Conheça os 10 vírus mais perigosos do mundo

O ebola pode ser aterrorizador, mas não é o vírus mais ameaçador que existe. Também não é o HIV. Confira abaixo a lista dos 10 vírus mais nocivos

Por Redação, com DW – de Londres:

Vírus de Marburg

O vírus mais perigoso do mundo é o Marburg. Ele leva o nome de uma pequena cidade alemã às margens do rio Lahn, onde o vírus foi documentado pela primeira vez. O Marburg provoca febre hemorrágica e, assim como o ebola, causa convulsões e sangramentos das mucosas, da pele e dos órgãos. A taxa de mortalidade do vírus é de 90%.

O ebola pode ser aterrorizador, mas não é o vírus mais ameaçador que existe
O ebola pode ser aterrorizador, mas não é o vírus mais ameaçador que existe

Ebola

Existem cinco tipos de ebola, cada um nomeado em homenagem a uma região ou país da África: Zaire, Sudão, Tai Forest, Bundibugyo e Reston. O mais mortal deles é o Zaire, com uma taxa de mortalidade de 90%. Este é o tipo de vírus que aflige atualmente os países da África Ocidental Guiné, Serra Leoa e Libéria. Os cientistas dizem que, provavelmente, morcegos trouxeram o vírus para as cidades.

Hantavírus

O termo hantavírus refere-se a diversos tipos de vírus. O nome vem de um rio onde os primeiros soldados norte-americanos infectados pensaram ter contraído a doença, durante a Guerra da Coreia, em 1950. Os sintomas incluem doença pulmonar, febre e insuficiência renal.

H5N1

Os vários tipos de vírus da gripe aviária costumam causar pânico, o que talvez seja justificado pela taxa de mortalidade, que é de 70%. Mas o risco de contrair o vírus do tipo H5N1, um dos mais conhecidos, é muito baixo. O contágio só ocorre através do contato direto com aves. Acredita-se que isso explique por que a maioria dos casos ocorre na Ásia, onde muitas pessoas vivem próximas a galinhas.

Lassa

Uma enfermeira na Nigéria foi a primeira pessoa a ser infectada pelo vírus de Lassa. Ele é transmitido por roedores. Os casos podem ser endêmicos, ou seja, se o vírus ocorre numa região específica e pode voltar a ocorrer a qualquer momento por ali. Cientistas estimam que 15% dos roedores no oeste da África portem o vírus.

Junin

O vírus Junin é associado à febre hemorrágica argentina. As pessoas infectadas apresentam inflamações nos tecidos, hemorragia e sepse – uma inflamação geral do organismo. O problema é que os sintomas parecem ser tão comuns que a doença raramente é detectada ou identificada à primeira vista.

Crimeia-Congo

O vírus da Crimeia-Congo é transmitido por carrapatos. Ele é semelhante ao ebola e ao Marburg na forma como se desenvolve. Durante os primeiros dias de infecção, os doentes apresentam sangramentos na face, na boca e na faringe.

Machupo

O vírus Machupo está associado à febre hemorrágica boliviana. A infecção causa febre alta, acompanhada de fortes sangramentos. Ele desenvolve-se de maneira semelhante ao vírus Junin. O Machupo pode ser transmitido de humano para humano, e roedores frequentemente o portam.

Kyansur

Cientistas descobriram o vírus da floresta de Kyansur na costa sudoeste da Índia em 1955. Ele é transmitido por carrapatos, mas supõe-se que ratos, aves e suínos também possam ser hospedeiros. As pessoas infectadas apresentam febre alta, fortes dores de cabeça e dores musculares, que podem causar hemorragias.

Dengue

A dengue é uma ameaça constante. Transmitida por mosquitos, a doença afeta entre 50 e 100 milhões de pessoas por ano. Apesar de atingir regiões turísticas como a Tailândia e a Índia, o vírus representa um problema sobretudo para os dois bilhões de habitantes que vivem nas áreas ameaçadas.

Entenda a diferença entre vírus e bactérias

Ambos causam doenças, às vezes fatais, mas biologicamente são completamente diferentes. Enquanto bactérias são organismos vivos, vírus não passam de partículas infecciosas

Por Redação, com DW – de Londres:

Os dois são invisíveis a olho nu, se multiplicam rapidamente em um curto período de tempo e podem causar doenças. Mas essas são as poucas características que bactérias e vírus têm em comum.

Aids é uma doença viral causada pelo vírus HIV
Aids é uma doença viral causada pelo vírus HIV

Bactérias são organismos compostos por uma única célula, que possui tudo que elas precisam para viver: genoma e estruturas celulares que produzem proteínas, abastecendo-as com energia. Esses organismos possuem um metabolismo próprio e se multiplicam ao se dividir. As bactérias nem sempre são prejudiciais: algumas são vitais para a saúde humana, como as que compõem a flora intestinal e auxiliam na digestão.

Tuberculose, cólera, tétano e difteria são algumas das doenças causadas por bactérias.

Vírus, por outro lado, não são células, mas partículas infecciosas. Para muitos cientistas, os vírus nem são considerados seres vivos. Eles podem se multiplicar somente com ajuda externa. Ao infiltrar seu material genético em células de outros seres vivos, eles as reprogramam para que elas produzam vírus até arrebentar, liberando assim essas partículas infecciosas.

Cada vírus possui uma célula hospedeira específica. Alguns atacam somente plantas, outros animais e humanos. Há também vírus que atacam apenas bactérias e fungos.

Aids, hepatite, gripe, dengue, catapora e sarampo são algumas das doenças causadas por vírus.

Os vírus  infecciosos são bem menores do que bactérias. Enquanto elas possuem na sua maioria um tamanho de 0,001 milímetro, os vírus chegam a no máximo um centésimo dessa medida.

Medicamento e vacinas

Antibióticos agem somente contra bactérias. Como vírus não vivem, não é possível matá-los. Contra eles há somente antivirais, que inibem a multiplicação dessas partículas, por exemplo, ao impedir que eles alcancem as células hospedeiras.

Mesmo assim, os médicos costumam prescrever antibióticos também para infecções virais, já que os vírus enfraquecem o sistema imunológico, possibilitando o ataque de bactérias. O antibiótico é prescrito para evitar esse ataque.

Tanto para bactérias como para vírus, é possível desenvolver vacinas.

Postos de saúde devem ter teste-piloto para vírus zika em Pernambuco

O outro teste é feito por um aparelho que amplifica a presença do material genético do vírus na amostra e dá o resultado em uma tela com gráficos coloridos

Por Redação, com ABr – do Recife:

Dois sistemas de teste rápido para detectar o vírus zika em pessoas, e também em larvas e mosquitos Aedes aegypti, estão dando resultados promissores em uma pesquisa feita pelo Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A previsão é de que um dos sistemas seja implantado como projeto-piloto na rede pública de saúde do estado no segundo semestre deste ano.

Aparelho desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco para teste rápido do vírus Zika
Aparelho desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco para teste rápido do vírus Zika

De acordo com o professor José Luiz de Lima Filho, diretor do Lika, os sistemas utilizam tecnologias distintas para chegar ao mesmo resultado. Um deles, de menor custo e mais simples, utiliza um anticorpo para detectar a presença do vírus. “Coloca a amostra num papelzinho e se tiver a presença do vírus, surge uma linha dentro do sistema indicando positividade”, explica.

Lima Filho afirma que esse modelo, caso chegue à etapa final de produção em larga escala. Pode ser disponibilizado em postos de saúde e até mesmo em farmácias. Para que o próprio paciente faça o teste. Isso porque, como o zika muitas vezes apresenta sintomas leves e até mesmo imperceptíveis, a doença acaba subnotificada.

– No caso do zika, muitas vezes as pessoas não vão ao posto de saúde. Então a epidemiologia é muito difícil. Você imagina se as pessoas tivessem essa disponibilidade – diz o professor. Ele relata que em mais de um caso positivo, na fase de testes. O resultado saiu de um voluntário que seria a amostra padrão. A pessoa dizia nunca ter sentido os sintomas. Mas a análise acabou identificando a presença do vírus.

Tecnologia

Essa tecnologia foi desenvolvida inicialmente para testagem em humanos, mas os cientistas perceberam depois que poderia ser utilizada para identificar a presença do vírus nos hospedeiros. “Se soubesse que tinha o mosquito infectado, o serviço público poderia intensificar as ações naquele local e evitar a disseminação da doenças”.

O outro teste é feito por um aparelho que amplifica a presença do material genético do vírus na amostra e dá o resultado em uma tela com gráficos coloridos  – uma linha para cada arbovírus, já que também é capaz de detectar dengue e chikungunya. Segundo o diretor do Lika, esse modelo demora mais, cerca de 10 minutos. “A vantagem é que mede qualquer tipo desses vírus”. O equipamento tem cerca de 20 centímetros e não necessita de profissionais especializados para usá-lo, basta um treinamento curto.

Produção em larga escala

Os sistemas estão em fases diferentes de desenvolvimento. O de 10 minutos já é testado na universidade, e os pesquisadores esperam certificar a tecnologia ainda no primeiro semestre. Na segunda metade do ano, protótipos devem ser colocados à prova em unidades de saúde públicas de Pernambuco.

O de três minutos passará por testes até o segundo semestre. “A gente já viu que funciona e está mudando a substância que marca a presença para ficar mais eficiente. Isso vai começar em março”, informa o professor.

Os pesquisadores esperam disponibilizar as tecnologias no mercado em 2018. O desafio agora é tornar os métodos viáveis financeiramente – o cálculo de produção em larga escala ainda não está fechado. “Como qualquer produto tecnológico, o início é caro. Inclusive, os protótipos são muito caros porque você investe muito dinheiro para certificar. Mas a gente espera que, em larga escala, seja bem mais barato para usar nos postos de saúde”, afirma o diretor do Lika.

Como a pesquisa é feita em parceria com duas empresas japonesas de equipamentos médicos, Toshiba Medical Systems Corporation e Fujirebio Inc., a previsão é de que a patente fique com elas. “Infelizmente, a gente pode montar os equipamentos, mas no país não há fábrica de semicondutores. Temos uma limitação tecnológica grande nessa área, então ainda vamos ficar dependentes dos outros por algum tempo”, acrescenta Lima Filho.

A pesquisa envolve também o Núcleo de Saúde Pública e Desenvolvimento Social da UFPE, a National Institute of Infectious Diseases (NIID) e a Universidade de Nagasaki, por meio das empresas japonesas. O desenvolvimento do método de diagnóstico rápido é a primeira etapa. Em um segundo momento, o foco será a produção de remédios e vacinas.

Temer se irrita com pergunta de repórteres sobre a corrupção

Temer compareceu a uma videoconferência para falar sobre mosquitos apenas, sem respostas à corrupção

O texto recém-aprovado pela Câmara dos Deputados abriu uma nova crise entre Legislativo, Ministério Público e Judiciário. Diante do cerco aos seus comandados, Temer procura se desvencilhar da polêmica sobre corrupção

 

Por Redação – de Brasília

 

A manhã desta sexta-feira, para o presidente de facto, Michel Temer, começou irritadiça. Após uma videoconferência para tratar dos danos causados pelas pestes transmitidas nas asas do mosquito Aedes aegypti, Temer se viu assolado pelas perguntas dos repórteres sobre a corrupção que infecta sua equipe. A mídia que o segue quis saber a opinião dele em relação antídoto aprovado pela Câmara, com ingredientes que o tornam apenas um placebo contra a roubalheira ao Erário.

Temer compareceu a uma videoconferência para falar sobre mosquitos apenas, sem respostas à corrupção
Temer compareceu a uma videoconferência para falar sobre mosquitos apenas, sem respostas à corrupção

Perguntado, após falar sobre o Dia Nacional de Combate ao Mosquito, em Brasília, sobre o pacote anticorrupção, Temer perdeu a paciência:

— Estou falando de zika, por favor — rebateu o presidente de facto, de saída do local que deveria sediar uma entrevista coletiva, obviamente cancelada após o destempero do mandatário.

O texto recém-aprovado pela Câmara dos Deputados abriu uma nova crise entre Legislativo, Ministério Público e Judiciário. Diante do cerco aos seus comandados, Temer procura se desvencilhar da polêmica sobre corrupção.

Na videoconferência, Temer reuniu os governadores gaúcho e de Roraima; além de representantes do Rio de Janeiro, Goiás e Rio Grande do Norte. Na pauta, a discussão sobre o combate ao mosquito da dengue, da zika e do vírus chikungunya.

Pede para sair

Outra observação que, seguramente, deixou Temer ainda mais irritado partiu do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia. Ele divulgou nota, nesta manhã, na qual propões que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se afaste imediatamente do cargo. Calheiros é o principal escudeiro do atual mandatário e terceiro na linha sucessória ao Palácio do Planalto.

Na noite passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia e Renan virou réu, acusado pelo crime de peculato. Para o presidente da OAB, cujo mandato termina em fevereiro, Renan deve deixar a presidência do Senado “para que possa bem exercer seu direito de defesa sem comprometer as instituições que representa”.

“Não se trata aqui de fazer juízo de valor quanto à culpabilidade do senador Renan Calheiros, uma vez que o processo que o investiga não está concluído. Trata-se de zelo pelas instituições da República”, diz a nota.

“Por este motivo, é preciso que o senador Renan Calheiros seja julgado de acordo com os ritos e procedimentos estabelecidos em lei, com acesso à ampla defesa e ao contraditório. Mas sem que isso comprometa o cotidiano e os atos praticados pelo Senado Federal”, acrescentou.

Em novembro, a maioria dos ministros do STF votou para que réus não ocupem cargo na linha sucessória da Presidência da República. O julgamento, no entanto, foi interrompido por um pedido de vista do ministro Dias Toffoli. Como a votação não foi concluída, Renan não será afastado do cargo, mesmo depois de virar réu no Supremo. Não há prazo para que o julgamento seja retomado.

Em nota, divulgada via assessoria de imprensa da Presidência do Senado, o presidente da Casa afirmou, na noite passada, ter recebido com “tranquilidade” a decisão do STF. O senador fala em “probabilidades” e garante não haver provas contra si.

Leia a nota de Renan:

O Senador Renan Calheiros recebeu com tranquilidade a decisão do STF e permanece confiante na Justiça. A aceitação da denúncia, ainda que parcial, não antecipa juízo de condenação. Ao contrário, o debate entre os ministros evidenciou divisão e dúvidas quanto a consistência dos indícios do Ministério Público, qualificados como precários por vários deles, inclusive por alguns que aceitaram a denúncia. Não há prova contra o Senador, nem mesmo probabilidades, apenas suposição.

Na instrução, o Senador comprovará, como já comprovou, com documentos periciados, sua inocência quanto a única denúncia aceita. Os serviços foram prestados e pagos em espécie, o que é legal. O Senador lembra que a legislação obriga o Ministério Público a comprovar, o que não fez em 9 anos com todos sigilos quebrados. A investigação está recheada de falhas.

A decisão do STF, ao receber parcialmente a denúncia, também ajuda a implodir inverdades que perduraram por anos e foram se transformando, entre elas a de corrupção, de que o Senador recorreu a uma empreiteira para pagar suas despesas. Ou seja, o Senador respondeu publicamente por uma década sobre crime inexistente, sequer objeto da denúncia.

Assessoria de Imprensa – Presidência do Senado Federal

Dor de cabeça

Para completar, Temer teve a sinalização definitiva que seu parceiro, amigo pessoal e ex-ocupante do Ministério do Planejamento Romero Jucá, está definitivamente envolvido nas investigações da Lava Jato. O remédio encontrado foi a nomeação do Interino desde maio deste ano, Dyogo Oliveira. Efetivado na pasta, Temer lança uma nova boia, na tentativa de blindar a equipe econômica e passar sinais positivos para o os investidores. As informações são de uma fonte, no Palácio do Planalto, à reportagem do Correio do Brasil.

— Está havendo muitas críticas, tem gente pressionando pela vaga, o presidente resolveu blindar a equipe econômica. O Dyogo é um bom técnico, o presidente gosta dele e ele resolve — ratificou outra fonte, desta vez à agência inglesa de notícias Reuters.

Dyogo “não incomoda” o senador Romero Jucá (PMDB-RR). O atual líder do governo no Congresso, por 11 dias, conseguiu se segurar na equipe de Temer. Mas foi derrubado pelas gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Falavam em “por um freio” na Operação Lava Jato.

Briga interna

Apesar de deixar o cargo, Jucá segue como uma espécie de ministro informal. Mesmo sem assinar documentos, participa de todas as reuniões da equipe econômica. Seu lugar-tenente é Dyogo Oliveira, a quem indicou para ser secretário-executivo do Planejamento. Ao confirmar Dyogo no cargo, Temer também se livra da pressão exercida pelo PSDB. Os tucanos chegaram a apresentar o nome do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para a pasta, afirmou a fonte da Reuters.

Os tucanos já ocupam as pastas do Ministério das Relações Exteriores, com José Serra; das Cidades, com Bruno Araújo, e da Justiça, com Alexandre de Moraes. Este último, ao longo dos últimos seis meses, já colocou o cargo à disposição do chefe por três ocasiões, marcadas por escândalos.

Aceitar Jereissati criaria conflitos com o próprio Jucá, com o PMDB, que perderia mais um ministério. E colocaria o governo dentro de uma briga interna do PSDB, explicou a fonte, uma vez que o senador é ligado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu grupo quer colocá-lo na presidência do PSDB no lugar do senador Aécio Neves (MG). Alckmin e Aécio disputam a indicação do partido para ser o candidato tucano em 2018.

Epidemia do vírus zika no Brasil completa um ano

Na próxima sexta-feira, completa-se um ano desde que o Brasil foi oficialmente atingido por uma das maiores epidemias de sua história

Os primeiros casos de infecção pelo zika no Brasil ocorreram em meados de abril de 2015, na cidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA)

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Na próxima sexta-feira, completa-se um ano desde que o Brasil foi oficialmente atingido por uma das maiores epidemias de sua história. Em 11 de novembro de 2015, o Ministério da Saúde decretou a epidemia do vírus zika como Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. Naquela data, já se passavam dois meses desde que médicos do Nordeste alertaram para o alto número de nascimentos de bebês com microcefalia em diversos estados.

Na próxima sexta-feira, completa-se um ano desde que o Brasil foi oficialmente atingido por uma das maiores epidemias de sua história
Na próxima sexta-feira, completa-se um ano desde que o Brasil foi oficialmente atingido por uma das maiores epidemias de sua história

Começava ali um longo período de investigação e angústia para mães, mulheres grávidas e famílias. Pesquisadores de diversas áreas mobilizaram-se até constatar que os casos de microcefalia poderiam estar relacionados a um novo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A zika passou a ser o novo vilão da saúde nacional.

A descoberta

Os primeiros casos de infecção pelo zika no Brasil ocorreram em meados de abril de 2015. Na cidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA). O infectologista Antônio Bandeira atendeu os primeiros pacientes com os sintomas do vírus ainda desconhecido no país.

– Eu fiquei  impressionado com a quantidade muito grande de pessoas que estavam sendo atendidas na emergência do hospital. Naquele momento, que chegavam com o mesmo sintoma. Manchas no corpo, febre baixa, uma conjuntivitezinha e dores pelo corpo. Era como se fosse a espécie de uma xerox de uma pessoa para outra – lembra o médico.

Os exames dos pacientes de Camaçari foram enviados para a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Onde foram submetidos à análise de virologistas que constataram a presença do zika e comprovaram sua transmissão por vetor.

– Quase a totalidade daquelas amostras eram positivas para zika. E a gente estava diante do primeiro surto documentado do vírus no continente norte-americano naquele momento. Nós comunicamos o Ministério da Saúde imediatamente no dia 29 de abril.

Como nem todos os pacientes manifestam os sintomas da infecção. O registro do vírus no país só chamou a atenção a partir do segundo semestre de 2015. Depois do surgimento de casos de adultos com a Síndrome de Guillain-Barré e do nascimento de centenas de bebês com microcefalia, principalmente em Pernambuco.

Zika e microcefalia

A relação do vírus zika com a microcefalia foi descoberta pelos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim (Ipesq). Em Campina Grande (PB). “Na realidade, a gente complementou o trabalho que já vinha sendo feito em Pernambuco. Os pesquisadores de lá já tinham levantado essa hipótese. Mas não tinham conseguido encontrar o vírus.

Conseguimos detectar no líquido amniótico e descobrimos que era o vírus asiático que está circulando aqui no Brasil. Ele é muito mais agressivo e tem uma predileção muito grande pelo sistema nervoso central”. Esclarece Adriana Melo, especialista neonatal e coordenadora do Ipesq.

O assunto ainda não tinha sido amplamente divulgado pela imprensa. Quando Elaine Michele, 29 anos, percebeu em seu corpo o sinal da notícia que mudaria sua vida. Ela mora em São Lourenço da Mata, cidade da região metropolitana do Recife (PE). Como o próprio nome sugere, o município é rodeado por uma mata. Condição que, aliada à falta de saneamento, favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Mãe de Eduarda, de 14 anos, Elaine esperava o segundo filho. Só não imaginava que seu sonho seria abalado por uma epidemia. No terceiro mês de gestação, ela acordou toda vermelha. As manchas no corpo passaram rápido, mas os efeitos foram permanetes em sua vida.

Ultrassons

As oito ultrassons feitas durante o pré-natal não foram suficientes para mostrar as calcificações no cérebro do bebê, descoberta somente depois do nascimento. 

– Fiz ultra com dopler colorido, fiz ultra 3D, nada mostrava. Quando ele nasceu, para mim, foi um baque. Fiquei sem chão. Mas, primeiramente, Deus e segundo, meu esposo, me deram muita força. Mas, no começo, eu não aceitava.

– Perguntava por que eu? Por que comigo? Me via só porque eu não sabia que existiam tantos bebês iguais ao meu. Não conhecia a microcefalia como eu conheço hoje, achei que fosse o fim – lembra Elaine.

De acordo com o Ministério da Saúde, de outubro de 2015 até outubro de 2016. Foram notificados 9.953 casos de microcefalia e outras alterações no sistema nervoso. Desse total, 4.797 casos foram descartados e 2.079 foram confirmados como microcefalia.

Outros 3.077 casos suspeitos permaneciam em investigação até 22 de outubro. Do total de casos confirmados (2.079), 392 tiveram resultado positivo para o vírus zika. O ministério, no entanto, considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.

Diagnóstico tardio

Três tipos de testes são capazes de detectar o vírus, mas apenas o chamado PCR está disponível na rede pública de sáude. Os testes rápidos que identificam em 20 minutos se o paciente já foi infectado alguma vez na vida pelo zika já estão prontos. Mas ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

O ministério anunciou a distribuição de 2 milhões de kits até o final deste ano e mais 1,5 milhão até fevereiro de 2017. Enquanto isso, muitas mulheres só sabem que foram infectadas com o vírus zika depois do nascimento do bebê.

A subnotificação é resultado da dificuldade em realizar os testes. O diagnóstico rápido e preciso ainda é um desafio. Aponta o Professor Universidade Federal da Bahia e Diretor do Hospital Geral Roberto Santos, Antônio Raimundo. “A grande dificuldade é o exame em si. Nós tivemos muitos problemas com o RTPCR, um exame muito caro e que você precisa fazer três vezes”.

O infectologista Antônio Bandeira também se queixa de dificuldades. “Infelizmente, a gente tem oAedes Aegypti transmitindo esses três vírus e tem que ter sistemas melhores de diagnóstico.

Investimento em pesquisa

Um ano depois do surto, especialistas já reconhecem que os efeitos do vírus zika podem ir muito além da microcefalia. “Esse vírus já demonstrou sua associação não só com microcefalia. Mas uma sequência de defeitos congênitos, de complicações neurológicas que hoje caracterizam o que a gente chama de Síndrome de Zika Congênita”. A lerta a professora de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Melânia Amorim.

A definição do conceito de Síndrome Congênita do Zika não trouxe respostas para todas as incertezas que persistem sobre a doença. O Instituto de Pesquisa de Campina Grande se dedica atualmente à investigação de bebês com microcefalia. Infectados pelo vírus Chicungunya, além de casos suspeitos de infecção por outros vírus.

O desafio é conseguir verba para concluir as pesquisas. “Todo mundo está trabalhando meio que voluntário, ninguém tem bolsa ou recebe para fazer pesquisa. A gente não tem insumos. A nossa sorte tem sido as parcerias, tanto com a prefeitura, quanto com a universidade privada que tem ajudado na parte do diagnóstico.

Principalmente, com a Universidade Federal do Rio de Janeiro que tem nos enviado todos os reagentes para pesquisa. Do contrário, a gente estaria de braços cruzados”, relata Adriana Melo, do Ipesq.

O Hospital Geral Roberto Santos, um dos maiores da rede pública de Salvador (BA). Também tem desenvolvido pesquisas sobre o vírus e luta por investimento. “Para nós não existe mais dúvida de que existe uma relação entre o vírus zika e a microcefalia. Mas, cada vez que a gente estuda isso, surgem mais perguntas.

Por quê? Por que tão grave? Qual é o  período mais perigoso? Existe alguma relação entre isso e uma infecção prévia por outro vírus? Então, nós estamos estruturando diversos projetos de pesquisa para responder a algumas dessas perguntas.

Agora precisamos entender como prevenir. Você pegou zika e está grávida, tem alguma coisa a se fazer? Vai ter que fazer pesquisa para descobri isso. É preciso recurso, o Brasil tem que investir em ciência e tecnologia”, afirma Antônio Raimundo, diretor do hospital.

Morte de macacos pode estar associada a vírus infeccioso

Os exames estão sendo realizados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Universidade Estácio de Sá e apontam para um surto infeccioso

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Um surto infeccioso pode ter sido o responsável pela morte de pelo menos 16 macacos-prego (mico-de-topete, prego ou mico) e micos-estrela (saguis de tufos pretos, ou simplesmente saguis) em menos de uma semana no Rio de Janeiro. A hipótese de envenenamento já foi descartada pelos veterinários e pesquisadores que cuidam do caso.

Os exames estão sendo realizados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres
Os exames estão sendo realizados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres

Os exames estão sendo realizados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Universidade Estácio de Sá e apontam para um surto infeccioso. Os pesquisadores do Cras suspeitam que o vírus possa ser um tipo de herpes que dificilmente é transmitido pelo ar. Mas contraído por arranhões ou mordidas. Em humanos,  o vírus pode causar inflamação no cérebro e levar à morte.

Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) está acompanhando o caso. Ele divulgou nota alertando a população para que evite contato com os macacos. A fim de prevenir contaminações. A orientação do Ibama é não tocar nos animais com sintomas de doença.

Para resgatar micos ou macacos doentes ou mortos, a população deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou o Instituto Estadual do Ambiente ou telefonar para a Patrulha Ambiental (1746), ou para o Cras (99695-99070.

OMS eleva para seis meses período de sexo seguro para evitar o vírus zika

Recomendação da Organização Mundial da Saúde vale para homens e mulheres que retornarem de zonas de risco. Órgão pede que pessoas em áreas de transmissão ativa do vírus sejam aconselhadas sobre anticoncepcionais

Por Redação, com DW – de Londres:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou, de oito semanas para seis meses o período em que as pessoas que retornam de um país onde existe o risco de transmissão do vírus zika devem praticar sexo seguro para evitar o contágio.

A agência sanitária da ONU especificou que a nova diretriz deve ser aplicada a todos os que retornaram de zonas de risco
A agência sanitária da ONU especificou que a nova diretriz deve ser aplicada a todos os que retornaram de zonas de risco

Esta recomendação se estende a todas as pessoas, homens e mulheres, e não só àqueles casais que estão pensando em conceber um filho, especificou a OMS em comunicado.

A agência sanitária da ONU especificou que a nova diretriz deve ser aplicada a todos os que retornaram de zonas de risco, apresentando sintomas ou não.

Em relação às pessoas que vivem em lugares onde há transmissão ativa do vírus, a OMS recomenda que tanto os homens quanto as mulheres sexualmente ativos “sejam aconselhados corretamente e que seja oferecido todo o espectro de métodos anticoncepcionais disponíveis para que eles sejam capazes de tomar uma decisão embasada sobre se querem gerar um bebê e quando”.

O objetivo é que todas as pessoas estejam conscientes da possibilidade de gerar um bebê que apresente alterações neurológicas com efeitos devastadores para seu desenvolvimento.

A atual epidemia, que já afeta mais de 60 países, começou no Brasil no final de 2014, onde foram também detectados os primeiros casos de malformações congênitas, especialmente microcefalia em recém-nascidos. Essa malformação foi detectada em outros países, mas não com a mesma incidência.

Na semana passada, o Comitê de Emergências da OMS decidiu que a epidemia do vírus zika segue classificada como uma emergência sanitária de alcance internacional, dada sua contínua expansão geográfica e as amplas lacunas sobre seus efeitos neurológicos.

Janot defende aborto para grávidas com vírus zika

Para o procurador-geral da República, as previsões legais para que o aborto seja permitido podem se aplicar aos casos relacionados à zika

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se posicionou favorável ao aborto para gestantes com o vírus zika, que pode causar microcefalia ao bebê (uma má-formação cerebral).

Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot

O posicionamento de Janot foi proferido na manifestação do Ministério Público Federal (MPF) em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade aberta pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), em que se questiona as políticas públicas do governo federal na assistência a crianças com microcefalia.

– A continuidade forçada de gestação em que há certeza de infecção pelo vírus da zica representa, no atual contexto de desenvolvimento científico, risco certo à saúde psíquica da mulher. Ocorre violação do direito fundamental à saúde mental e à garantia constitucional de vida livre de tortura e agravos severos evitáveis – escreveu Janot no parecer.

Para o procurador-geral da República, as previsões legais para que o aborto seja permitido podem se aplicar aos casos relacionados à zika. Atualmente, a legislação permite a interrupção da gravidez quando não houver meios de salvar a vida da gestante, no caso de estupro e de fetos anencéfalos (autorizado em 2012 pelo STF).

Por analogia, Janot conclui que as ressalvas legais tem como objetivo proteger a mulher de desnecessários sofrimentos físicos e psíquicos, podendo ser aplicadas por analogia aos casos de zika.

Por fim, ele alega que a “autonomia reprodutiva, direito a saúde e a integridade física e psíquica seriam direitos fundamentais das mulheres violados pela criminalização do aborto” em caso de infecção pelo vírus.

Políticas inconstitucionais

O MPF considerou inconstitucionais também alguns dispositivos da Lei 13.301/2016, na qual ficaram estabelecidas as políticas públicas a serem adotadas diante das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Entre eles está a previsão de pagar o benefício de prestação continuada de assistência a crianças com microcefalia pelo prazo de três anos.

– Limitação temporal do benefício assistencial acarreta proteção insuficiente dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência e omissão inconstitucional, que justificam intervenção do Judiciário – escreveu Janot.

Também foram consideradas inconstitucionais para a obtenção de benefício de prestação continuada a exigência de comprovação de miserabilidade e a exigência de perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quando não houver agência da autarquia no local onde a família afetada vive.

Janot sugeriu que o STF determine que o governo federal realize no prazo de 90 dias uma reavaliação das políticas de assistência social às famílias com crianças com microcefalia.

Casos

Até 8 de julho, foram registrados 174.003 casos prováveis de infecção pelo vírus zika, com 78.421 confirmados. Entre as gestantes, foram 14.739 casos prováveis e 6.903 confirmados, de acordo com Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Até junho, haviam sido confirmados mais de 1,6 mil casos de microcefalia no país.

Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus zika começou a circular no Brasil em 2014, mas teve os primeiros registros feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. Ele provoca sintomas semelhantes aos da dengue e da febre chikungunya, só que mais leves,. Em novembro de 2015, o Ministério da Saúde confirmou que, quando gestantes são infectadas pelo vírus, podem gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro, que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos. A Síndrome de Guillain-Barré também pode ser ocasionada pelo zika.

A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos, além do zika, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.

A principal recomendação do ministério a gestantes é a de adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

EUA recomendam que Porto Rico use fumigação aérea para conter zika

A fumigação aérea é uma maneira segura e comprovada de lidar com os mosquitos

Desde o início do surto de zika no final do ano passado, 1.726 pessoas foram infectadas pelo vírus no território norte-americano, entre elas um total de 191 gestantes

Por Redação, com agências internacionais – de Washington:

 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) disse que o zika vírus está se disseminando rapidamente em Porto Rico e recomendou que o território norte-americano recorra à fumigação aérea para controlar as populações do mosquito que transmite o zika e as doenças de nascença relacionadas a ele.

A fumigação aérea é uma maneira segura e comprovada de lidar com os mosquitos
A fumigação aérea é uma maneira segura e comprovada de lidar com os mosquitos

– Múltiplas fontes de dados independentes indicam que, pelas tendências atuais, milhares de gestantes de Porto Rico irão contrair zika – disse o diretor do CDC, Tom Frieden, em um comunicado.

A fumigação aérea é uma maneira segura e comprovada de lidar com os mosquitos que transmitem doenças como zika, dengue e chikungunya, afirmou o CDC.

Desde o início do surto de zika no final do ano passado, 1.726 pessoas foram infectadas pelo vírus no território norte-americano, entre elas um total de 191 gestantes.

Porto Rico está sofrendo com problemas fiscais, enquanto o governo e a indústria de saúde enfrentam dificuldades para conter a propagação do zika vírus, ao qual se atribuem defeitos de nascença graves e outras doenças neurológicas.

Multidisciplinar

O secretário estadual de Saúde de São Paulo, David Uip, disse na última quarta-feira que os governos, federal e estaduais têm de estar preparados para apoiar as famílias com crianças com sequelas decorrentes da infecção causada pelo vírus zika. Segundo ele, essa assistência tem que abranger diversas frentes, uma vez que os bebês que foram vítimas da doença durante a gestação podem apresentar vários problemas.

– Essas má-formações, quando ocorrem, são má-formações extremamente importantes. E o estado tem que ter competência para dar assistência para a mãe, para a família e para essa criança que vai nascer. Uma assistência multidisciplinar – enfatizou ao abrir um seminário sobre o tema, em São Paulo.

O diretor o Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, destacou que, apesar da microcefalia ser o sintoma mais conhecido, existem outros problemas neurológicos que podem ser causados pelo vírus.

Hage disse que “20% das crianças com manifestações neurológicas achadas em exames de imagem não apresentaram no primeiro exame microcefalia. Ou seja, seriam considerados falsos negativos e poderiam ser perdidos do ponto de vista do acompanhamento e toda a abordagem que deve ser oferecida para essa criança”.

Síndrome congênita

Por isso, os problemas decorrentes da infecção por zika e outras doenças capazes de afetar o desenvolvimento do feto devem, de acordo com o diretor, ser tratadas como uma síndrome congênita. “Juntando essas peças vai ser possível caracterizar a síndrome e migrar da fase atual, da detecção a partir de casos de microcefalia, para algo mais amplo, detectando e acompanhando todas as crianças que tenham manifestado má-formações congênitas com as sérias consequências que têm sido observadas”, disse, ao lembrar que ainda há muitas dúvidas a respeito dos sintomas e características que podem estar relacionadas ao vírus.

A neurologista infantil do Instituto de Medicina Integrada Fernando Figueira (Imip), Ana Maria Campos Van Linden, acompanhou 85 bebês com sequelas ligadas ao vírus zika dos cerca de 200 que nasceram na instituição, em Recife (PE). Além dos problemas na formação do crânio e cérebro, a médica identificou alterações comportamentais e outras má-formações nessas crianças.

Como o vírus tem preferência por atacar as células que formam o sistema nervoso, Ana Maria disse que também foram identificadas deficiências na medula espinhal de parte dos recém-nascidos, o que causando deformidades nos membros.

Capacidade visual

A deficiência visual é, segundo a neurologista, outra característica comum às crianças acometidas pela síndrome congênita associada ao zika. Esse problema vai se tornando mais evidente, de acordo com Ana Maria, a partir do desenvolvimento do bebê. “Não que a doença faça a capacidade visual regredir. Mas é que. à medida em que ela vai crescendo, você vai tendo uma expectativa de capacidade visual maior e isso você não está acontecendo”.

A dificuldade para dormir e a irritabilidade dos recém-nascidos são outro sintoma, que, segundo a médica, causa muitos problemas aos pais, uma vez que a criança precisa de vigilância intensa. “O que a gente faz com eles é fisioterapia e terapia ocupacional”, diz, sobre o tratamento dedicado aos acometidos pela síndrome.

– O que a gente nota é que ele tem uma boa resposta na evolução. A irritabilidade dessas crianças, que é extrema no primeiro e segundo mês de vida, a partir do terceiro mês começam a melhorar. Em torno de seis meses, essas crianças dormem. Existe uma melhora nítida nisso. Se a fisioterapia está funcionando, é uma dúvida. Eu acredito que sim – acrescenta, sobre os resultados das medidas.

 

SUS inclui teste rápido para detectar infecção pelo vírus da hepatite

O Diário Oficial da União publica na edição desta quarta-feira portaria que inclui na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS)

A Sociedade Brasileira de Hepatologia alertoupara a importância de exames que identifiquem a hepatite viral de maneira precoce

Por Redação, com ABr – de Brasília:

 

O Diário Oficial da União publica na edição desta quarta-feira portaria que inclui na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) o teste rápido para detectar infecção pelo vírus da hepatite.

Segundo o texto, o Ministério da Saúde considera a necessidade de incorporar teste que possibilita ampliar o acesso ao diagnóstico das infecções causadas pelo vírus da hepatite B.

O Diário Oficial da União publica na edição desta quarta-feira portaria que inclui na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS)
O Diário Oficial da União publica na edição desta quarta-feira portaria que inclui na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS)

A Sociedade Brasileira de Hepatologia alertoupara a importância de exames que identifiquem a hepatite viral de maneira precoce. De acordo com o ex-presidente e atual conselheiro da entidade Raymundo Paraná, as hepatites são situações em que o fígado se encontra inflamado.

Se forem crônicas, as hepatites podem levar o fígado a sofrimento, e a resposta a esse sofrimento é a produção de tecido cicatricial (fibrose) dentro do órgão. A fibrose pode evoluir para uma cirrose hepática, no futuro, com a continuada agressão ao fígado.

Detecção precoce de hepatites virais

Doenças autoimunes, obesidade e medicamentos, entre outros fatores, podem causar hepatite. No caso das hepatites virais, as inflamações são causadas por cinco vírus (A, B, C, D e E). Segundo o médico, pelo número de casos em todo o mundo, as que preocupam são as hepatites B e C, que, juntas, atingem 500 milhões de pessoas. No Brasil, 3 milhões de pessoas convivem com a hepatite, sobretudo a C, porque houve mudança de paradigma de uma doença, cujo tratamento era muito difícil e agora tornou-se mais fácil, com possibilidade de cura superior a 90%, explicou Paraná.

De acordo com o médico, as hepatites virais B e C devem ser prevenidas, no caso do tipo B, pelo sexo seguro, e ambas pela vacinação. Ele lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem vacinação gratuita e universal até 39 anos de idade. “Todo brasileiro deve se vacinar”, disse o médico. Ele ressaltou que, no caso da hepatite C, as contaminações recentes são mais raras.

Raymundo Paraná disse que a maioria dos 2 milhões de pacientes brasileiros com hepatite C contraiu a doença nas décadas de 70, 80 e 90, quando ainda “não havia a cultura dos equipamentos descartáveis, as pessoas se tatuavam em locais que não eram vistoriados pela Vigilância Sanitária, usava-se muito seringas de vidro, material reutilizável em farmácias”.

O especialista reiterou que todas as pessoas que tomaram transfusão de sangue antes de 1994, fizeram tatuagens em locais não fiscalizados, compartilharam seringas e agulhas e tinham hábito de tomar injeções venosas em farmácias devem fazer o teste para hepatite C.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia faz a mesma recomendação feita há três anos pela França e pelos Estados Unidos: que todos os indivíduos acima de 45 anos façam o teste para hepatite C, que é uma doença silenciosa, cujo diagnóstico depende de exames laboratoriais. O teste para esse tipo de diagnóstico é o anti-HCV. Outro cuidado para prevenir a doença é o uso de materiais perfurocortantes descartáveis e esterilizados. Em salões de beleza, inclusive, recomenda-se levar o próprio material para os serviços de manicure e pedicure. De acordo com o médico, as pessoas não podem partilhar instrumentos perfurocortantes, , como lâminas de barbear e tesouras de unha, “nem no seio da família”. Do mesmo modo, usuários de drogas não devem compartilhar agulhas, seringas e equipamentos.

Na fase aguda das hepatites virais, algumas pessoas podem apresentar icterícia (olhos amarelos) e urina escura. Quando a doença evolui para a forma crônica, em especial nas hepatites B e C, a evolução é silenciosa, como costuma ocorrer com as demais doenças do fígado. “O fígado não dói, não dá boca amarga, mancha na pele, nem azia, nem má digestão. O fígado é um órgão silencioso”, explicou Paraná, que chama a atenção para sinais de fadiga, principal sintoma da hepatite viral.

De acordo com o médico, a melhor modo de rastrear a doença é pelos exames AST, ALT, anti-HCV e AgHBs. “São quatro exames mágicos que permitem rastrear se o indivíduo tem uma doença no fígado, ainda nas fases precoces.” Para ele, esses exames estão disponíveis no SUS e precisam ser usados com mais frequência, solicitados por todos os médicos, independentemente da sua especialidade.