Estados prometem acionar Justiça contra decreto de Donald Trump

Procuradores-gerais de estados como Washington e Nova York afirmam que novo veto migratório fere Constituição. Medida, que entra em vigor na próxima semana, barra entrada de refugiados e cidadãos de países muçulmanos

Por Redação, com DW – de Washington:

Anunciada há três dias, a nova ordem executiva anti-imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para enfrentar processos na Justiça de diferentes estados do país.

"Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal", diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson
“Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal”, diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson

Washington, Oregon, Nova York e Massachusetts anunciaram na quinta que entrarão com ações contra o decreto, que proíbe a entrada em território norte-americano de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. O Havaí já havia anunciado que questionaria o veto na quarta-feira.

– Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal – declarou o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson. Em entrevista coletiva. “Você não pode usar o Twitter para escapar desta. Isso não funciona no tribunal”. Acrescentou ele, dirigindo-se ao presidente norte-americano.

Veto a muçulmanos

Em comunicado, o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, classificou a ordem executiva como “um veto a muçulmanos, mas com outro nome”, que, segundo ele, impõe políticas e protocolos que ferem a Constituição dos Estados Unidos, assim como o decreto original de janeiro.

Assinada na segunda-feira passada, a nova medida entra em vigor em 16 de março. Por 90 dias, estarão proibidos de entrar nos EUA cidadãos de Irã, Somália, Iêmen, Líbia, Síria e Sudão. A ordem executiva também suspende o programa de amparo a refugiados de qualquer país durante 120 dias.

O primeiro veto migratório foi emitido por Trump em 27 de janeiro e suspenso pela Justiça uma semana mais tarde, após um processo dos estados de Washington e Minnesota. A medida foi seguida por protestos em todo o país, gerou caos nos aeroportos e foi alvo de críticas de líderes mundias.

Os procuradores-gerais de Washington, Oregon e Nova York, os três governados por democratas, defendem que a liminar que suspendeu o primeiro decreto deveria valer também para a nova medida.

Pilotos prometem torcida a Massa no GP Brasil, mas não ajuda

Felipe Massa já admitiu que vai precisar de muita sorte no Grande Prêmio do Brasil, no domingo, para superar Lewis Hamilton e ficar com o título da Fórmula 1, e sabe que de seus colegas não poderá esperar muito na pista, a não ser a torcida.

Hamilton está sete pontos à frente de Massa na classificação geral e precisa apenas terminar em quinto para ficar com o troféu, independentemente do resultado do brasileiro na prova.

Segundo Massa, a idéia é conseguir uma dobradinha da Ferrari e aí ver qual foi o resultado de seu adversário na McLaren. Depois de ceder a vitória no ano passado no Brasil para que seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, garantisse o título, ele pode pelo menos esperar o mesmo comportamento dele no domingo.

– A toda hora, em toda corrida, me perguntam se vou ajudar o Felipe. É algo que vou fazer pela equipe e não estou interessado no que vão achar. Só podemos tentar uma dobradinha, e aí depende da Ferrari. O Felipe não tem nada a perder, não depende de nós. A McLaren tem mais a perder que nós, e precisamos de um pouco de sorte – afirmou Raikkonen em entrevista na quinta-feira.

Pelo menos do bicampeão mundial Fernando Alonso Massa pode esperar uma torcida incisiva. Depois de uma temporada complicada na McLaren em que se desentendeu com a equipe e ainda teve que enfrentar a ascensão de Hamilton, no ano passado, o espanhol não esconde para quem vai torcer.

– O Felipe só tem que pensar em vencer a corrida, e esperar por um pequeno milagre. Não vejo nenhuma possibilidade de alguém bater no Felipe ou no Hamilton. Espero que a corrida seja bastante limpa – afirmou o piloto da Renault, completando em seguida ao ser questionado para quem torceria: “Sempre vou preferir qualquer time que não a McLaren.”

Favorito

Entre os pilotos brasileiros, ninguém quer fazer apostas sobre o campeão. O único consenso é que Massa é o favorito para vencer a corrida, o que não significa ficar com o título.

– Acho que qualquer coisa é possível. Felipe fez um trabalho muito bom neste ano e se eu tivesse que apostar sobre quem venceria a corrida, acho que Felipe tem mais chance de vencer. Mas Lewis também estará muito forte e basicamente terá que andar com calma durante todo o fim de semana – afirmou Nelsinho Piquet, da Renault, que preferiu não tomar partido nessa disputa.

Tanto ele quanto Rubens Barrichello, da Honda, descartaram qualquer tipo de ‘jogo sujo’ para prejudicar as chances de Hamilton.

– Acho que ele (Massa) pode me ajudar com alguma força para o meu carro. Infelizmente acho que não posso ajudá-lo muito. Imaginem se eu fizesse algo contra Lewis, será que Felipe ficaria feliz com isso? Ele seria o campeão merecido? Eu acho que não – afirmou Barrichello.

O piloto da Honda, entretanto, aprova a atitude de Massa, de tentar tirar um pouco a pressão de seus ombros.

– Não acho que ele tenha que pensar no campeonato, ele tem que correr como em qualquer outra prova. O Felipe está meio que tirando o peso das costas achando que é impossível e acho que é válido nessa hora não ser tão otimista – disse ele, admitindo entretanto que é difícil ver a história se repetir. “Duas vezes a Ferrari tirar sete pontos acho meio difícil.”

No ano passado, Raikkonen também estava sete pontos atrás de Hamilton quando a Fórmula 1 chegou à etapa final, e o finlandês da Ferrari acabou conseguindo tirar a diferença para impedir que o piloto da McLaren fosse o primeiro a conquistar o título em seu ano de estréia.

A corrida de domingo marcará a 25ª vez em que o título de pilotos será decidido na última prova da temporada. Em 15 delas, o piloto que liderava antes da prova foi corado campeão.

Policiais civis de todo Brasil prometem paralisação

A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) vai fazer uma paralisação nacional por duas horas, no próximo dia 29, em apoio à greve dos policiais civis em São Paulo. De acordo com a Adepol, a paralisação terá início às 14 horas.

Na última quinta-feira, os policiais civis paulistas que estão em greve há mais de um mês, entraram em confronto com policiais militares próximo ao Estádio do Morumbi, na zona sul de São Paulo. A intenção dos policiais civis era fazer uma passeata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Entretanto, as ruas ao redor do Palácio foram bloqueadas pelos policiais militares, já que a área é considerada de segurança e é proibido fazer manifestações no local. Os manifestantes tentaram furar o bloqueio dos policiais militares e prosseguir com a passeata, mas foram contidos com bombas de gás lacrimogênio. Na confusão, os policiais trocaram tiros com balas de borracha e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Na tarde desta sexta-feira, os policiais civis devem se reunir com as centrais sindicais para discutir sobre os rumos da greve no estado. Ontem, o governador José Serra criticou o movimento grevista, dizendo a uma rede de televisão que a manifestação tinha intenções políticas e sindicais, principalmente às vésperas do segundo turno das eleições municipais. Antes do confronto, o governador já havia reiterado à imprensa que só negociaria o reajuste salarial com os policiais civis quando a greve tivesse fim.

Também ontem, a Força Sindical enviou nota repudiando o posicionamento do governador e dizendo que é “intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta”. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também criticou o governo afirmando que o “autoritarismo, a falta de diálogo, o desrespeito, a truculência fascista e a irresponsabilidade criminosa” promoveram uma guerra.

EUA elogiam Musharraf e prometem apoio ao Paquistão

Os Estados Unidos elogiaram na segunda-feira o presidente demissionário do Paquistão, Pervez Musharraf, e prometeram manter uma boa relação com o novo governo, inclusive na cooperação contra o terrorismo.

– O presidente [George W.] Bush aprecia os esforços do presidente Musharraf na transição democrática do Paquistão e também o seu compromisso na luta contra a Al Qaeda e grupos extremistas – disse o porta-voz presidencial Gordon Johndroe no Texas, onde Bush tem uma fazenda.

Quase nove anos depois do golpe militar que o levou ao poder, Musharraf renunciou na segunda-feira para evitar o impeachment. Durante o seu governo, o Paquistão recebeu bilhões de dólares dos EUA para o combate ao terror.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, opositor de Musharraf, visitou a Casa Branca em julho e garantiu ao governo que manteria a vigilância contra a Al Qaeda e o Taliban na fronteira com o Afeganistão.

Johndroe disse que os EUA estão “confiantes em manter uma boa relação com o governo do Paquistão”, enquanto a secretária de Estado Condoleezza Rice elogiou Musharraf pela “escolha crítica” de aderir à luta contra o radicalismo islâmico. “Por isso, ele tem nossa profunda gratidão”, declarou ela.

Os candidatos à sucessão de Bush disseram esperar que a saída de Musharraf leve à estabilização política do Paquistão.

– A política dos EUA deve se focar em garantir que todos os elementos do governo do Paquistão seja resolutos na interdição dos santuários da Al Qaeda e Taliban – disse o democrata Barack Obama.

O republicano John McCain disse que “o Paquistão é um teatro critico na contenção da ameaça da Al Qaeda e do extremismo islâmico violento, e estou ansioso para o governo aumentar sua futura cooperação”.

As especulações sobre a queda de Musharraf vinham crescendo desde fevereiro, quando o partido da falecida ex-primeira-ministra Benazir Bhutto venceu a eleição parlamentar. No começo desse mês, o novo governo anunciou a intenção de realizar o impeachment dele.

Em novembro de 2007, o secretário-adjunto de Estado John Negroponte disse ao Congresso dos EUA que Musharraf era um aliado “indispensável” na guerra contra o terrorismo.

Questionado sobre como ficam os EUA agora, Robert Wood, porta-voz do Departamento de Estado, declarou: “A guerra contra o terrorismo é maior do que qualquer pessoa individualmente”.

Johndroe disse que Bush não fala com Musharraf desde o anúncio da renúncia e que não houve discussões sobre a concessão de asilo nos EUA para o ex-general.

Para a especialista Teresita Schaffer, diretora do Programa do Sul da Ásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, a coalizão governista paquistanesa têm algumas prioridades em comum com os EUA – especialmente o controle da insurgência interna.

– Para os EUA, pode-se argumentar que a maior prioridade seria o controle da fronteira entre Paquistão e Afeganistão. Mas ambos [fronteira e segurança interna] andam juntos – disse.

Ela acha também que a coalizão governista tem apoio do Exército, pois sem isso “provavelmente Musharraf não teria renunciado”.