

 

Por Helena Sthephanowitz – de São Paulo

 

Enquanto os brasileiros se distraem com o carnaval, a partir desta sexta-feira (24), Michel Temer (PMDB-SP) estará articulando a abertura de mais um saco de maldades. O presidente cobrou agilidade e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu colocar em votação no plenário, tão logo acabe a folia popular, o projeto de lei – que tramita há quase 20 anos na Casa – que libera a terceirização irrestrita de trabalhadores pelas empresas. Visto pelas centrais sindicais como uma ofensa brutal aos direitos dos trabalhadores, o projeto tem como relator o deputado Laércio Oliveira (SD-SE) e chegou ao Congresso em 1998, ainda na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

MIchel Temer
Rodrigo Maia disse a um jornal que Michel Temer seria o nome natural a ser indicado em 2018

O PL-4330, do deputado e empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), abre as portas para a “gatunagem” nos direitos trabalhistas. Explico: num passado não muito distante, era prática usual entre latifundiários a contratação do “gato”, um intermediário que recrutava o pessoal para trabalhar em condições análogas à escravidão nas grandes lavouras. O “gato” fazia o serviço sujo. Prometia boas condições de trabalho e remuneração para os trabalhadores, que acabavam sendo explorados sob condições análogas à escravidão.

O truque era, quando flagrado submetendo trabalhadores a condições desumanas, o latifundiário livrar a própria cara colocando a culpa no “gato”, que em geral era um testa de ferro, um capataz, sem escrúpulos e sem capital para pagar indenizações. Atualmente, a legislação coíbe a prática: se o trabalho escravo é executado na empresa – seja um latifúndio, uma pequena propriedade, um comércio ou uma indústria – não importa se houve intermediários para subcontratar, porque o responsável é o dono do negócio. Essa é a interpretação da lei que vem sendo aplicada pela Justiça.

Agora, porém, o projeto que Temer e Maia tramam para votar a partir da semana que vem, de maneira similar à contratação de trabalhadores rurais por “gatos”, transfere a empresas “prestadoras de serviços” toda a responsabilidade social pela contratação dos terceirizados que ficarão à disposição das contratantes. Ou seja, assim como o “gato” era quem respondia na Justiça do Trabalho por eventuais flagrantes de exploração do trabalhador, sem implicar o latifundiário mandante, agora os empresários poderão se safar de processos trabalhistas alegando que terceirizaram a contratação de mão de obra, que assim terá sido explorada não por eles, mas pelas prestadoras de serviços.

Mais que isso, com o PL da terceirização um banco como o Itaú, por exemplo, pode demitir todos os seus funcionários bancários – que são a única categoria profissional do país que conquistou uma convenção coletiva nacional – e subcontratar empresas terceirizadas para fornecer a mão de obra. Se essa empresa for picareta e der o cano no trabalhador – o que é um caso recorrente no setor, basta consultar os dados da Justiça do Trabalho – será ela, a empresa picareta que será processando, ficando o bancão livre de qualquer responsabilidade, apesar de o funcionário ter trabalhado o tempo todo no banco.

Isso sem contar o enfraquecimento dos trabalhadores na hora de negociar salários, piso salarial, benefícios, participação nos lucros, condições de trabalho etc., já que não mais contarão com a proteção aos seus direitos conquistados pela organização e mobilização em torno de seus sindicatos. Vai ser trabalhar quieto e aguentar calado.

Trata-se praticamente da revogação da Lei Áurea.

E até o FMI é contra

Um estudo publicado no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional – que todos sabem que é uma instituição ortodoxa e conservadora – no ano passado é devastador para desmontar os argumentos neoliberais dos defensores da terceirização irrestrita da mão de obra, como são os bilionários donos da Globo e dos políticos empresários, abrigados sob siglas como o PSDB, PMDB, DEM, PP e tantos outros.

O relatório coloca em xeque a terceirização ilimitada, recomenda criar impostos sobre grandes fortunas, combater a sonegação, e demonstra que concentração de renda prejudica o crescimento econômico.

O estudo avaliou os impactos nos países mais ricos e considerado desenvolvidos e tirou algumas conclusões:

1. Cada 1% de crescimento na renda dos 20% mais pobres provoca 0,38% de crescimento econômico (isso em países já desenvolvidos, mas o índice é bem maior nos países em desenvolvimento);

2. Por outro lado, cada 1% de crescimento na renda dos 20% mais ricos provoca diminuição do crescimento econômico em 0,08%;
3. A perda de direitos trabalhistas, como a que resulta da terceirização, e o enfraquecimento dos sindicatos, levou o abismo entre ricos e pobres no mundo atingir “seu nível mais alto em décadas”;

4. Mais flexibilidade nas regras de contratação e demissão, salários mínimos mais baixos e sindicatos menos poderosos estão associados a uma maior desigualdade;

5. Uma melhor distribuição da riqueza poderia ser obtida por maior taxação sobre o patrimônio, caso de um imposto sobre grandes fortunas;

6. Reforço da luta contra a sonegação fiscal contribui decisivamente para melhorar a distribuição de renda e para o crescimento econômico;

7. Avanços tecnológicos aplicados nos locais de trabalho também causam concentração de renda, ao impactarem, principalmente, os trabalhadores de escolaridade baixa. Logo, exigem mecanismos de compensação para quem lucra mais com tais inovações. Por exemplo, contribuir para a inclusão produtiva daqueles que perdem empregos e para a viabilização de pequenos negócios, como forma de absorver os trabalhadores que tiveram seus empregos sacrificados;

8. A crise mundial iniciada em 2008 reforçou a desigualdade, com lobistas do mercado financeiro impedindo maior regulação do setor;
9. Os 1% mais ricos ficam com cerca de 10% do total da renda das economias avançadas (no Brasil, apesar da melhoria nos últimos anos, os 10% mais ricos ainda ficavam com 41,7% da renda nacional em 2013);

10. A renda dos 10% mais ricos é de cerca de nove vezes maior do que a renda dos 10% mais pobres.

Embora o documento não represente uma posição oficial do FMI, sua divulgação pelo órgão mostra que não dá mais para tapar o sol com a peneira, diante do crescente aumento da desigualdade nos países desenvolvidos, tendo a terceirização irrestrita como uma de suas principais causadoras.

O documento foi elogiado pela ONG Oxfam: “O FMI prova que tornar os ricos mais ricos não é bom para o crescimento”, salientou o diretor da organização em Washington, Nicolas Mombrial.

Helena Sthephanowitz é jornalista, colunista do site de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Renúncia de Serra esconde preocupação com Lava Jato, dizem analistas

Serra e Temer estão envolvidos em esquema de propina na Petrobras, segundo delação premiada

Serra é acusado pela Odebrecht, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, de ter recebido R$ 23 milhões em propina na Suíça

 

Por Redação – de Brasília

 

Ocupante do Ministério das Relações Exteriores, o senador José Serra (PSDB-SP) teria mais motivos do que alegou para deixar o posto, na noite passada. Primeiro tucano a integrar a equipe do presidente de facto, Michel Temer, Serra alegou motivos de saúde na carta em que pediu sua exoneração.

Serra e Temer estão envolvidos em esquema de propina na Petrobras, segundo delação premiada
Serra e Temer estão envolvidos em esquema de propina na Petrobras, segundo delação premiada

“Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler”, diz ele.

Segundo o tucano, o tempo para sua recuperação, de acordo com os médicos, é de quatro meses. “Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe”, afirma. Mas analistas políticos discordam.

Serra é acusado por executivos da construtora Norberto Odebrecht, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Ele teria recebido R$ 23 milhões em propina, na Suíça.

Outras razões

Há, ainda, partidários da tese de que o tucano fora deixado de lado nas decisões políticas, principalmente no foro econômico. Eles se somam àqueles que presumem a existência de outros motivos para deixar o Itamaraty. A crescente impopularidade do chefe imediato, Michel Temer, teria pesado na decisão do parlamentar.

Serra ainda alimenta expectativas de concorrer, novamente, à Presidência da República. Seguir na companhia de Temer, disseram alguns de seus correligionários à reportagem do Correio do Brasil, seria um desgaste ainda maior à sua imagem pública.

Vigora, ainda, a versão de que a Lava Jato aproxima-se cada vez mais do cerne político do Palácio do Planalto. E estaria por causar estragos irreversíveis no governo Temer. Mesmo a hipótese de cassação da chapa Dilma-Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também teria pesado na despedida de Serra.