Dirigente do COI acusado de receber propina deixa cargo nos Jogos de 2024

Fredericks, ex-corredor olímpico da Namíbia, negou ter cometido qualquer irregularidade e disse que estava deixando o cargo para não ser uma distração devido à investigação

Por Redação, com Reuters – de Berlim:

O membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) Frank Fredericks renunciou nesta terça-feira ao cargo de chefe da comissão de avaliação dos Jogos de 2024 após a abertura de uma investigação sobre dinheiro que teria recebido de um consultor de marketing acusado de envolvimento em uma série de escândalos, inclusive uma suspeita de compra de voto do Rio de Janeiro na disputa pelos Jogos de 2016.

Membro do COI Frank Fredericks simula uma largada em estádio de Madri
Membro do COI Frank Fredericks simula uma largada em estádio de Madri

Fredericks, ex-corredor olímpico da Namíbia. Ele negou ter cometido qualquer irregularidade. E disse que estava deixando o cargo para não ser uma distração devido à investigação. Na segunda-feira ele já havia renunciado a seu posto como integrante da força-tarefa da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf).

Como chefe da comissão de avaliação do COI. Fredericks seria o líder das visitas de inspeção às cidades candidatas Los Angeles e Paris, nas próximas semanas. E apresentaria um relatório ao COI antes da votação para a escolha da sed de 2024, em setembro.

Jogos de 2016

Na semana passada, o jornal francês Le Monde envolveu Fredericks em uma denúncia de compra de voto do Rio na eleição de 2009 em que a cidade foi escolhida como sede dos Jogos de 2016.

Segundo o jornal, ele teria recebido quase US$ 300 mil de Papa Massata Diack. Que por sua vez teria recebido pagamento de US$ 1,5 milhão de um empresário brasileiro dias antes da eleição da sede olímpica.

Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Iaaf e ex-membro do COI Lamine Diack. Ele foi banido pela federação de atletismo no ano passado devido a acusações de corrupção. Lamine Diack. Por sua vez, está atualmente aguardando julgamento na França por acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Delatores entregam Temer na ação que determina a perda do mandato

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília

 

Ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho negocia uma redução na pena. Na delação premiada, em curso, Melo Filho confirmou ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin que o presidente de facto, Michel Temer, negociava propina com a empreiteira. Ele participou da reunião no Palácio do Jaburu e solicitou a Marcelo Odebrecht doações para o PMDB, na campanha de 2014.

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina
Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

O ex-executivo confirmou todas as informações passadas no acordo com a Justiça. O depoimento foi prestado no âmbito da ação que investiga abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014, que poderá levar à cassação do mandato de Temer e dos direitos políticos da presidenta deposta Dilma Rousseff.

Jantar no Jaburu

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

— Eu participei de um jantar no Palácio do Jaburu, juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014 — disse o ex-diretor, perante o magistrado.

Em depoimento à Justiça Eleitoral na semana passada, Marcelo Odebrecht disse não se recordar de Temer ter falado ou pedido R$ 10 milhões diretamente. Mas o herdeiro da empreiteira confirmou o jantar no Palácio do Jaburu. E disse que o encontro era sobre tratativas para as doações ao PMDB nas eleições de 2014. Mas disse que não houve pedido expresso de valores por Temer.

Segundo Odebrecht, o encontro serviria para confirmar que parte da doação ao partido seria destinada à campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O pagamento foi acertado, segundo Marcelo, entre Cláudio Melo e Eliseu Padilha. De acordo com Marcelo Odebrecht, o acerto do valor foi feito depois da saída de Temer do local.

Via Eliseu

Ainda em seu relato para os procuradores da Lava Jato, Melo Filho relatou que parte dos pagamentos solicitados, cerca de R$ 4 milhões, “foram realizados via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do Sr. José Yunes”, amigo de Temer e ex-assessor Especial da Presidência da República. Segundo o delator, os outros R$ 6 milhões pedidos por Temer teriam sido “alocados o Sr. Paulo Skaff”, ex-candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

Sobre Padilha e o também ministro Moreira Franco, Melo Filho contou na sua colaboração que se valia dos dois peemedebistas para fazer chegar a Temer os interesses da empreiteira. Segundo afirmou, era de conhecimento de todos que Temer, historicamente, era o líder do grupo político do PMDB da Câmara.

— Resumindo, para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha — delatou Melo Filho.

Também prestaram depoimentos ao TSE, ao longo do dia, até as altas horas da noite desta segunda-feira os executivos Hilberto Mascarenhas e Alexandrino Alencar. Mascarenhas foi chefe do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o Departamento de Propina da companhia. Ele processava e efetuava os pagamentos da contabilidade paralela. Já Alencar também foi diretor de relações institucionais da Odebrecht e vice-presidente da Braskem.

Novas acusações

O empreiteiro Marcelo Odebrecht não foi o único a declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Eliseu Padilha, atualmente licenciado do cargo de ministro-chefe da Casa Civil, era operador financeiro do presidente Michel Temer. Em novembro do ano passado, Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse ao TSE que a empreiteira acertou com Padilha o repasse de R$ 1 milhão para Temer na campanha de 2014.

A informação foi prestada no segundo depoimento de Azevedo ao tribunal. No primeiro, realizado em setembro, ele afirmara que o dinheiro tinha sido destinado a Dilma, a cabeça da chapa, e era na verdade uma propina lavada na forma de doação legal.

Em resposta, a defesa da presidenta deposta comprovou, com a apresentação de dados bancários, que o valor irrigou a conta aberta por Temer na condição de candidato a vice-presidente. Desmentido nos autos, Azevedo pediu para depor novamente. Foi quando mudou completamente sua versão, para declarar que o dinheiro foi destinado a Temer. E, ao contrário do que dissera, nada tinha a ver com propina.

Azevedo disse ao ministro Herman Benjamin que combinou a doação diretamente com Temer, em uma outra reunião no Palácio do Jaburu. Depois, seguindo o modus operandi da quadrilha, tratou com Padilha a forma de pagar a fatura.

– E aí o senhor disse que comunicou à assessoria do vice-presidente? — perguntou o advogado Flávio Caetano, da defesa de Dilma no TSE.
– Isso, respondeu Azevedo
– Quem era a pessoa?, insistiu Caetano
– Padilha

Depoimento de Azevedo

Em 2014, Temer usou a mesma estratégia para pedir dinheiro às empreiteiras. Um de seus homens de confiança procurava as empresas. Depois, levava os executivos para uma reunião com o então vice-presidente. O acordo para o repasse de recursos era sempre sacramentado pessoalmente com Temer. Foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha que levou Otávio Azevedo ao Jaburu.

Na semana passada, Marcelo Odebrecht disse ao TSE que acertou previamente com Padilha a liberação de 10 milhões para o grupo político de Temer, antes de se encontrar pessoalmente com o peemedebista no Palácio do Jaburu. O depoimento de Marcelo complica mais a situação jurídica de Temer do que o de Azevedo.

Primeiro, porque ele reconheceu que a Odebrecht repassou dinheiro ao grupo de Temer por fora, um “extra” que nada tinha a ver com a doação legal da empreiteira ao PMDB, que foi de 11,3 milhões de reais em 2014. Segundo, porque, conforme Marcelo Odebrecht, Padilha sabia de antemão que o “extra” sairia de uma fonte clandestina de recursos

Temer e a OAS

As declarações reforçam os indícios de que a chapa Dilma e Temer usou dinheiro sujo para vencer a última sucessão presidencial.

Em 2014, Temer também recebeu uma doação legal de R$ 5 milhões da construtora OAS. O valor foi repassado depois de ele se encontrar, no Jaburu, com Léo Pinheiro, preso pela Lava-Jato. Em mensagens telefônicas interceptadas pela operação, Pinheiro dá a entender a Cunha que o dinheiro foi transferido em troca do empenho do PMDB na defesa dos interesses da OAS, concessionário do aeroporto de Guarulhos.

Na época da transação, Moreira Franco, braço direito de Temer, era o ministro da Secretaria de Aviação Civil.

As respostas

A defesa de Michel Temer não foi encontrada para comentar o caso.

O chefe afastado da Casa Civil Eliseu Padilha também não comentou as delações em que é citado. Apenas justificou, a jornalistas, o elevado número de viagens em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele falou à Comissão de Ética Pública da Presidência, que investiga o caso, alegando medida de segurança.

Padilha disse ter deixado de usar avião de carreira depois que os xingamentos ao governo aumentaram de tom.

Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

Aécio Neves pediu e Odebrecht pagou propina milionária, diz BJ

Aécio tem mostrado uma outra face, depois do riso no canto da boca, nos confrontos com a presidenta Dilma Rousseff

Os recursos pedidos por Aécio Neves, segundo BJ, foram divididos por outras campanhas eleitorais. Entre elas, a do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que atuou como relator do golpe de Estado, no Senado

 

Por Redação – de Brasília e Curitiba

 

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB foi, novamente, citado como corrupto em um inquérito na Polícia Federal. Desta vez, o delator foi Benedicto Júnior, segundo executivo mais importante da empreiteira Norberto Odebrecht. Em depoimento nesta tarde, BJ, como é conhecido, disse que Aécio lhe pediu R$ 9 milhões em dinheiro de propina, nas eleições de 2014.

Aécio tem mostrado uma outra face, depois do riso no canto da boca, nos confrontos com a presidenta Dilma Rousseff
Aécio Neves mostra uma outra face, de caráter golpista e de apoio às forças mais retrógradas

Os recursos, segundo BJ, foram divididos por outras campanhas eleitorais. Entre elas, a do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que atuou como relator do golpe de Estado, no Senado. Ainda, para Pimenta da Veiga, derrotado na disputa pelo governo de Minas, e Dimas Toledo Fabiano Júnior, filho do notório Dimas Toledo, nomeado por indicação de Aécio na estatal Furnas S.A, com a missão desviar recursos públicos.

A ação no TSE, que teve início após Neves não aceitar a derrota na disputa presidencial de 2014, agora se volta contra ele. Segundo BJ, uma parte do dinheiro foi também para Paulo Vasconcelos, marqueteiro pessoal de Aécio.

Nesta quinta-feira, o TSE também cobrou explicações de Aécio sobre os pagamentos via caixa dois recebidos da Andrade Gutierrez. Na quarta-feira de Cinzas, o procurador-geral Rodrigo Janot pediu que ele seja ouvido pelos desvios de Furnas.

Mulher inocente

Marcelo Odebrecht, superior imediato de BJ, disse que Dilma Rousseff, ao contrário de Neves, nunca pediu dinheiro à empreiteira. Em seu depoimento no processo sobre a cassação da chapa Dilma-Temer, o Odebrecht foi questionado três vezes. Os procuradores perguntaram se, em alguma oportunidade, a presidenta cassada lhe pediu alguma doação de campanha.

— Não, não e não — disse Marcelo.

Segundo fonte que teve acesso ao depoimento e conversou com jornalista de um diário conservador do Rio de Janeiro, com Michel Temer, no entanto, “as coisas foram bem diferentes”.

“Na condição de vice-presidente da República e presidente do PMDB, que tinha sete ministérios na administração Dilma, ele organizou um jantar, em pleno Palácio do Jaburu, para arrancar doações da Odebrecht. Os R$ 11,3 milhões foram entregues em dinheiro no escritório de seu melhor amigo, José Yunes, que disse ter sido ‘mula’ de Eliseu Padilha, ministro licenciado da Casa Civil”, diz o jornal.

Ou seja: por mais que tentem distorcer a realidade, o depoimento de Marcelo Odebrecht comprova que o Brasil executou o golpe dos corruptos contra uma mulher honesta.

Confirmado

Deputado estadual, Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta sexta-feira, que as revelações de BJ, de que o tucano mineiro pediu, e recebeu, R$ 9 milhões em caixa dois para campanhas do PSDB. Isso, afirma, comprova sua ligação com Furnas. 

— Esqueceram de combinar o jogo com o vice-presidente da Odebrecht. Ele colocou claramente, mais uma vez, que Aécio Neves recebeu propina. E uma parte dela era para o filho de Dimas Toledo. Aquele da lista de Furnas, que já denuncio há anos. Isso mostra que, realmente, Aécio Neves tem rabo preso com Dimas Toledo e com as falcatruas de Furnas — afirmou a jornalistas.

Ainda segundo Correia, ”agora parece que a blindagem vai acabar”.

— Mas só tem um jeito de acabarmos com a suruba geral. Essa que esse governo golpista do Temer com o PSDB está fazendo com o Brasil. É o povo na rua — concluiu.

Aécio Neves presta depoimento à PF na condição de suspeito

Aécio

Aécio Neves será ouvido sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas, pela primeira vez na condição de investigado sobre o escândalo de Furnas

 

Por Redação – de Brasília

 

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot pediu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG) seja ouvido, perante um escrivão, na Polícia Federal (PF). Também prestarão depoimento o ex-ministro José Dirceu, o senador cassado e delator Delcídio Amaral (sem partido-MS) e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.

Aécio
Em depoimento, Rocha disse que entregou R$ 300 mil, em 2013, a um diretor da UTC e que o pacote estaria destinado a Aécio Neves

Todos serão ouvidos sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas. Caso Mendes, relator do inquérito no STF, autorize a convocação, será a primeira vez que Aécio prestará depoimento, na condição de investigado, sobre o escândalo da companhia.

“Os elementos informativos já reunidos nos autos apontam para a verossimilhança dos fatos trazidos pelos colaboradores (uma suposta partilha de propina entre políticos) e denotam a necessidade de aprofundamento das investigações, notadamente quanto ao envolvimento de Dimas Fabiano Toledo (ex-diretor de Engenharia da estatal) no evento criminoso e a sua relação com o senador Aécio Neves”, escreveu Janot no pedido protocolado no STF na quinta-feira passada, dia 23.

Propina

Janot, no processo, requereu também a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. A investigação foi instaurada em maio do ano passado e já fora prorrogada por 60 dias em novembro último. As primeiras denúncias sobre corrupção em Furnas surgiram na CPI Mista dos Correios, em 2005, por meio do ex-deputado e delator do Mensalão Roberto Jefferson.

O procurador-geral pretende, ainda, esclarecer a versão apresentada pelo delator e lobista Fernando Horneaux de Moura. Ele disse ter sido informado por Dirceu, em 2003, do pedido de Aécio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que Toledo fosse mantido na diretoria da estatal.

Moura teria participado das discussões com o ex-ministro da Casa Civil e Pereira, ex-secretário-geral do PT, sobre o loteamento de cargos, incluindo as diretorias de estatais, como a Petrobras. Segundo Moura, Toledo foi comunicado da permanência no cargo, em 2003. Toledo então teria definido a partilha da propina: um terço para o PT nacional, um terço para o PT paulista e um terço para Aécio. O ex-diretor e Aécio rechaçam a versão. Em acareação, Moura manteve seu depoimento, e Toledo o acusa de “mentiroso”.

Tucano investigado

Em dezembro passado, o tucano depôs à PF em outro inquérito, no qual é investigado por supostamente atuar para “maquiar” dados da CPI que poderiam implicar tucanos. De todos os envolvidos no episódio, Dirceu, Pereira e Moura já foram denunciados na Lava Jato.

O inquérito contra Aécio foi aberto com base na delação de Delcídio. O senador cassado afirmou que “sem dúvida” o tucano teria recebido propina. O doleiro Alberto Youssef mencionou em sua delação premiada que Aécio dividia a diretoria de Furnas com o PP e teria recebido propina de cerca de R$ 4 milhões. Seu depoimento foi tomado em 2015, mas na época Janot considerou a versão baseada apenas no que ele teria ouvido dizer e arquivou a investigação contra o tucano. Posteriormente, o caso foi reaberto.

Nesse último requerimento, Janot escreveu que o inquérito apura influência do PSDB “na direção da empresa Furnas, juntamente com o Partido Progressista, no âmbito da qual recai a suspeita de pagamento de vantagens indevidas por empresas contratadas, a revelar possível participação de Aécio Neves em esquema de corrupção”.

‘Cair fora’

Moura, que cita Neves, teve seus benefícios cortados após mudar versão sobre sua saída do país, em 2005, auge do mensalão. Na delação, para atenuar sua pena, afirmou em agosto de 2015 que “resolveu se mudar para Paris após receber a ‘dica’ de José Dirceu para ‘cair fora'”.

Em audiência com o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, no processo em que também é réu, ele apresentou uma versão diferente: “Depois que eu assinei que eu fui ler. Eu disse que foi o Zé Dirceu que me orientou a isso. Não foi esse o caso. Eu saí porque saiu uma reportagem minha na Veja, em março de 2005″.

Moura admitiu depois aos procuradores que mentiu na segunda versão e segue colaborando com as investigações. Os outros depoimentos de sua colaboração não tiveram alterações e são usados pelos investigadores.

Polícia Federal

Toledo era funcionário de carreira em Furnas e atuou como diretor de Engenharia entre 1995 e 2005. Ele foi investigado em primeira instância a partir de 2005, quando a Polícia Federal no Rio instaurou um inquérito para apurar as denúncias de caixa 2 feitas por Jefferson.

Já o lobista Nilton Monteiro, um dos acusados de atuar no esquema, chegou apresentar lista com 156 políticos. Mas a PF não constatou, de imediato, sua veracidade.

Em 2012, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio apresentou denúncia contra 11 acusados de corrupção. Todos eles envolvidos em dois contratos de termelétricas – em Campos dos Goytacazes e São Gonçalo -, incluindo Jefferson e Toledo. Em março daquele ano, porém, a Justiça Federal entendeu que o caso deveria ser remetido para a Justiça Estadual. Quatro anos depois, o caso foi arquivado em primeira instância. Mas, em dezembro passado, o Ministério Público Estadual do Rio encaminhou a “lista de Furnas” para Janot.

O documento não é citado no pedido de prorrogação do inquérito contra Aécio, mas o procurador-geral pediu ao STF que sejam juntadas cópias da quebra de sigilo de Toledo, que tramitou em primeira instância na Justiça do Rio, além das investigações que foram realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União sobre Furnas na época.

As respostas

Aécio Neves afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que pedidos de prorrogação de prazo em procedimentos investigatórios são rotina. “A oitiva do senador, como é praxe, está prevista desde o início do procedimento”, diz nota de assessores à imprensa.

A nota acrescenta que as novas diligências não guardam relação com o senador. “Referem-se apenas à solicitação de cópias de documentos da empresa e oitivas de membros do PT”, afirma. Seus assessores dizem, ainda, que o senador “é o maior interessado na realização das investigações”.

“Seu aprofundamento provará a absoluta correção de seus atos”, acrescenta a nota dos assessores.

O advogado de Dimas Fabiano Toledo, Rogério Marcolini, por sua vez, divulgou nota nesta quarta-feira. O ex-diretor de Furnas já foi inquirido pela Polícia Federal “pelo menos meia dezena de vezes”, afirma, em dez anos. E que “sempre foi absolutamente coerente ao narrar os fatos como aconteceram”.

Depoimento

“O senhor Fernando Moura, nas poucas vezes em que foi ouvido, já emendou sua versão diversas vezes. Isso levou o juiz federal condutor da Lava Jato a pôr em dúvida a sinceridade de sua delação”, disse Marcolini. A acareação, de surpresa, foi a oportunidade para Toledo, novamente, reiterar seu testemunho”.

O criminalista Luis Alexandre Rassi, que defende Silvio Pereira, diz que ainda não conversou com seu cliente sobre o caso. Mas afirmou que a defesa vê com ressalva as versões de Moura. Ele cita “impropriedades no depoimento prestado por ele na ação penal em que Silvio responde na Lava Jato“. Os advogados de José Dirceu e Delcídio Amaral não foram localizados por repórteres que os procuravam.

Líder da oposição na Venezuela recebia propina da Odebrecht, investiga MP

Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht

Em 15 de fevereiro, a Justiça da Venezuela, que ora investiga Caprilles, congelou as contas bancárias e os ativos da Odebrecht no país

 

Por Redação, com agências internacionais – de Caracas

 

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Henrique Capriles foi denunciado ao Ministério Público daquele país sob suspeita de ter movimentado US$ 3 milhões em propinas da empreiteira brasileira Odebrecht. Uma vez confirmada a denúncia, poderá ser preso a qualquer momento.

Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht
Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht

O suspeito foi recebido em Brasília, de forma efusiva no início deste ano, por um grupo de senadores. Entre eles o candidato derrotado em 2014 ao Palácio do Planalto Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano também é citado nas delações premiadas do grupo empresarial, que o registrou sob o codinome ‘Mineirinho’.

— Estamos pedindo que a Procuradoria ordene uma medida cautelar para alienar e onerar os bens que sejam propriedade do sr. Capriles, provenientes do delito, e que seja declarada medida privativa de liberdade — afirmou o político chavista Luis Tellerías. Tellerías apresentou a denúncia em nome da ONG Frente Anticorrupção, da qual é presidente.

Em 15 de fevereiro, a Procuradoria informou que a Justiça venezuelana congelou as contas bancárias e os ativos da Odebrecht no país, depois do escândalo de propinas da empreiteira envolvendo funcionários do governo em vários países da América Latina.

Odebrecht na Venezuela

Capriles, que governa Miranda desde novembro de 2008, nega irregularidades. Ele tenta escapar. Assegura que as contratações com a Odebrecht foram feitas durante a gestão de Diosdado Cabello (2004-2008), hoje deputado e um dos líderes do chavismo.

Em janeiro, o Ministério Público anunciou que solicitou à Interpol uma ordem de captura contra uma pessoa, que não foi identificada.
Sem mencionar o nome de Capriles, o presidente Nicolás Maduro disse que “há um governador envolvido” que poderia ir preso.

— Já no Brasil é feita uma investigação. E foi ordenado a um banco suíço que entregue os movimentos sobre os depósitos da Odebrecht a Capriles — afirmou Tellerías.

Há duas semanas, o governo venezuelano prendeu dois jornalistas brasileiros que investigavam denúncias de propina da Odebrecht no país. Eles foram liberados um dia depois.

Intenção da PGR de investigar Padilha tende a manter seu afastamento

Eliseu Padilha

Ao Ministério Público, Yunes disse que serviu de “mula” (intermediário, no jargão do submundo) para que Padilha viabilizasse o recebimento de um pacote de dinheiro em seu escritório

 

Por Redação – de Brasília e Porto Alegre

 

Chefe afastado da Casa Civil, o ex-deputado Eliseu Padilha deverá efetuar uma tentativa de voltar ao cargo, dentro de mais alguns dias, na tentativa de manter o foro privilegiado. Mas, talvez, não tenha essa oportunidade. Sua permanência no cargo fica cada vez mais difícil, após a Procuradoria Geral da República deixar vazar, para a mídia conservadora, a intenção de investigá-lo. Padilha foi citado no depoimento do empresário José Yunes, melhor amigo do presidente de facto, Michel Temer.

Eliseu Padilha
Eliseu Padilha, afastado da Casa Civil, disse que iria se submeter a uma cirurgia na próstata

Ao Ministério Público, Yunes disse que serviu de “mula” (intermediário, no jargão do submundo) para que Padilha viabilizasse o recebimento de um pacote de dinheiro em seu escritório, entregue pelo doleiro Lúcio Funaro. Apenas algumas horas depois de Yunes falar à imprensa, o chefe da Casa Civil pediu licença do cargo. Irá se submeter a uma cirurgia na próstata, como justificou sua viagem, na quarta-feira, a Porto Alegre.

Padilha mora na capital gaúcha, onde deverá passar, neste fim de semana, pela intervenção cirúrgica. Assessores Planalto, falando na condição de anonimato a um dos diários conservadores paulistanos, dizem que ele prolongará a licença. Em tese, ele retornaria a Brasília no dia 6 de março.

O pagamento de dinheiro da Odebrecht para Michel Temer foi entregue no escritório de José Yunes. Esta versão consta também na delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho. 

Retirada de Padilha coloca Temer a um passo da queda para Lava Jato

Padilha

Yunes, que chegou a ser assessor especial da Presidência da República, foi citado na delação premiada de Claudio Melo Filho, da Odebrecht, e forçado a deixar o cargo. Ele foi citado porque R$ 4 milhões dos R$ 11 milhões pedidos por Temer à Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Principal capataz do presidente de facto, Michel Temer, na chefia da Casa Civil, o ex-deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) está afastado do governo. O tiro que o abateu partiu de onde ele jamais esperaria. Melhor amigo de Temer, o empresário José Yunes o delatou para a Polícia Federal (PF). E fez pior. Confessou sua participação no tráfico de propina à revista semanal de ultradireita Veja, porta-voz do grupo Abril que, junto com os demais veículos conservadores de comunicação sustentam o golpe de Estado, em curso no país.

Padilha
Padilha deixa o governo sob a suspeita de participar de um esquema de distribuição de propina para a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara

Yunes disse à revista que foi usado como “mula” de Padilha. Com o pleno conhecimento de Temer. “Mula” é um jargão do submundo das drogas. O termo se refere ao indivíduo que, conscientemente ou não, transporta droga em seu corpo, geralmente para outros países.

Yunes, que chegou a ser assessor especial da Presidência da República, foi citado na delação premiada de Claudio Melo Filho, da Odebrecht, e forçado a deixar o cargo. Ele foi citado porque R$ 4 milhões dos R$ 11 milhões pedidos por Temer à Odebrecht, em pleno Palácio do Jaburu, teriam sido entregues em seu escritório de advocacia. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira.

Padilha envolvido

Com a entrevista deste fim de semana, Yunes tenta se livrar da cadeia e transfere a responsabilidade para Eliseu Padilha. Compete, agora, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se for o caso, denunciar Padlha e impedir seu retorno à equipe de Temer. Eliseu Padilha pediu licença do cargo, alegando motivos de saúde. Teria que operar a próstata.

Aos jornalistas, Yunes afirmou que Temer, a quem trata como seu “melhor amigo”, tem conhecimento de que ele foi usado como “mula” por Padilha. Na entrevista, Yunes disse ter recebido Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido de Padilha. No encontro, Funaro lhe contou que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados.

— Contei tudo ao presidente, em 2014. O meu amigo Temer sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre. Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o ‘currículo’ dele. Nunca havia conhecido o Funaro — disse Yunes.

Versão dos fatos

Yunes acrescenta que Funaro articulava uma estratégia para eleger uma bancada fiel a Cunha, na eleição à presidência da Câmara.

— Ele me disse: ‘A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo ser presidente’. Perguntei: ‘Que Eduardo?’. Ele respondeu: ‘Eduardo Cunha’ — afirmou.

Yunes decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, da propina de R$ 11 milhões acertada com Temer. Ao todo, foram R$ 4 milhões entregues no escritório de Yunes. Por isso mesmo, ele se antecipou e procurou também o Ministério Público para dar sua versão dos fatos.

Tais recursos foram acertados num jantar entre Michel Temer e Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, em 2014, com a presença de Padilha. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira e ajudou a bancar a eleição de Cunha para a Câmara. Uma vez eleito presidente, Cunha passou a sabotar o governo da presidenta deposta Dilma Rousseff (PT) e aceitou o pedido de impeachment, sem crime de responsabilidade, abrindo espaço para o golpe de Estado que levou Temer ao poder.

Em apuros

Além de Temer, delatado por seu “melhor amigo” José Yunes, seu sucessor direto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também está em situação ainda mais delicada. Maia foi delatado, nesta manhã, por Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia, segundo aquela mesma revista.

Em seu acordo, Cavendish afirmou que Maia recebeu R$ 3 milhões como contrapartida pelas obras da construtora no Engenhão – contrato obtido quando seu pai, Cesar Maia, era prefeito do Rio de Janeiro. O empreiteiro afirmou, ainda, que Maia levou ainda outros R$ 500 mil.

Primeiro homem na linha de sucessão presidencial, Maia também aparece nas delações da Odebrecht, como o “Botafogo”, e da OAS.
Delatado, ele se enfraquece para conduzir reformas impopulares, como a da Previdência, que pode deixar 70% dos brasileiros sem aposentadoria, segundo um estudo do Dieese. Maia ainda não se pronunciou sobre a denúncia feita por Cavendish.

PF apura pagamento de propina nas obras de Belo Monte

Entre os alvos da operação estão os principais envolvidos em um esquema de repasse de valores ao filho de um senador e um ex-senador

Por Redação, com ABr e Reuters  – de Brasília:

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em investigação ligada à Lava Jato contra Marcio Lobão, filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), e o ex-senador Luiz Otávio Campos (PMDB-PA), disse uma fonte com conhecimento da operação.

A investigação apura o pagamento de propina a dois partidos políticos, no percentual de 1% sobre as obras civis da Hidrelétrica de Belo Monte
A investigação apura o pagamento de propina a dois partidos políticos, no percentual de 1% sobre as obras civis da Hidrelétrica de Belo Monte

Entre os alvos da operação estão os principais envolvidos em um esquema de repasse de valores ao filho de um senador e um ex-senador.

A investigação apura o pagamento de propina a dois partidos políticos. No percentual de 1% sobre as obras civis da Hidrelétrica de Belo Monte. Por parte das empresas integrantes do consórcio construtor.

Edson Lobão foi recentemente eleito presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O colegiado é responsável por sabatinar indicados ao STF. Caso do ministro licenciado da Justiça Alexandre de Moraes. Os nomeados para chefiar a Procuradoria-Geral da República, responsável por pedir aberturas de inquéritos e oferecer denúncias contra parlamentares.

– Entre os alvos da operação estão os principais envolvidos no esquema de repasse de valores aos agentes políticos, que seriam o filho de um senador da República e um ex-senador ligado ao mesmo grupo político – disse a Polícia Federal.

– Os investigados, na medida de suas participações, poderão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como relator da Lava Jato no Supremo, cabe a Fachin autorizar operações contra parlamentares e ministros, que têm prerrogativa de foro junto ao STF.

Mandados de busca

Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro (RJ), em Belém (PA) e Brasília (DF). Nas residências e escritórios de trabalho dos investigados. Eles poderão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a PF, o nome da operação faz referência à obra O Leviatã. Nela, o filósofo político Thomas Hobbes afirmou que o “homem é o lobo do homem”. Comparando o Estado a um ser humano artificial criado para sua própria defesa e proteção. Pois se continuasse vivendo em Estado de Natureza, guiado apenas por seus instintos, não alcançaria a paz social.

Procurado pela Interpol, ex-presidente do Peru vai embarcar tranquilamente para Israel

Segundo a fonte, que pediu anonimato, não está claro por que os Estados Unidos não quiseram prender o ex-presidente do Peru

 

Por Redação, com Reuters – de Los Angeles, EUA

 

Autoridades norte-americanas informaram ao Peru que vão permitir que o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que está sendo procurado, embarque em um avião da Califórnia com destino a Israel, nas próximas horas, segundo afirmou uma fonte do Ministério do Interior à agência inglesa de notícias Reuters. Toledo é alvo de uma ordem de de prisão no Peru devido a investigações sobre corrupção.

Ex-presidente do Peru, Toledo teria fugido com mais de US$ 20 milhões em propina recebida da Odebrecht
Ex-presidente do Peru, Toledo teria fugido com mais de US$ 20 milhões em propina recebida da Odebrecht

Segundo a fonte, que pediu anonimato, não está claro por que os Estados Unidos não quiseram prender o ex-presidente. A fonte afirmou ainda que o governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski estava pressionando para que os EUA mudassem de opinião. O ex-presidente havia reservado voo de San Francisco a Tel Aviv, acrescentou a fonte.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não respondeude imediato aos pedidos de comentários sobre o caso. O Peru ofereceu recompensa de US$ 30 mil por qualquer informação que possa levar à prisão de Toledo. Também informou que a Interpol emitiu alerta vermelho a 190 países membros para ajudar a encontrá-lo.

Toledo governou o Peru entre 2001 e 2006. Ele é acusado de receber pagamento ilícito da Odebrecht, estimado em US$ 20 milhões. Teria recebido a propina em troca da concessão de trechos da rodovia interoceânica.