As esquerdas e algumas pedras no caminho

Maria Fernanda Arruda

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Os estragos que os golpistas escravagistas, entreguistas e higienistas fazem no tardio Estado de Bem Estar Social, que vínhamos experimentando sua construção desde a promulgação de nossa Constituição Cidadã, de 1988. É importante mexer em nossas memórias, tivemos mais de 11 milhões de brasileiros assinando as emendas populares, que obrigou o Estado implantar Políticas Públicas, tais como: SUS; SUAS; ECA; Combate ao Racismo; a tímida Reforma Agrária entre outras.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas. Claro que faltaram algumas Políticas Estruturantes, como: a demarcação das Terras dos Povos Originários (índios é expressão do colonizadores); Reforma Tributária Progressiva; Regulamentação da Mídia ; Auditoria da Dívida Pública.

Disputa

Essas políticas e muitas outras não foram frutos só dos governos Lula/Dilma, foram e são frutos das lutas históricas, provavelmente passando desde a invasão dos colonizadores, dos mais de 380 anos do escravagismo, das inúmeras formas de resistencia pela Democracia profunda do Estado, desprivatizando e/ou desparticularizando o Estado apropriado por grupos que o dominam já alguns séculos.

Nossa preocupação é com segmentos da esquerda que cultivam uma saída do atual momento pela via única: Lula em 2018. Tenho clareza de sua importância histórica. E de fazer essa disputa, sem deixar de ficarmos alerta, se ocorrer um adiantamento das eleições do próximo ano.

É que, da forma proposta, essa devoção e responsabilidade à “São Lula” desconsidera os estragos que golpistas estão fazendo no aparato legal. Será que teremos uma mudança significativa na representação do Congresso Nacional?

Militantes

Chamo para refletir quem está nessa direção. Podemos levar parcelas de militantes ativos e/ou vias de a se transformar em expectadores das mudanças, quando o que mais necessitamos é de militantes protagonistas ativos. 

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

Política externa: o PSDB e o rinoceronte

FHC insistiu em elogiar a indefensável passagem do ex-ministro José Serra no Itamaraty, durante a qual promoveu o enterro da política tradicional brasileira

Por Flávio Aguiar – de Berlim:

Seria patético, não fosse coisa de pateta. FHC (o que sobrou do professor Fernando Henrique Cardoso, o Príncipe da Sociologia que se tornou o Barão de Higienópolis) tentou defender pela imprensa a gestão de José Serra no Itamaraty. É o mesmo que elogiar o rinoceronte depois da sua passagem pela loja de porcelana.

Serra (esq) introduziu um estilo cheio de gafes, além de reduzir o Brasil a um zero à esquerda na diplomacia mundial. Aloyzio, também truculento, é o sucessor
Serra (esq) introduziu um estilo cheio de gafes, além de reduzir o Brasil a um zero à esquerda na diplomacia mundial. Aloyzio, também truculento, é o sucessor

O aparelhamento do Itamaraty pelo PSDB, dentro da política de distribuição de prebendas e sinecuras de Michel Temer. É a pior coisa que aconteceu para a política externa brasileira desde a Independência. E até desde antes, os tempos de Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madri, de 1750 (embora este tivesse consequências funestas para as Missões Jesuíticas do Rio Grande do Sul).

José Serra promoveu o enterro da política tradicional brasileira, de sublinhar a negociação em detrimento da agressão. Coisa definida profissionalmente pelo estilo consagrado de Rio Branco. O Brasil teve políticas diplomáticas mais agressivas. Mas em tempos caracterizados por campanhas de ocupação, consequências de guerras declaradas ou não. Como foi o caso dos conflitos em torno do Rio da Prata e depois da chamada Guerra do Paraguai.

Teve ainda outros pontos de conflito, como no caso do Acre. Mas que terminaram na mesa de negociação. Ainda durante a ascensão do nazi-fascismo na Europa, diplomatas brasileiros se comportaram de maneira vergonhosa. Favorecendo a perseguição dos judeus. Mas outros se comportaram de modo mais digno, facilitando sua fuga.

Nem mesmo durante a ditadura o Brasil foi tão belicoso do ponto de vista diplomático – embora apoiasse golpes e ditaduras em seu entorno, e o governo brasileiro fizesse uma campanha sibilina para que dom Helder Câmara não ganhasse o Nobel da Paz, que acabou sendo atribuído a Willy Brandt (não que este não o merecesse) em 1971.

Cheio de gafes

José Serra introduziu um estilo cheio de gafes, como o de fazer piada de mau gosto sobre o alto número de mulheres na política mexicana, prever a vitória de Hillary Clinton, agredir os vizinhos cujos governos fossem de esquerda, além de reduzir o Brasil a um zero à esquerda na diplomacia mundial. O Itamaraty sob intervenção periga tornar-se um apêndice do Departamento de Estado norte-americano.

Agora este estilo é reconsagrado por Aloysio Nunes, o ex-companheiro Mateus dos tempos da ALN, que já partiu para a agressão ao governo venezuelano, com mais ares de pitbull do que de rinoceronte.

Está certo que o campo da diplomacia internacional está longe de ser uma loja de porcelanas. Nem por isso é um quartel de divisões de artilharia.

Personalidades

Porém seria injusto atribuir esta inoperância diplomática apenas às personalidades de ambos os chanceleres. Não. Ela se deve também ao mundo mental que impera no PSDB, anacrônico, herdeiro contumaz dos efeitos da Guerra Fria no nosso continente, crente fanático na dependência dos centros hegemônicos da política ocidental, como se estes centros ainda fossem hoje os governos de Washington, Londres, Paris, e não osmoguls financeiros assentados em Wall Street, na City londrina – a bolsa de Paris está fora de moda, e o poder na Europa se divide, em Frankfurt, entre o Banco Central Europeu e o Alemão.

Paradoxalmente, correm ecos de que a intervenção do PSDB no Itamaraty provocou um  certo alívio entre os diplomatas de carreira, mesmo aqueles que seriam simpáticos a esta guinada para o anacronismo. O motivo desta sensação seria a percepção de que para o Itamaraty profissional seria mais danoso ter que assumir diretamente a responsabilidade pela política externa de um governo tão pífio quanto o de Temer, que está reduzindo o prestígio internacional do Brasil a uma cifra mais negativa do que o seu PIB.

Flávio Aguiar é colaborador em Berlim e traz análises nada convencionais sobre o que acontece na Europa e no mundo.

Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

Aécio Neves volta a ser investigado por suspeita de corrupção em Minas Gerais

Aécio

O suposto pagamento de propina a Aécio Neves, na obra, porém, consta na delação premiada de outros executivos da Odebrecht. A peça processual foi homologada no STF, no início deste mês

 

Por Redação – de Belo Horizonte

 

Após ser citado nas delações premiadas de réus na Operação Lava Jato, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG) está diante de mais um complicador. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais segue adiante na investigação das suspeitas de fraude em licitações nas obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais. Trata-se do projeto mais caro na gestão do tucano naquele Estado, entre 2003 e 2010.

Propina em Minas

O inquérito civil público foi aberto em setembro do ano passado após denúncia do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Ele citou, em delação premiada na Lava Jato, o suposto pagamento de propina de 3% do valor do empreendimento. O custo da obra chegou a impressionantes R$ 1,2 bilhão, um dos metros quadrados de construção mais caros do país. Um dos principais auxiliares do então governador Aécio Neves, o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho seria o ponto de ligação entre o tucano e a propina.

Aécio Neves é, mais uma vez, citado como corrupto por delator à Polícia Federal
Aécio Neves é, mais uma vez, citado como corrupto por delator à Polícia Federal

O inquérito aponta para ‘supostas irregularidades referentes às obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais, consistentes no pagamento de vantagem indevida pela empresa OAS, uma das participantes de um dos consórcios responsáveis pelo empreendimento, a Oswaldo Borges da Costa Filho, então presidente da Codemig, órgão estatal que realizou o correspondente procedimento licitatório’.

Obra cara

A delação de Léo Pinheiro, porém, foi suspensa pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no ano passado após o empreiteiro – condenado a 26 anos por corrupção e lavagem de dinheiro – citar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, como receptador de dinheiro sujo.


O possível pagamento de propina a Aécio Neves, na obra, porém, consta na delação premiada de outros executivos da Odebrecht.

A peça processual foi homologada no STF, no início deste mês. A PGR, segundo nota de colunistas, na internet, tende a instaurar um novo inquérito contra Aécio Neves, na Suprema Corte, para investigar se recebeu, ou não, dinheiro público desviado das obras na Cidade Administrativa.

Todos citados

Ao mesmo tempo, o Ministério Público de Minas Gerais também apura o episódio envolvendo a licitação do complexo administrativo. Este mesmo conjunto de edifícios já foi alvo de outro inquérito em 2007, quando foi lançada a licitação. Na época, o consórcio formado pela Construcap (CCPS) – Engenharia e Comércio S/A e a Convap Engenharia S/A. A Construtora Ferreira Guedes S/A, que também participou do certame, entrou com uma representação no Ministério Público, questionando o procedimento licitatório da Codemig,

Todos os membros integrantes da comissão especial responsável do órgão pela obra foram citados no processo.

PSDB lança ‘jogo da memória’ sobre petistas e apaga era FHC

Aécio Neves sofreu uma queda brusca nas pesquisas

Na internet, onde o jogo pode ser acessado, sobram críticas ao PT. A diversão do PSDB é apontar as falhas na legenda que comandou o país por 13 anos e deixou um legado que “faz mal para o Brasil”, diz o manual de instruções

 

Por Redação – de São Paulo

 

O PSDB lançou, nesta quarta-feira, uma espécie de ‘jogo da memória’ sobre a era petista. A brincadeira, no entanto, apaga integralmente a herança do líder tucano Fernando Henrique Cardoso. A inflação, o desemprego, a venda de ativos públicos a preço irrisório e os episódios de corrupção nos oito anos de gestão do PSDB não são levados em conta.

Aécio Neves sofreu uma queda brusca nas pesquisas
Neves queria ser diplomado no lugar da presidenta Dilma

Na internet, onde o jogo pode ser acessado, sobram críticas ao PT. A diversão é apontar as falhas na legenda que comandou o país por 13 anos e deixou um legado que “faz mal para o Brasil”, diz o manual de instruções.

De olho em 2018, o partido tucano tem investido em comunicações que reforçam a necessidade de o Brasil “superar” o período de administração petista. Reforça o apoio ao governo do presidente de facto, Michel Temer (PMDB), de olho nas próximas eleições presidenciais.

Em artigo publicado na segunda-feira, o presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves (MG), escreveu que o ano de 2017 representa a hipótese “um recomeço” após “a tormenta” da crise que gerou milhões de desempregados.

PSDB sem memória

O jogo, que recebeu o nome de “Legado do PT – Para Nunca Mais ser Esquecido” foi lançado em uma página temática dentro do site do PSDB. Ao acessar, o internauta se depara com uma imagem dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e com oito peças para encontrar as imagens em comum.

Na abertura do site, o PSDB apresenta o jogo afirmando que “o governo petista foi marcado por escândalos de corrupção e incompetência”. As imagens que compõe o jogo são acompanhadas com textos que apontam rombo R$ 300 bilhões nas contas públicas, caos na saúde, segurança e educação, 12 milhões de desempregados, cinco mil obras paradas em todo o País, além de outros “legados”.

Ao completar o jogo da memória, o PSDB parabeniza o jogador e diz que “o que está em jogo é o futuro do País”, afirmando que o Partido dos Trabalhadores causou um mal que não pode ser esquecido. “Agora que você já reforçou a sua memória, compartilhe o jogo com seus amigos. Quanto mais gente jogar, mais gente vai lembrar!”, finaliza o texto.

Acordo entre Aécio e Serra será bombardeado por Alckmin

Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições

O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) pretende apoiar o colega de bancada José Serra na disputa ao governo de São Paulo. Neves foi reeleito, em uma decisão polêmica da legenda. Alckmin considerou a medida uma “expulsão branca”

 

Por Redação – de São Paulo

Após deixar claras as suas críticas à reeleição do senador tucano mineiro Aécio neves na Presidência do PSDB, o governador paulista, Geraldo Alckmin, prepara o troco. Na disputa interna tucana, pretende bombardear o também senador José Serra (PSDB-SP) para sua sucessão, em São Paulo. Aécio Neves, apesar das negativas, fez um acordo para que Serra seja candidato ao governo, em 2018. Alckmin, segundo analistas ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, deverá apoiar o vice-governador, Márcio França (PSB-SP). Há, ainda, a possível decisão de deixar o ninho tucano e concorrer à Presidência da República na legenda socialista.

Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições
Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições

Na véspera, assessores de Alckmin disseram a jornalistas que ele considerou a medida uma “expulsão branca”. Usou, ainda, o termo “golpe branco” para descrever o que considera uma tentativa de forçá-lo a deixar o ninho tucano. O governador alimenta esperança de seguir adiante com a candidatura à Presidência, em 2018. O endereço mais provável, segundo apurou o CdB, é o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O posto de presidenciável tucano é disputado tacitamente pelo governador paulista, de um lado, e Aécio e o ministro José Serra, de outro. A presidência do PSDB torna-se decisiva na liberação do processo interno de escolha do candidato. Com a prorrogação por um ano, Aécio estará no comando durante o ano pré-eleitoral.

Adversários

Um aliado de Alckmin usou o termo “revolta” para descrever a reação no Palácio dos Bandeirantes. Outro interlocutor do governador chegou a comparar, junto à mídia conservadora, a articulação àquela que tentou fazer do vereador Andrea Matarazzo, então no PSDB, hoje no PSD, candidato a prefeito de São Paulo.

O nome preferido de Alckmin era o do empresário João Doria, que acabou sendo escolhido e eleito. A decisão do eleitor, ainda no primeiro turno, tornou-se um ativo político para o governador. Com o fortalecimento de Alckmin, Serra e Aécio, até então adversários, foram levados a uma aproximaçaão.

Há cerca de duas semanas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se opôs à articulação. Concordou em manter Aécio no comando. Serra, por sua vez, declarou-se também favorável à reeleição.

Derrota

Em reunião, nesta quinta-feira, a executiva do PSDB decidiu pela prorrogação por 20 votos a 2. “Podiam ter falado ‘todo mundo a favor’ e não ficava como derrota do Alckmin”, comentou um tucano.

Na análise de um assessor, a tendência é que aliados de Alckmin façam a crítica pública ao PSDB, enquanto o próprio delimitará sua diferença em relação à cúpula do partido e ao governo Michel Temer (PMDB), apoiado por ela.

— Gosto do Aécio, mas não se deve mudar a regra do jogo com a partida em andamento — afirmou o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa paulista e aliado de Alckmin. Capez está envolvido no inquérito que investiga desvio milionário na merenda escolar, conhecido como ‘Escândalo da Merenda’, no Estado de São Paulo.

Alckmin deixa para trás Aécio Neves e Serra na corrida a 2018

Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições

Alckmin já estava bem posicionado na disputa interna. Antes mesmo do segundo turno, graças à eleição de seu afilhado político João Doria. Ele foi eleito prefeito de São Paulo já no primeiro turno, no início do mês

 

Por Eduardo Simões/Reuters – de São Paulo

A derrota do candidato do PSDB em Belo Horizonte, neste domingo, confirmou a dianteira do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O tucano paulista superou o senador Aécio Neves (MG) na disputa interna com vistas à candidatura presidencial em 2018. Mas ainda há batalhas a serem travadas no ninho tucano para definir o vencedor desta contenda.

Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições
Serra, Aécio e Alckmin, juntos, é uma cena cada vez mais improvável nas próximas eleições

Alckmin já estava bem posicionado na disputa interna. Antes mesmo do segundo turno, graças à eleição de seu afilhado político João Doria. Ele foi eleito prefeito de São Paulo já no primeiro turno, no início do mês. A derrota de João Leite, candidato de Aécio, para Alexandre Kalil (PHS) no reduto eleitoral do senador mineiro, fortaleceu ainda mais a posição do governador paulista.

Ainda é cedo, no entanto, para os correligionários de Alckmin cantarem vitória sobre os partidários de Aécio. Ainda há muito a ser percorrido na corrida pela candidatura tucana ao Palácio do Planalto.

“Acho que é claro que o Aécio vai ter que pagar um pênalti complicado” por causa da derrota em Belo Horizonte, disse o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Candidato tucano

“O Alckmin sai fortalecido, mas não sai vitorioso. Foi um round, mas essa batalha ainda não terminou”, acrescentou Melo. Ele lembra que ainda há pela frente a disputa pela liderança da bancada de deputados tucanos em Brasília. Além da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados no início de 2017. E a escolha do novo presidente do PSDB, também no ano que vem.

O comando partidário é atualmente exercido por Aécio. Embora pelas regras do partido ele não possa disputar um novo mandato, busca um aliado na presidência da legenda. Assim, terá influência importante na escolha do presidenciável tucano. E até mesmo em uma eventual prévia, poderá enfrentar Alckmin pelo direito de ser o candidato do PSDB ao Planalto.

“Aécio perder em casa é simbolicamente ruim, mas a casa não decide, o que decide é o nacional. E ele ainda é forte nacionalmente”, disse Melo.

Prefeito eleito de Porto Alegre, o deputado federal tucano Nelson Marchezan Jr. é um nome próximo de Aécio e teve o apoio do senador. Além disso, Alckmin ainda tem o desafio de nacionalizar seu nome, já que disputou a Presidência há 10 anos. Na época, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu por grande margem no segundo turno.

Aécio, candidato em 2014, perdeu para a petista Dilma Rousseff em Minas Gerais. Mas travou a disputa mais acirrada desde a redemocratização. “O pessoal do Alckmin vai para cima com tudo do Aécio na disputa pela liderança da bancada. E na disputa pela presidência do partido”, previu Melo.

Divisão

Nesse cenário, existe uma boa chance de, uma vez mais, o PSDB ir para a disputa nacional daqui a dois anos rachado.
Especula-se no meio político até mesmo a possibilidade de Alckmin trocar de partido para disputar a Presidência caso não consiga se viabilizar internamente dentro do PSDB. Um dos caminhos apontados é o PSB, partido do vice-governador paulista, Márcio França.

“Não é de se rejeitar totalmente essa possibilidade”, disse o cientista político da Unicamp Roberto Romano. “Meu palpite é de que o PSDB vai disputar a eleição presidencial mais uma vez fraturado”, disse.

Com um racha à frente ou não, o PSDB foi o grande vencedor da disputa municipal deste ano, elegendo sete prefeitos de capitais, cinco somente neste domingo.

Este desempenho, somado à boa performance no total dos municípios e nas cidades com mais de 200 mil eleitores deverá ser um ativo significativo para o candidato do partido à Presidência em 2018.

“Quem quer que seja o candidato, vai ter muito apoio nas bases, o que é muito importante”, disse Romano.
Além disso, como costumam lembrar analistas e estrategistas políticos, eleger um grande número de prefeitos costuma ser um bom indicativo para as eleições das bancadas federais dois anos depois.

Fim de um ciclo

O PMDB, partido do presidente Michel Temer, já havia garantido no primeiro turno a manutenção do posto que historicamente ocupa na política brasileira: o de partido com maior número de prefeituras. A legenda encerra o pleito municipal de 2016 com quatro prefeitos de capitais eleitos.

“É um partido que nem perde muito, nem avança”, disse Romano, da Unicamp. “Vai continuar sendo uma potência partidária.”

Já o segundo turno da eleição municipal, por outro lado, consolidou o desastre eleitoral do PT, partido que foi um dos principais protagonistas na cena política nas últimas décadas e que tem vivido um pesadelo recentemente, com lideranças importantes presas pela operação Lava Jato e a maior delas, Lula, também no alvo dos procuradores.

Os petistas perderam a única capital em que disputaram o segundo turno, Recife, e também saíram derrotados nas outras seis cidades em que tiveram candidatos neste domingo. No primeiro turno, a única capital conquistada pelo PT foi Rio Branco, no Acre.

Melo, do Insper, resumiu a situação do PT de forma muito sucinta: “é o fim de um ciclo”.

Voto conservador cresce em todo país à sombra do golpe de direita

Ex-presidente Lula (PT) e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB)

O brilho da vitória da direita, no entanto, ofuscou-se no número recorde de eleitores que se recusou, simplesmente, a votar em qualquer dos candidatos. A decepção ficou mais agravada em relação ao Partido dos Trabalhadores (PT)

 

Por Redação – de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo

 

O PSDB, principal representante da direita nacional, sai das urnas na qualidade de o grande vencedor do segundo turno. Os resultados confirmam o desempenho mostrado na primeira rodada de votação e garantindo uma forte liderança nas capitais do país. O brilho da vitória, no entanto, ofuscou-se no número recorde de votos nulos, em branco, e nas abstenções. A decepção ficou mais agravada em relação ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Ex-presidente Lula (PT) e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB)
Ex-presidente Lula (PT) perdeu espaço político para o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP)

A boa performance tucana ocorreu numa eleição que desmentiu os prognósticos de uma grande renovação, ainda que novidades tenham surgido. Depois de ter conquistado a maior cidade do país no início do mês, o PSDB foi adiante. João Doria venceu em São Paulo, no primeiro turno. E, neste domingo, passaram a administrar cidades do porte de Porto Alegre, Belém, Maceió, Manaus e Porto Velho. A legenda já havia ganhado também em Teresina no dia 2. Os candidatos tucanos foram derrotados, no entanto, em Cuiabá, Campo Grande e Belo Horizonte.

O grande sucesso do PSDB no pleito deste ano, porém, deixou um gosto amargo para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O candidato derrotado à Presidência, em 2014, agora assistiu à derrota do candidato tucano em Belo Horizonte, João Leite. Na capital mineira, o vitorioso foi Alexandre Kalil, do nanico PHS. A derrota de Neves na capital de seu Estado de origem fortalece o governador paulista Geraldo Alckmin. Seu campo de ação estende-se por toda a Grande São Paulo. Superou até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, onde nasceu o Partido dos Trabalhadores.

Golpe ajuda

A presença de Michel Temer na Presidência da República, impulsionado após o golpe parlamentar que apeou do poder a presidenta Dilma Rousseff, fortaleceu o PMDB. A legenda é a campeã geral de prefeituras conquistadas neste ano. Como sempre, o PMDB, ficou em segundo lugar na disputa nas capitais, ganhando em Goiânia, Florianópolis e Cuiabá neste domingo, depois de conquistar Boa Vista no primeiro turno.

Com três capitais, o PDT ocupa o terceiro lugar no novo ranking, seguido por PSB e PSD com duas capitais cada um. Quem se beneficiou com as vitórias do PDT foi o pré-candidato do partido à Presidência, Ciro Gomes. Outros oito partidos irão comandar uma capital a partir de 2017, com destaque negativo para o PT. A legenda conseguiu apenas a reeleição do prefeito de Rio Branco, já no primeiro turno.

IURD no Rio

As duas maiores cidades que tiveram disputa neste domingo trouxeram novidades, ainda que no Rio de Janeiro ela não tenha se dado pelo nome vencedor, mas sim pelo fato de ele finalmente ter vencido. O senador Marcelo Crivella, do PRB, foi eleito prefeito do Rio com folga contra Marcelo Freixo, do PSOL. Sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella é bispo da igreja e expoente da direita no Estado.

— Sempre chega a nossa vez quando não se desiste — disse o senador.

Ele já foi sido candidato a prefeito e governador duas vezes.

— Peço a Deus e a todos nós que possamos ter a esperança dos que sempre lutam e a fé dos que nunca desistem — acrescentou.

Aécio derrotado

Em Belo Horizonte, o prefeito eleito, Alexandre Kalil (PHS), também se disse recompensado após uma dura disputa.

— As noites que eu chorei no meu quarto com a minha mulher porque eu fui tão ofendido, valeram a pena. Eu estou meio na linha do que o Gandhi falou: ‘primeiro, eles desprezam, depois ignoram, depois agridem e no final perdem’. Estou tranquilo, sei da responsabilidade que nós vamos assumir — disse, logo após sair o resultado da eleição.

Embora tenha dito que gostaria de conversar com os adversários, Kalil recusa-se a encontrar o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Durante a campanha, Neves lançou pesados ataques, alguns em nível pessoal, contra o oponente.

Direita cresce

Mas para quem esperava muita renovação, especialmente diante do quadro de denúncias permanentes contra políticos e partidos, a eleição foi pouco animadora. Nada menos do que 15 das 26 capitais tiveram prefeitos reeleitos, sendo 8 neste domingo.

O resultado mostrou o que alguns especialistas previam, dada as mudanças das regras que encurtaram a campanha eleitoral e proibiram o financiamento empresarial. Neste quadro, a estrutura partidária ou a detenção da máquina administrativa foi crucial para a vitória de muitos candidatos.

De fato, foram pouquíssimas as tentativas de reeleição que fracassaram, a mais significativa delas a do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT. Mas a derrota de Haddad, que viu o candidato do principal partido adversário levar já no primeiro turno, tem que ser debitada em boa medida à debacle do partido, afogado nas contínuas denúncias, prisões e condenações decorrentes da operação Lava Jato.

O desastroso desempenho do PT no primeiro turno, quando conseguiu menos da metade das vitórias obtidas há quatro anos, foi ainda pior neste domingo, quando perdeu nas sete cidades que disputou, aí incluída Recife, única capital em jogo para o partido.

Eleição tranquila

Os eleitores que foram às urnas nas 57 cidades do país que realizaram o segundo turno neste domingo encontraram tranquilidade para votar, inclusive em locais de votação dentro de escolas que estão ocupadas por estudantes em protesto contra a reforma educacional.

Eleitor da capital paulista, o presidente Michel Temer não votou neste domingo uma vez que o pleito na cidade foi resolvido já no primeiro turno com vitória de Doria.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que não votaria, uma vez que o candidato do PT em São Bernardo do Campo (SP), Tarcísio Secoli, ficou fora da disputa final ao terminar em terceiro no primeiro turno. Com mais de 70 anos, o ex-presidente não é mais obrigado a votar.

Também não votou a ex-presidente Dilma Rousseff. Com domicílio eleitoral em Porto Alegre, a petista viajou a Belo Horizonte para visitar a mãe, segundo sua assessoria. Dilma foi deposta pela direita, em maio deste ano.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, comemorou o clima pacífico do pleito.
“Não tivemos incidentes dignos de nota e felizmente nossa preocupação com segurança não se realizou”, disse.

Aécio é citado em delação de empreiteiros e corre risco de cassação

Aécio Neves

A OAS e as empreiteiras Odebrecht e Queiroz Galvão formaram um consórcio, durante o governo de Aécio Neves, com a Odebrecht na liderança, comprometido a pagar 3% de propina

Por Redação – de Brasília e Curitiba

 

Ex-presidente da OAS, uma das maiores empreiteiras do país, o empresário Léo Pinheiro apresentará, nas próximas horas, uma série de documentos que comprovam o suposto pagamento de propina ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Pinheiro estaria de posse das provas de que irrigou um esquema de propina e subornos a intermediários do então governador de Minas Gerais, pela a construção da Cidade Administrativa, a mais dispendiosa obra realizada ao longo dos dois mandatos do tucano, entre 2003 e 2010.

Aécio Neves
Aécio Neves corre o risco de perder o mandato, uma vez comprovadas as denúncias da OAS

Segundo Pinheiro, a construção do centro administrativo, inaugurado em 2010, com capacidade para 20 mil funcionários públicos, fez parte do acordo de delação premiada negociado com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba e Brasília. A denúncia agrava o quadro de dificuldades do senador mineiro junto à Justiça, uma vez que se transforma em novo processo contra o tucano, que passa a correr o risco de perder o mandato, no Senado.

Pinheiro disse, em depoimento aos investigadores, que pagou 3% sobre o valor da obra a um dos prepostos do governador Oswaldo Borges da Costa Filho, vulgo Oswaldinho. O suspeito foi reconhecido, tanto por depoentes do PSDB e integrantes da oposição, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, como arrecadador de recursos ilícitos nas campanhas de Aécio Neves, ao longo da última década.

Aécio nega

O senador negou ter recebido dinheiro não contabilizado e qualquer irregularidades na obra. Aécio, porém, preferiu não comentar a denúncia de que Oswaldo tenha arrecadado recursos para suas campanhas. As obras da Cidade Administrativa foram orçadas em cerca de R$ 500 milhões, mas custou ao final R$ 1,26 bilhão, segundo as instâncias de controle.

Além da OAS, as empreiteiras Odebrecht e Queiroz Galvão formaram um consórcio, com a Odebrecht na liderança e o faturamento de 60% do valor do contrato. A OAS respondia por 25,71% e a Queiroz Galvão, por 14,25%. Como a OAS recebeu R$ 102,1 milhões, os 3% originários do suposto esquema de corrução equivaleriam a cerca de R$ 3 milhões.

Em nota, divulgada neste domingo, o senador Aécio Neves disse que não conhece, ainda, os relatos feitos pelo empresário Léo Pinheiro sobre suposta propina em sua administração e que considera as declarações “falsas e absurdas”.

Na nota, o senador mineiro afirma que as acusações precisam ser provadas, “sob o risco de servirem apenas a interesses outros que não os da verdade”, conclui.

O governo interino do PMDB e o governo do golpe do PSDB

governo interino

Não há governo interino do PMDB, mas a usurpação do governo pelos donos do poder, utilizando-se de figuras do PSDB

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro:

Em 20 de maio, sexta-feira última, as TVs brasileiras deram cobertura integral à fala de Henrique Meirelles e Romero Jucá, entrevista concedida a um batalhão de repórteres e fotógrafos, quase todos analfabetos disfuncionais. Nem mesmo o conceito mais elementar, e base para a proposta neoliberal que se pretende praticar, o do déficit primário, não será explicável por boa parte deles, que nem perguntas minimamente inteligentes, não foram capazes de formular, esclarecendo os sofismas, as imprecisões e os objetivos (inconfessáveis) que inspiram a prática de uma política monetarista, historicamente responsável no mundo inteiro por recessões, desemprego, retrocesso, enfim, o Horror Econômico.

Reconheça-se apenas a importância e dura autocrítica: dois Ministros de Estado falaram à Nação, rompendo o silêncio de cemitério abandonado, que governos do PT infelizmente praticaram. O modelo de governo participativo, tão desejado pelo petismo em tempos idos, foi esquecido e arquivado por um Governo que (admitir isso não deve ser privilégio das cabeças neoliberais golpistas) elegeu-se com um discurso, para, uma vez eleito, praticar o que fora proposto pelos adversários. Se águas passadas não movem moinhos, só cabe uma ação: promover o encontro e debate entre dois economistas que foram companheiros e ministérios do PT: Guido Mantega e Henrique Meireles – que o antigo Ministro da Fazenda possa fazer ouvir a sua voz, que foi sempre amordaçada pelos burocratas dogmáticos do partido.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda

Não se deve esquecer que Mantega calou a boca daquele que seria o Ministro de Aécio Neves, em entrevista e debate pela TV, isso ainda durante a campanha, quando se opunham os programas do PT e do PSDB. ​Seu​s argumentos eram/são os corretos e valem hoje, para desmascarar a proposta neoliberal de Meirelles, endossada por Jucá. Ironicamente, os dois foram ministros de Lula e de Dilma. Desaprenderam depois. ​Formando​​ uma nova “dupla caipira”, se tivéssemos mesmo um governo do PMDB, poderiam ser substituídos, com imensa vantagem, por Belluzzo, um ​verdadeiro ​economista,que manteve relações históricas com o que foi o partido de Ulisses Guimarães.
O próprio instituto de pesquisas nascido das mãos de FHC, o CEBRAP, promoveu um debate em que Belluzzo refutou​ ​ todos os dogmas​ neoliberais​ defendidos​,​ inspirado pelo “príncipe dos sociólogos”.

O que já se pretendia m 2015 era a “reformulação do pacto social”,​palavras​ fri​as​ ​,a marca do elitismo retrógrado das elites nacionais. Em palavras simples e compreensíveis para todos: o que​ se pretende​ e que agora poderá ser feito sem pudores é jogar por terra o modelo de política social praticado​ por ​ governos do PT (o “pacto social” proposto por Lula e seguido por Dilma Rousseff).

Sabidamente, o equilíbrio, ​eliminando ​o déficit primário, a redução de despesas públicas, uma redução que é sempre imaginada apenas e tão somente em termos de corte radical dos gastos sociais. Os programas “Bolsa Família” e “Minha casa, minha vida”, por mais que mintam, com a afirmação de que serão mantidos, sofrerão um esvaziamento não declarado nem informado. O SUS e todos os demais programas da área de Saúde ​terão​ orçamentos levados ao nível da insignificância, atendendo-se aos reclamos da Máfia de Branco, que jamais aceitou o desafio de uma Medicina voltada para o povo brasileiro, opondo-se ao Programa Mais Médicos e promovendo uma guerra suja contra os médicos trazidos de Cuba.

Os ministros Meirelles e Jucá não se propõem a qualquer empenho numa reforma tributária, que elimine ou reduza os privilégios que contemplam os mais ricos, pessoas físicas e jurídicas. Os jornalistas que acompanharam a fata da dupla ministerial, representando a imprensa, calados estavam e calados permaneceram: apenas um repórter perguntou sobre uma eventual reforma tributária. Para Jucá, isso não é problema de ministro, é assunto a ser resolvido no Congresso; quem sabe, sob comando de Cunha.

A dupla Meirelles & Jucá usou do tempo que lhes foi concedido pela imprensa para justificar a necessidade de uma política de “arrocho”, com a tão desejada eliminação de gastos sociais, e mais um aumento “temporário” da carga tributária. Completa-se o quadro com a intenção da “reforma da previdência social”, injustificável, quantificada com números mentirosos e planejada de forma obtusa e primária, compatível só mesmo com a alienação generalizada em Brasília – infelizmente,​não esqueçamos​, as ideias que agora do governo interino já foram defendidas pelos ministros da president​a​, não ​prosperand​o em função d​a rejeição radical por parte dos movimentos sociais.​ ​

governo interino
O PMDB, reforçando-se no “centrão”, estará consolidando o mandonismo coronelístico retrógrado

Além desse objetivo, a mesma dupla tratou de utilizar seu tempo para sugerir a irresponsabilidade e incompetência, que seriam ​traços ​exclusivos dos governos petistas. ​ N​ão se preocuparam ​na ​ explica​ção​ ​d​o ​descontingenciam​ento​​ de R$ 21 bilhões, do total de R$ 44 bilhões que já tinham sido retidos pela Presidenta​,e​ ​nem chegaram a ​ comentar o aumento agora previsto de mais R$ 20 bilhões nas despesas. Voltemos a lembrar Guido Mantega.

À medida em que os pronunciamentos vão sendo feitos, ​fica claro o quadro que um otimismo feliz e irrealista ​impede​ ​que enxerguemos​. Não há governo interino do PMDB, mas a usurpação do governo pelos donos do poder, utilizando-se de figuras do PSDB. Jucá será o manobrista político de Henrique Meireles, o elo de ligação com o Congresso, controlado pelo PMDB (Eduardo Cunha, sombra mandante de Temer). Jose Serra​,​o orientador do processo que pretende rifar o Estado Nacional, muito mais descarado do que aquele procedido nos anos de FHC. Os homens do PSDB querem o poder político como meio para atingir os objetivos de liquidação da Petrobrás, do Banco do Brasil, do BNDES, da Caixa Econômica Federal: eles são os instrumentos da Máfia do Dinheiro. Eduardo Cunha estará satisfeito com o seu poder de régulo,suficiente para usufruir de um enriquecimento digno de um Salomão​.​ O PMDB, reforçando-se no “centrão”, estará consolidando o mandonismo coronelístico retrógrado.

Como chegamos a isso? Há sem sombra de dúvidas a coordenada e competente dos que visam lucrar com a liquidação do Estado brasileiro. Não só ele, mas a atuação do Instituto Millenium foi e está sendo fundamental, reunindo a disciplinando a ação de banqueiros, grandes empresários e donos da imprensa; e não se despreze a importância e as armas da Opus Dei. Hoje, é muito claro o controle e comando exercidos, não só no Parlamento, mas no Judiciário. Não basta a ação intempestiva e desequilibrada de um juiz de primeira instância (Sérgio Moro), mas existe a opção clara de boa parte dos ministros do STF pelo golpe (quase todos indicados pelos governos do PT). A Justiça Eleitoral está nas mãos dramáticas de Gilmar Mendes; e o TCU é dominado por velhos coronéis do PMDB.

Houve e há, inequívocos, erros, omissões e incompetências de um Governo que se fez e que foi enfraquecido. Há como reagir. Em que pese a omissão burocrática do PT, o povo vai ocupando as ruas, os jovens, os artistas, os intelectuais, a CUT, o MST, profissionais liberais. A figura antes distante e fria de Dilma Rousseff está sendo humanizada pelos que a traíram e pelos golpistas em geral. O que é mais do que nunca necessário: que Dilma Rousseff seja assessorada por competências, quando já não bastam os homens e mulheres “de confiança”.

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.