Amigo de Temer conta história bem diferente a Moro para livrar Padilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

Caso prevaleça essa versão do amigo de Temer, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime

Por Redação – de São Paulo

A versão do empresário José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente de facto, Michel Temer, de que teria sido ‘mula’ do chefe da Casa Civil afastado Eliseu Padilha, não bate com o depoimento do ex-diretor da Odebrecht José Carvalho Filho. Ele teria autorizado o pagamento de R$ 4 milhões, dos R$ 11 milhões negociados, diretamente, com o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, num jantar com Temer e Padilha. Temer saiu da sala e deixou Padilha para negociar a divisão do butim, confessou o ex-executivo em sua delação premiada.

Quadrilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data, com um histórico de negócios muito bem sucedidos

No repasse do dinheiro, Carvalho Filho disse aos investigadores da Operação Lava Jato, em uma versão vazada para a mídia conservadora, que um operador da Odebrecht levou uma parte dos recursos combinados ao escritório de advocacia de Yunes, em São Paulo. O mensageiro, porém, não era o doleiro Lúcio Funaro. Este seria ligado ao presidiário Eduardo Cunha, ex-deputado do PMDB fluminense. O ex-executivo foi chamado a depor, nesta sexta-feira, para explicar melhor a história de José Yunes.

Caberá ao preposto da empreiteira citar o nome do homem que transportou um pacote de dinheiro, supostamente, ao escritório de Yunes, no centro financeiro da capital paulista, em 2014, que procurou, espontaneamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) para detalhar, segundo seu ponto de vista, o trânsito de recursos obtidos de forma criminosa, da principal empresa que integrou a quadrilha montada para desviar recursos da Petrobras.

Dinheiro sujo

Yunes disse aos investigadores que Lúcio Funaro, ligado Cunha, deixou um pacote a seu escritório a pedido de Padilha. Garantiu, no entanto, desconhecer o conteúdo. Caso prevaleça essa versão, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime.

Carvalho Filho admite a entrega do pacote e informa que continha cerca de R$ 1 milhão, em notas de R$ 100, segundo versão passada à mídia aliada ao governo. Mas quem levou o dinheiro ao escritório de Yunes foi um funcionário do Departamento de Operações Estruturadas (propinas). E ele não era Lúcio Funaro.

Quem citou Carvalho Filho à polícia foi Cláudio Melo Filho, em depoimento ao TSE na segunda-feira. Segundo Melo Filho, cabia a José Filho distribuir os R$ 4 milhões iniciais, do total de R$ 11 milhões, para o PMDB comandado por Michel Temer, nas eleições de 2014. Uma outra parte desses recursos foi entregue, segundo o ex-executivo, no escritório de Padilha, na capital gaúcha, alguns dias depois.

A história contada por Yunes foi negada também por Funaro, que também presta uma delação premiada à PGR. encaminhou ofício em que pede para prestar depoimento. Ele nega ter feito qualquer entrega no escritório do amigo de Temer. Seus advogados disseram a jornalistas que ele pretende processar Yunes por calúnia e difamação, pelas declarações prestadas, em juízo. Funaro está preso, em Curitiba, por determinação do juiz Sérgio Moro. Funaro admite que esteve, certa vez, no escritório de Yunes, mas a agenda não incluía um pacote milionário.

As respostas

José Yunes afirmou aos vários jornalistas que o procuraram, nesta manhã, por meio de seu advogado, que “jamais recebeu qualquer documento de algum representante da empresa Odebrecht”.

“(Yunes) não sabe, não conhece, nunca viu a pessoa de José Filho. A única pessoa que esteve em seu escritório foi o senhor Lúcio Funaro. Conforme esclareceu à PGR, José Yunes está à disposição para prestar qualquer outro esclarecimento. Inclusive uma acareação, conforme ele mesmo já se antecipou em dizer em sua declaração”, disseram os defensores, em nota.

José Padilha ainda não se manifestou sobre o assunto. Ele evita a pauta desde que Yunes falou à PGR. Quanto à delação de Cláudio Melo, em dezembro, negou qualquer irregularidade.

O advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñera, diz que seu cliente “jamais foi operador da Odebrecht”. E “jamais foi levar dinheiro da construtora” no escritório de José Yunes.

Chico Alencar admite erro ao beijar mão de Aécio Neves e Jungman

Chico Alencar, pelas redes sociais, reconhece que errou ao comparecer à festa de Noblat. E diz que não deveria ter sido 'irreverente' com os tucanos

Na mensagem, Chico Alencar tece críticas à mídia, mas reconhece que não deveria ter ido ao encontro. Com ele, concorda o editor-chefe do Correio do Brasil, Gilberto de Souza, em comentário publicado nas redes sociais

 

Por Redação – de Brasília

 

Não bastassem os elogios e o beijo na mão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), citado na Operação Lava Jato como corrupto — o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) prestou deferência idêntica ao ministro da Defesa, Raul Jungman. Depois disso, distribuiu nas redes sociais um vídeo no qual faz o mea culpa.

Chico Alencar, pelas redes sociais, reconhece que errou ao comparecer à festa de Noblat. E diz que não deveria ter sido 'irreverente' com os tucanos
Chico Alencar, nas redes sociais, reconhece que errou ao comparecer à festa de Noblat. E que não deveria ter sido tão ‘irreverente’ na presença de adversários políticos

Na mensagem, Alencar tece críticas à mídia, mas reconhece que não deveria ter ido ao encontro. Com ele, concorda o editor-chefe do Correio do Brasil, jornalista Gilberto de Souza, em comentário publicado nas redes sociais:

Lamaçal é isso aí

“Nesse lodo, apenas os peçonhentos sobrevivem. A política brasileira não será apenas esse jogo de infâmias. Não creio, sinceramente, que o deputado Chico Alencar tenha se bandeado para a direita. Ou que Aécio Neves seja, agora, o último guarda-costas do conservadorismo. De um lado, conversam por civilizados que são, com umas canas a mais na cabeça. Mas, na outra ponta, ambos municiam os grupelhos organizados, de um lado e de outro, que querem manter o visgo e arrastar à imundície o debate sobre a pior crise político-econômica já vivida por este país.

“O erro do parlamentar psolista, no que posso observar, foi a escolha do momento e o local em que essa conversa ocorreu. Primeiro, não é hora de negociar com golpistas o sequestro da democracia. Primeiro eles libertam a refém, em eleições diretas em todos os níveis. Depois, não se conversa um assunto desses numa festa com a presença do presidente de facto, onde o deputado sequer deveria estar presente. Se é que tem um mínimo apreço à biografia. Num ambiente assim, se a presença fosse obrigatória para tirar o pai da forca, os únicos assuntos possíveis seriam o tempo e o futebol.

“Infelizmente, o professor Chico Alencar marcou um gol contra”, afirma Gilberto de Souza.

Reações simétricas

O jornalista Breno Altman, editor do site de notícias Opera Mundi, no entanto, aponta um erro mais acentuado. E critica a atitude de Alencar

Segundo Altman, “o crescimento de Lula nas pesquisas provocou terremotos em dois setores supostamente antípodas da política brasileira.

“No campo conservador, se tornou o principal problema a ser enfrentado, diante do perigo real e palpável que, se nada for feito, dentro ou fora da Constituição, para barrar o líder petista, o golpe corre risco de ser derrotado pela eleição de um novo governo do campo popular.

“Mas também a ultra-esquerda entrou em pânico, com sua tese sobre a ultrapassagem do petismo perigando virar pó em tempo recorde.

“Setores do PSOL e de outras agremiações menos relevantes já dedicam mais de seu tempo e espaço para atacar o legado petista, com seus erros e virtudes, do que para enfrentar o governo usurpador.

Inimigo principal

“Isolam-se, evitam qualquer aliança, em um movimento desesperado para sobreviver diante de uma possível escalada político-social da candidatura de Lula junto à classe trabalhadora e às camadas populares.

“Do beija-mão de Chico Alencar em comilança com a presença de Aecio Neves à ausência de qualquer solidariedade no combate às perseguições da Lava Jato, o que importa a esses segmentos é abater o ex-presidente a qualquer custo, para que seu bloco político possa ter a pretensão de se apresentar como herdeiro crítico de sua base social ou parte dela.

“Cometem o mesmo e velho erro de transformar o petismo em inimigo principal, quando poderiam abrir honestamente uma discussão sobre alianças, oferecendo um programa para debate e propondo uma discussão generosa sobre a construção de uma frente popular capaz de derrotar a direita.

Alencar e Heloisa Helena

“Se assim o fizessem, ganharia o conjunto da esquerda, por avançar pelo caminho da unidade. E, também, por desbravar um programa mais avançado.

“Ganhariam também esses setores que se reivindicam a “esquerda da esquerda”. Abririam portas para debater suas ideias com a classe trabalhadora.

“Mas, infelizmente, muitos preferem continuam agindo como a sócia-fundadora Heloisa Helena. Ela não se envergonhava de comemorar ao lado da pior direita todos os ataques bem-sucedidos do conservadorismo contra Lula e seus companheiros”, conclui.

Gilmar Mendes sinaliza que chance é grande de Temer perder mandato

Presidente do TSE, Gilmar Mendes entrou com pedido de extinção do PT

“Evidente que o vice participa da campanha”, disse o ministro do STF, Gilmar Mendes. Nessa frase, Mendes admite a possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer

 

Por Redação – de Brasília

 

A eventual cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico é cada vez mais provável. Além do voto do relator, ministro Herman Benjamin, possivelmente favorável à cassação, o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, também sinaliza no mesmo sentido. Para colocar panos quentes, no entanto, Mendes admite ser possível que o presidente de facto, Michel Temer, sobreva com seus direitos políticos intactos. Tal fato o autorizaria a concorrer novamente em uma eleição indireta feita pelo Congresso, disse à agência inglesa Reuters o presidente do TSE, Gilmar Mendes.

Presidente do TSE, Gilmar Mendes entrou com pedido de extinção do PT
Presidente do TSE, Gilmar Mendes sinaliza que Temer terá seu mandato cassado

A avaliação do ministro é que o caixa 2 – hoje praticamente confirmado depois que executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram ao Tribunal terem doado dezenas de milhões de reais em contabilidade paralela – beneficia a chapa como um todo.

– Evidente que o vice participa da campanha. Mas quem sustenta a chapa é o presidente, o cabeça de chapa – disse o ministro. Ele ressalta que o caso de abuso de poder econômico beneficia a chapa como um todo.

Elegibilidade

No caso, avaliou o ministro, a chapa como um todo seria cassada, mas a presidenta Dilma Rousseff — cassada após o golpe de Estado jurídico-midiático-parlamentar — poderia se tornar inelegível por ser considera responsável pela ação. Já seu vice na chapa, por ter uma responsabilidade menor, ainda manteria sua elegibilidade.

A mesma tese foi defendida pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) em entrevista à rede de televisão SBT na última segunda-feira.

— A única regra clara que se coloca é que o presidente Michel Temer pode ser, inclusive, candidato novamente. Não se sabe se uma eleição direta, não se sabe se uma eleição indireta — disse Eunício.

Eleição indireta

Mendes garante que a eleição direta nessas circunstâncias não existe. A legislação, diz, é clara: depois da metade do mandato a eleição precisa ser indireta. Na tese que circula também no PMDB, tendo maioria no Congresso, Temer facilmente se reelegeria presidente, caso seja inevitável que a chapa seja cassada.

A posição da defesa do presidente é pedir a separação das contas de Temer e Dilma. Ele alega que as contabilidades eram separadas e foram apresentadas prestações de contas individuais. O TSE, no entanto, tende a não aceitar. O próprio ministro relator, Herman Benjamin, já declarou não concordar com a separação.

Decisão final

Com os depoimentos dos executivos da Odebrecht confirmando as doações milionárias em caixa dois – em valores que, apenas em 2014, chegam a quase metade do valor oficial declarado – dificilmente o relator não concluirá pela existência de crime eleitoral. Para Gilmar Mendes, uma decisão de Herman Benjamin não deve sair antes do final do semestre.

— Dificilmente vai ser antes de junho e pode ter desdobramentos. Como ele abriu, pode ter pedidos de novos depoimentos por parte das partes, e provas e perícias. Há possibilidade de delay. Não é de se excluir que (o processo) dure até o ano que vem — disse o ministro. Ele ressaltou que pode também haver pedidos de vistas.

No Dia Internacional da Mulher, Dilma denuncia golpe de Estado

Dilma já se prepara, diante do afastamento inevitável, para deixar o governo

“Esse governo golpista não reconhece função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha”, afirmou Dilma

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

No Dia Internacional da Mulher, a presidenta deposta Dilma Rousseff alertou para os desmontes promovidos pelo governo de Michel Temer (PMDB) das políticas voltadas para a equidade de gênero, que colocam em risco as conquistas nos últimos anos. Em vídeo publicado em seu site oficial e nas redes sociais nesta quarta-feira, Dilma afirmou que as mulheres não têm nada de frágil.

— Todos os nossos avanços foram conquistados com esforço, coragem e determinação. As mulheres sabem, a democracia é o lado certo da história — disse.

Dilma já se prepara, diante do afastamento inevitável, para deixar o governo
Dilma, no Dia Internacional da Mulher, denuncia o desmonte dos programas sociais, após o golpe de Estado

Dilma acrescentou que o governo Temer vem desarticulando e fragilizando políticas de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira. O programa Mulher Viver Sem Violência e o Disque 180 foram afetados, afirmou a presidenta. Programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, que beneficiam prioritariamente as mulheres e suas famílias também foram desmontados, acrescentou.

Direitos a menos

A reforma da Previdência é outra ameaça o direito das mulheres.

— Esse governo golpista não reconhece a função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha, todas essas questões previstas na Constituição de 1988. Querem obriga-las a recolher 49 anos de contribuição previdenciária, uma visão extremamente perversa que exige que a mulher comece a trabalhar com 16 anos para receber integralmente a aposentadoria, que desconhece que ela cumpre pelo menos três jornadas de trabalho — afirmou.

Por fim, Dilma conclama as mulheres a resistir:

— Apesar de todos esses ataques, tenho certeza, resistiremos com todas as nossas energias para defender a democracia e impedir a redução das liberdades e dos direitos individuais e coletivos do povo brasileiro.

Assista ao vídeo:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=GlA0GgHi3sA]

Sem provas

No front jurídico, Dilma tem acumulado algumas vitórias. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm sinalizado que as provas disponíveis até agora no processo que investiga abuso de poder pela chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014, não obrigam a corte a declarar sua inelegibilidade. Já a situação de Temer segue cada vez mais complicada.


Diante das últimas posições dos magistrados, basta a comprovação do caixa 2 em uma campanha para Temer ser cassado. Como Dilma já não exerce mais a Presidência da República, apenas Temer poderia ser afastado do cargo.

Quanto à inelegibilidade, que atingiria Dilma, somente poderia ocorrer se fosse comprovado que ela tinha conhecimento do caixa 2. Mesmo assim, se o crime ocorresse na época da campanha. Nenhum delator afirmou, até hoje, que Dilma participou de tais tratativas .

Delatores entregam Temer na ação que determina a perda do mandato

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília

 

Ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho negocia uma redução na pena. Na delação premiada, em curso, Melo Filho confirmou ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin que o presidente de facto, Michel Temer, negociava propina com a empreiteira. Ele participou da reunião no Palácio do Jaburu e solicitou a Marcelo Odebrecht doações para o PMDB, na campanha de 2014.

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina
Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

O ex-executivo confirmou todas as informações passadas no acordo com a Justiça. O depoimento foi prestado no âmbito da ação que investiga abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014, que poderá levar à cassação do mandato de Temer e dos direitos políticos da presidenta deposta Dilma Rousseff.

Jantar no Jaburu

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

— Eu participei de um jantar no Palácio do Jaburu, juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014 — disse o ex-diretor, perante o magistrado.

Em depoimento à Justiça Eleitoral na semana passada, Marcelo Odebrecht disse não se recordar de Temer ter falado ou pedido R$ 10 milhões diretamente. Mas o herdeiro da empreiteira confirmou o jantar no Palácio do Jaburu. E disse que o encontro era sobre tratativas para as doações ao PMDB nas eleições de 2014. Mas disse que não houve pedido expresso de valores por Temer.

Segundo Odebrecht, o encontro serviria para confirmar que parte da doação ao partido seria destinada à campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O pagamento foi acertado, segundo Marcelo, entre Cláudio Melo e Eliseu Padilha. De acordo com Marcelo Odebrecht, o acerto do valor foi feito depois da saída de Temer do local.

Via Eliseu

Ainda em seu relato para os procuradores da Lava Jato, Melo Filho relatou que parte dos pagamentos solicitados, cerca de R$ 4 milhões, “foram realizados via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do Sr. José Yunes”, amigo de Temer e ex-assessor Especial da Presidência da República. Segundo o delator, os outros R$ 6 milhões pedidos por Temer teriam sido “alocados o Sr. Paulo Skaff”, ex-candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

Sobre Padilha e o também ministro Moreira Franco, Melo Filho contou na sua colaboração que se valia dos dois peemedebistas para fazer chegar a Temer os interesses da empreiteira. Segundo afirmou, era de conhecimento de todos que Temer, historicamente, era o líder do grupo político do PMDB da Câmara.

— Resumindo, para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha — delatou Melo Filho.

Também prestaram depoimentos ao TSE, ao longo do dia, até as altas horas da noite desta segunda-feira os executivos Hilberto Mascarenhas e Alexandrino Alencar. Mascarenhas foi chefe do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o Departamento de Propina da companhia. Ele processava e efetuava os pagamentos da contabilidade paralela. Já Alencar também foi diretor de relações institucionais da Odebrecht e vice-presidente da Braskem.

Novas acusações

O empreiteiro Marcelo Odebrecht não foi o único a declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Eliseu Padilha, atualmente licenciado do cargo de ministro-chefe da Casa Civil, era operador financeiro do presidente Michel Temer. Em novembro do ano passado, Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse ao TSE que a empreiteira acertou com Padilha o repasse de R$ 1 milhão para Temer na campanha de 2014.

A informação foi prestada no segundo depoimento de Azevedo ao tribunal. No primeiro, realizado em setembro, ele afirmara que o dinheiro tinha sido destinado a Dilma, a cabeça da chapa, e era na verdade uma propina lavada na forma de doação legal.

Em resposta, a defesa da presidenta deposta comprovou, com a apresentação de dados bancários, que o valor irrigou a conta aberta por Temer na condição de candidato a vice-presidente. Desmentido nos autos, Azevedo pediu para depor novamente. Foi quando mudou completamente sua versão, para declarar que o dinheiro foi destinado a Temer. E, ao contrário do que dissera, nada tinha a ver com propina.

Azevedo disse ao ministro Herman Benjamin que combinou a doação diretamente com Temer, em uma outra reunião no Palácio do Jaburu. Depois, seguindo o modus operandi da quadrilha, tratou com Padilha a forma de pagar a fatura.

– E aí o senhor disse que comunicou à assessoria do vice-presidente? — perguntou o advogado Flávio Caetano, da defesa de Dilma no TSE.
– Isso, respondeu Azevedo
– Quem era a pessoa?, insistiu Caetano
– Padilha

Depoimento de Azevedo

Em 2014, Temer usou a mesma estratégia para pedir dinheiro às empreiteiras. Um de seus homens de confiança procurava as empresas. Depois, levava os executivos para uma reunião com o então vice-presidente. O acordo para o repasse de recursos era sempre sacramentado pessoalmente com Temer. Foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha que levou Otávio Azevedo ao Jaburu.

Na semana passada, Marcelo Odebrecht disse ao TSE que acertou previamente com Padilha a liberação de 10 milhões para o grupo político de Temer, antes de se encontrar pessoalmente com o peemedebista no Palácio do Jaburu. O depoimento de Marcelo complica mais a situação jurídica de Temer do que o de Azevedo.

Primeiro, porque ele reconheceu que a Odebrecht repassou dinheiro ao grupo de Temer por fora, um “extra” que nada tinha a ver com a doação legal da empreiteira ao PMDB, que foi de 11,3 milhões de reais em 2014. Segundo, porque, conforme Marcelo Odebrecht, Padilha sabia de antemão que o “extra” sairia de uma fonte clandestina de recursos

Temer e a OAS

As declarações reforçam os indícios de que a chapa Dilma e Temer usou dinheiro sujo para vencer a última sucessão presidencial.

Em 2014, Temer também recebeu uma doação legal de R$ 5 milhões da construtora OAS. O valor foi repassado depois de ele se encontrar, no Jaburu, com Léo Pinheiro, preso pela Lava-Jato. Em mensagens telefônicas interceptadas pela operação, Pinheiro dá a entender a Cunha que o dinheiro foi transferido em troca do empenho do PMDB na defesa dos interesses da OAS, concessionário do aeroporto de Guarulhos.

Na época da transação, Moreira Franco, braço direito de Temer, era o ministro da Secretaria de Aviação Civil.

As respostas

A defesa de Michel Temer não foi encontrada para comentar o caso.

O chefe afastado da Casa Civil Eliseu Padilha também não comentou as delações em que é citado. Apenas justificou, a jornalistas, o elevado número de viagens em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele falou à Comissão de Ética Pública da Presidência, que investiga o caso, alegando medida de segurança.

Padilha disse ter deixado de usar avião de carreira depois que os xingamentos ao governo aumentaram de tom.

Pesquisa mostra que ampla maioria de brasileiros rejeita governo Temer

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta

“Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção”, afirma pesquisador

 

Por Redação – de São Paulo

 

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira aponta que, para 84% dos brasileiros, o governo do presidente de facto, Michel Temer, segue ladeira abaixo. Não se trata de um estudo realizado por alguma instituição ligada à esquerda. A pesquisa “O Brasileiro e a Política” foi realizada pelo Instituto Locomotiva.

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta
O ‘Fora Temer!’ foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta. Muito menos na pesquisa de opinião

Trata-se de uma instituição com o neoliberalismo em seus alicerces, sob a direção do economista Renato Meirelles e o apoio da Ford Foundation, entre outros patrocinadores ligados às mesmas forças da direita que derrubaram o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Régua de qualidade

A aferição junto à opinião pública mostra, ainda, que 96% dos eleitores descobriram, enfim, que o país vive uma crise. Destes, 75% a consideram gravíssima. O resultado também aponta para o distanciamento entre os cidadãos e a classe política. O fenômeno ocorre há mais de uma década mas, diz o Locomotiva, volta agora à toda velocidade.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande. o que temos hoje, no país, é um caminho sem volta. Somente se resolverá quando se repactuar um novo modelo para gerir a sociedade — afirma Meirelles à jornalista Sonia Racy, colunista de um dos diários conservadores paulistanos.

Verdades absolutas

Desde 2014, lembra Meirelles, um terço do eleitorado brasileiro votou em Dilma. Um terço em Aécio. E um terço não votou, como demonstra a soma dos votos nulos, brancos e as abstenções.

— Assim, qualquer que fosse o vencedor teria contra si dois terços do Brasil. Foi principalmente a partir de 2013, quando a cidadania mudou sua régua de qualidade, tornando-se mais exigente com as autoridades. O que impressiona é como a classe política desprezou a importância disso. Até hoje ela não enxerga direito a situação — acrescentou.

Segundo o Instituto, “em um mundo que se transforma cada vez mais rápido, verdades absolutas são a todo momento destruídas, e apenas uma certeza parece segura: novas mudanças virão. Mudam as tecnologias, mudam as relações humanas, mudam os clientes, novos negócios surgem e outros tornam-se obsoletos”.

Fora Temer

“No Brasil não é diferente. Mudamos muito na última década e vamos continuar mudando. O consumidor amadureceu, o cidadão ficou mais exigente e já temos uma geração inteira que nasceu conectada. Nos últimos 10 anos, mais de 10 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho. (Neste período), 53 milhões de pessoas passaram a ter acesso à Internet, 50 milhões de contas bancárias foram abertas e o país ganhou 10 milhões de universitários”.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande — acrescenta Meirelles.

Para o economista, o povo que foi à rua “já sabia o que não queria, foi marcar presença a respeito”.

— Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção. Aí você pergunta: o que eles querem? Eles não sabem. Querem é algo diferente — disse.

Classe dirigente

Em outro ponto, o efeito da mensagem religiosa passada aos brasileiros mostra a sua face.

— O estudo mostra que 64% acreditam que para melhorar dependem mesmo é de si próprios, ou de seu esforço. E 45% (as respostas são múltiplas) confiam “na fé e em Deus”. Ou seja, não esperam nada de um governo — pontua.

Uma alta parcela dos entrevistados “não acredita em governo para melhorar de vida”, constata.

— A classe dirigente fica discutindo entre Estado grande e Estado pequeno. Isso pouco importa para o cidadão. Ele quer um Estado eficiente. Que faça valer seus direitos, dê igualdade de oportunidades — acredita.

Segundo o dirigente empresarial, a descrença leva ao descolamento dos eleitores do quadro político atual.

— Aquela “família margarina” tradicional, reunida no café da manhã, constitui hoje apenas um terço do total das famílias brasileiras. Temos no país 10 milhões de pessoas que vivem sozinhas – um mercado específico, de comportamentos e expectativas pouco avaliadas. A comunicação não é mais só TV-rádio-jornal, as redes sociais se expandiram. A nova comunicação não se resume a passar mensagem e pronto, é de trocas dinâmicas — repara.

Time de futebol

Meirelles observa que, o Brasil ganhou 54 milhões de novos internautas na última década.

— É gente que vê, ouve, escreve, responde, aprova, discorda, espalha. E é um fenômeno global. Fazer análise correta do presente e previsão do futuro virou uma tarefa mais arriscada. Um exemplo: 43% dos que apoiam partidos de esquerda acreditam em Deus e dizem que isso as torna pessoas melhores. E mais: 47% desse universo dito esquerdista acha que direitos humanos não devem valer para bandidos — impressiona-se.

Na outra ponta, 85% dos que apoiam partidos ditos de direita afirmam que cabe ao governo promover justiça social.

— E 64% acham positivo o governo ter empresas estatais fortes — contabiliza.

O pesquisador acredita que, para se entender de fato, hoje, como as pessoas selecionam os fatores que formam suas avaliações de si e do mundo, é preciso levar em conta que condição financeira não é predominante. E que a posição política está empatada com o time preferido — conclui.

Escolhas de assessores envolvidos na Lava Jato comprometem Temer

Aloysio Cunha

Padilha pede para prorrogar licença e Aloysio Nunes responde como réu a inquérito na Corte Suprema que investiga diversas práticas criminosas no âmbito da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

Chefe da Casa Civil licenciado, o ex-deputado Eliseu Padilha, sem foro privilegiado, quer se manter distante do seu escritório, no Palácio do Planalto. Ele segue internado após uma cirurgia na próstata, no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Padilha apresentou um atestado médico por obstrução urinária, emitido no último dia 20.



Sem previsão de alta, assessores do ministro informaram que ele passa bem e pretende retornar ao trabalho na segunda-feira, caso seja liberado pelos médicos. Observadores da cena política, no entanto, consideram como certo o adiamento na sua volta ao trabalho. Nem tanto pelas condições de saúde e mais por sua exposição pública, após citado no depoimento do empresário José Yunes. O amigo pessoal do presidente de facto, Michel Temer, acusou-o de receptação de propina.

Segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira, Padilha “encontra-se com boa evolução do quadro de saúde, recuperando-se adequadamente do procedimento urológico cirúrgico realizado no dia 27 de fevereiro”. Em setembro, o ministro, que tem 71 anos, recebeu atendimento médico após um pico de pressão arterial.

Ex-comunista

Aloysio Cunha
Através de assessoria, Nunes negou o recebimento de dinheiro de caixa 2, proveniente da Lava Jato

Aparentemente bem de saúde, o ex-comunista Aloysio Nunes, hoje senador do PSDB paulista, poderá ser afastado do cargo de chanceler do governo instituído após o golpe de Estado, em curso. Nunes é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de crime eleitoral, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O ex-motorista do guerrilheiro Carlos Marighella foi convidado para o cargo na quinta-feira, e aceitou a missão. Ele ocupará, não se sabe ainda por quanto tempo, a vaga deixada por José Serra, que pediu demissão alegando fortes dores na coluna. Historiadores investigam se Nunes estava infiltrado pela agência norte-americana de inteligência (CIA, na sigla em inglês), na ação que culminou na morte de Marighella, em São Paulo, durante a ditadura civil-militar instaurada em 1º de Abril de 1964.

Atualmente, Nunes responde à investigação no STF desde setembro de 2015. Citado no processo da lavra do ministro Celso de Mello, foi citado na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC. Segundo Pessoa, Nunes recebeu da construtora R$ 300 mil de forma oficial e outros R$ 200 mil em dinheiro do caixa 2, na campanha ao Senado, em 2010. O dinheiro seria oriundo de propina paga para favorecer contratos entre a empreiteira e a Petrobras.

Explosivo

Segundo o pedido assinado por Rodrigo Janot, procurador-Geral da República, para a abertura da investigação, Nunes estaria mais complicado ainda. Apesar de o testemunho de Pessoa estar relacionado à Operação Lava Jato, os “fatos criminosos” atribuídos ao senador tucano estariam ligados a fraudes diversas.

Questionado sobre outras práticas delituosas, durante tentativa de entrevista efetuada por Rodrigo Pilha, blogueiro e ativista digital, em Brasília, Nunes quis partir para as vias de fato. Foi impedido por seus seguranças, após dirigir uma série de impropérios ao repórter.

Assista à reação de Aloysio Nunes:

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Este fato apenas comprova o temperamento explosivo do senador tucano, escolhido por Temer para a condução da política externa brasileira. O fato preocupa muitos diplomatas do Itamaraty. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio também ganhou fama pelo tom destemperado de suas manifestações.

Alinhado

Diplomatas de alto escalão, ouvidos por um dos diários conservadores paulistanos, “preferiam a chamada ‘solução externa’ para o cargo”. O governo Temer já encerra um caráter de provisoriedade – acaba em pouco mais de um ano e meio.

Nunes tende a manter a linha de Serra. Este último promoveu a reorientação que afastou o Brasil dos governos de esquerda na América Latina. Apoia a expulsão do Mercosul, na prática, da Venezuela e alinha, integralmente, o país à linha imperialista de Washington.

Minuto da verdade

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa. O texto prevê a contribuição obrigatória por 49 anos para alcançar o benefício integral

Por Jandira Feghali – do Rio de Janeiro:

O governo Temer vem alardeando de forma manipulada dados do orçamento brasileiro e também da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para justificar a reforma da previdência. A OCDE usa dados da realidade dos 34 países, entre eles os mais industrializados e desenvolvidos do mundo, para a formulação de políticas públicas. Aqui, com realidade tão diversa, só com muita má fé ou desconhecimento do Brasil é que se justifica a perda de direitos para a maioria pobre do povo e a entrega ao mercado de parcela importante dos e das nossas trabalhadoras. É possível imaginar que podemos reformar a previdência de forma a igualar as regras de países como Canadá, Austrália, Suécia, Noruega, entre outros?

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa
A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa. O texto prevê a contribuição obrigatória por 49 anos para alcançar o benefício integral. A idade mínima passa a ser 65 anos, para homens e mulheres igualmente e com uma contribuição mínima de 25 anos. Aplicar esta fórmula é o mesmo que negar a aposentadoria para a imensa maioria dos segurados do campo e da cidade.

No Brasil, dados oficiais mostram que a rotatividade no emprego é de 45%, fazendo com que a contribuição fique em média 6 meses por ano. Ou seja, para atingir 25 anos de contribuição, precisa trabalhar 50 anos. O problema é que 79% dos segurados que trabalham 49 anos não atingem 25 em regime. No Brasil de hoje, 37,3% da população não chega aos 65 anos, quando na OCDE este índice é menor que 20%. 

Aposentadorias

Lá, os trabalhadores têm uma expectativa de duração de suas aposentadorias de 17,2 anos. Aqui, a média é de 13,4 anos. Em vários países da OCDE, os trabalhadores recebem o benefício por 21 anos. O tempo de vida saudável no Brasil é menor em 10 anos, comparado aos países da OCDE. 

Só para exemplificar, vamos olhar os benefícios e observar a desumanidade da proposta. Cerca de 68% dos trabalhadores no Brasil recebem aposentadoria de 1 salário minimo. Outros 16% de 2 salários e 5% entre 3 e 4 salários. É sobre esses que a proposta de Temer reduz no cálculo do valor.

Pensões

As pensões por morte deixarão de ter o piso no salario minimo e não poderão acumular com nenhuma aposentadoria, mesmo que seja no piso. Também os benefícios para idosos e pessoas com deficiência foram desvinculados do salario mínimo. E o alcance para os idosos passou de 65 para 70 anos.

Os trabalhadores rurais, que começam a trabalhar com 13 anos de idade e que contribuem sobre a comercialização da produção. Serão deslocados para as novas regras e consequentemente impedidos de acessar a aposentadoria. E o governo diz que a reforma vai atingir os ricos…

As mentiras do governo têm sido embaladas por um terrorismo publicitário aplicado em propagandas milionárias. Com o título “1 Minuto da Previdência”, a mentira oficial adentra os lares brasileiros afirmando que sem reforma, não haverá como manter os benefícios. Nada mais longe da verdade.

O desgoverno Temer está gastando o seu dinheiro para retirar seus direitos. Solicitei recentemente informações sobre o valor gasto nessas propagandas, recursos que não deveriam ser utilizados para enganar a sociedade e ganhar seu apoio para a mais completa aniquilação de direitos.

Popularidade

A verdade é que com a chegada ao poder, sem votos e com a popularidade cada dia menor, o ilegítimo se sente apto a entregar aos planos privados o futuro dos trabalhadores. É o momento de pagar a conta do golpe às custas do povo.

Está em curso o desmonte do Estado e de uma política social solidária. Na Constituição de 1988, garantimos o piso de 1 salário para todos os benefícios, o sistema de seguridade social, a inclusão dos trabalhadores rurais e a existência dos benefícios de prestação continuada.

A reforma da Previdência é um mal a ser combatido por todos nós. Em todos os cantos, diariamente. Precisamos dar as mãos neste levante para impedir que o Governo destrua uma política de alcance social enorme. Uma política que garante a dignidade e a possibilidade de continuar sonhando aos que já deram uma vida de suor para o desenvolvimento de nosso país.

 Jandira Feghali, é médica e deputada federal (RJ).

Lula propõe plano econômico de emergência para o Brasil pós-Temer

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia

 

Por Redação – de São Paulo

 

Diante do cenário de terra arrasada na economia brasileira, na crise que se ampliou após a cassação da presidenta Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus principais assessores para dar início a um plano econômico de emergência para 2018. Lula tem chances reais de voltar à Presidência da República, segundo todas as pesquisas de opinião divulgadas no último mês.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de opinião, começa a estruturar um plano emergencial para o país sair da crise

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia. O petista pretende, agora, subir o tom da oposição contra as políticas do presidente de facto, Michel Temer. Em seus planos, está o lançamento do “programa nacional de emergência”, para o país sair da crise.

O ponto central da plataforma para 2018, caso haja eleições e o PT volte ao poder, será redução do desemprego. O Brasil amarga cerca de 13 milhões de desempregados. Segundo Lula, o quadro não será revertido sem crédito para a produção e o aumento no consumo das famílias.

Entre as propostas que Lula defende para debelar a crise está a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego. Pretende, ainda, reajustar em 20% o Bolsa Família e conceder aumento real do salário mínimo. Propõe, ainda, a correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual.

Lula e o PT não defendem mais a volta da presidenta Dilma. Mas a realização de eleições diretas, no prazo constitucional. Entre os colaboradores do plano econômico estão os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento na gestão passada.

Depoimento de Marcelo Odebercht entrega Temer e o cerne do PMDB

Marcelo Odebrecht

Parte dos R$ 10 milhões em propina destinados pela Odebrecht ao então vice-presidente Temer teria sido entregue ao amigo José Yunes

 

Por Redação – de Brasília e Curitiba

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu início nesta quarta-feira, após o feriado de Cinzas, aos depoimentos do herdeiro da Construtora Norberto Odebrecht, Marcelo, e aos demais delatores envolvidos no repasse de propina ao presidente de facto, Michel Temer. A chapa formada pela presidenta cassada Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), articulador do golpe de Estado, em curso.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht que, nesta quarta-feira, presta novo depoimento, incrimina Michel Temer

Um processo no TSE apura se a dupla cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições presidenciais de 2014. A ação tem o poder de afastar Temer do Palácio do Planalto e tornar Dilma inelegível para qualquer cargo público, por uma década.

Na lista, o primeiro escolhido para falar foi Marcelo Odebrecht, na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba. Benedicto Barbosa da Silva, ex-presidente da construtora Odebrecht, e Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, prestarão depoimento na quinta-feira, no Rio de Janeiro. Na segunda-feira deporão, em Brasília, os ex-diretores de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho e Alexandrino Alencar.

O relator da ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), ministro Herman Benjamin, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, estará presente em todas as fases do processo. Herman visa enriquecer o seu relatório, em fase final, no qual pede a cassação da chapa vitoriosa em 2010 e 2014.

Caixa 2

A inclusão dos depoimentos, que atingem frontalmente o governo Temer, no entanto, tende a esticar o julgamento do caso. Depois que os delatores forem ouvidos e entregado o esquema corrupto na campanha do peemedebista, a defesa terá direito de convocar testemunhas para contrapor os relatos, o que consumirá alguns meses, dizem advogados próximos ao caso.

Marcelo Odebrecht, em outros depoimentos, revelou o repasse de cerca de R$ 30 milhões à chapa Dilma-Temer, em 2014. O dinheiro, segundo os delatores, foram usados para comprar apoio de integrantes do PMDB, PRB, PROS, PCdoB, PP e PDT. O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, é citado na delação de Alexandrino como um daqueles que negociou repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da empresa para o PRB. Pereira nega, como de resto negam também os demais acusados.

Inicialmente, o ministro Herman Benjamin havia solicitado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a autorização para ouvir três relatores – Marcelo Odebrecht, Cláudio Melo Filho e Alexandrino Alencar. O próprio Janot, no entanto, sugeriu que fossem ouvidos Benedicto Barbosa da Silva e Fernando Reis, afirmando que eles também relataram fatos relacionados à campanha de 2014.

Quanto aos novos depoimentos, a defesa de Dilma Rousseff afirmou que não tem “nada a temer”. O Palácio do Planalto disse que não se manifestaria sobre o assunto. A defesa de Michel Temer também não se manifestou sobre o caso.

Fora Temer!

Passada a folia, fica na memória popular que este foi o carnaval do ‘Fora Temer!’, na reentrada do governo Temer na atmosfera de confrontos e aplicação da Justiça. Os gritos de ‘Fora, Temer!’ ecoaram nas principais ruas e avenidas de Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Na Terça-feira Gorda do carnaval, no bloco “Carmelitas”, em Santa Teresa, os foliões fizeram coro. Na segunda-feira, foram os foliões no Circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, a soltar o brado.

Em Belo Horizonte, blocos inteiros gritaram o ‘Fora, Temer!’. Em São Paulo, o bloco Jegue Elétrico, que arrastava milhares de foliões pelas ruas da capital paulista, também disparou contra o inquilino do Palácio do Planalto.

No refrão

Logo no início do reinado de Momo, a banda BaianaSystem disparou o grito ‘Fora Temer!’, na última sexta-feira, durante a abertura do carnaval de Salvador. No meio da apresentação, o vocalista Russo Passapusso iniciou um discurso político dizendo “fascistas, golpistas, não passarão!”, em referência ao atual governo brasileiro. Em seguida, o cantor puxou a já tradicional palavra de ordem: ‘Fora Temer!’ em protesto contra o presidente de facto, e a multidão retribuiu as palavras de ordem, em coro uníssono.

A partir daí, o assunto se espalhou pelas redes sociais durante o fim de semana. A banda foi até ameaçada de expulsão do carnaval soteropolitano, em uma polêmica sobre os limites da liberdade de expressão durante o carnaval. Deu em nada. No carnaval do ano que vem, se Temer ainda estiver no poder, deverá ouvir de novo o refrão.

 

No sábado de carnaval, no bloco Céu na Terra, de Santa Teresa, também não perdoou: “Fora, Temer!”.  Alguns foliões foram fantasiados com máscaras de políticos, entre ela, a daquele que o país pede para sair.